
Artigo de Jair Donato
O mundo é matemático e através dos números, uma medida fria, porém exata, o ser humano pode refletir profundamente sobre os dados que mostram os impactos já provocados por ele na Terra desde que passou a habitar por aqui, principalmente nos últimos cem anos. Números que também se tornam úteis para analisar os choques que serão provocados até o final deste século. No ano de 2050 o planeta terá o peso do consumo de aproximadamente 9 bilhões de pessoas, segundo a Organização das Nações Unidas. Isso merece melhor atenção de cada cidadão que hoje, pelo que mostram os fatos, não ocupa tão bem o ambiente em que vive e muitas vidas já estão sendo eliminadas em virtude do mau uso dos recursos naturais e dos danos implacáveis provocados no meio ambiente.
Nas últimas 04 décadas, como consequência de toda a atividade industrial no século XX, o do nível de CO² na atmosfera chegou à média de 400 partes por milhão (ppm), faixa que não tinha sido alcançada nos últimos 650 mil anos, segundo estudos científicos. A projeção é de que 200 bilhões de pessoas podem sofrer até a metade do século com os impactos do aquecimento global, fenômeno climático que ainda não preocupa muita gente que polui em demasia, mas que já alastra catástrofes sobre os continentes.
A 15ª Conferência das Partes das Nações Unidas, COP-15, evento foco do final de 2009, em Copenhague, na Dinamarca, foi organizada para que um acordo mais arrojado e que dê continuidade ao Tratado de Kyoto, com a participação de mais países, como os EUA e a China, potenciais poluidores, seja de fato assumido por governantes de mais de 150 países. Do cumprimento das metas propostas nesta conferência, para redução nas emissões de gases poluentes que aquece a Terra, depende a qualidade de vida das gerações presentes e futuras. Das grandes negociações aos pequenos acordos, todo movimento em busca de soluções verdes são válidos.
Ainda em 2007, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas fez um alerta oficial ao mundo através de estudos sobre a temperatura da Terra, que não poderá subir mais que 2ºC. E para isso seria necessário que as emissões de CO² fossem reduzidas entre 50% e 85% até 2050. Por volta de 2100, considerando os mesmos padrões de destruição ambiental e de consumo dos recursos naturais da atualidade, todos os biomas serão extremamente afetados, a exemplo da Amazônia, que poderá ser extinta em até 80%, segundo os estudiosos do clima, devido a fortes períodos de estiagem; fato extensivo ao cerrado e demais ciclos de vida da que fazem parte do meio ambiente natural em diversas partes do mundo.
A previsão para a metade deste século, com base nos atuais padrões de consumo, é que serão consumidos duas vezes mais do que o planeta pode gerar. Será estarrecedor o impacto de aproximadamente 10 bilhões de pessoas se não houver uma mudança geral no estilo de vida do ser humano, tanto nas atividades industriais quanto nas domésticas. Dados atuais mostram que uma pessoa produz, em média 1,5 kg de lixo diário. E segundo alguns cálculos, cada ser humano deveria plantar entre trezentas a quatrocentas árvores para compensar a vida dela por aqui. Ufa! Haja espaço, ainda bem que os cientistas estão criando agora as árvores sintéticas. Bancar essa idéia pode ser uma excelente ajuda.
E, falar em números sem falar da água disponível para consumo no planeta, é impossível. Trata-se de um recurso que muita gente ainda não sabe o valor que possui e o quanto é limitado na face da Terra. A Organização das Nações Unidas instituiu o período de 2005/2015 como a Década das Águas. Hoje, mais de 1 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável. Até o final deste século, mais de 3 bilhões sofrerão com a escassez. Estima-se que quase dois milhões de mortes no mundo, anualmente, têm como causa a poluição da água. Esses são dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). E a poluição tende a crescer.
Recentemente, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, num artigo publicado às vésperas da COP-15, sobre a expectativa do resultado da Conferência, expressou: “Se nós perdermos a oportunidade de proteger o nosso planeta, não haverá segunda chance em nenhum outro momento no futuro”. Alguém sabiamente disse, conjeturando a presunção humana: “Cada geração se considera mais inteligente do que a anterior e mais sábia do que a próxima”. A sessão numérica continua.
Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. Site: www.domNato.com.br
2 comentários:
Interessante!
Li uma matéria no site da revista página 22 mais atual sobre isso:
http://pagina22.com.br/index.php/2010/07/clima-economia/
parabéns pelo blog, muito legal
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