CAVALO MARINHO
Artigo de Jair Donato
A
sociedade desde há muito tempo está permeada de gente que delira pelo lucro
fácil a qualquer custo, seja através da ilegalidade, da destruição e o que mais
for viável. Quantos já usurparam milhões à custa da destruição ambiental? Contudo,
será daqui por diante que muitos começam a se sentirem ameaçados, caso não
recuem de tal comportamento vil, em querer ganhar sem considerar o meio em que
vive, principalmente o ambiente natural.
Se
não houver uma mudança radical no comportamento de quem produz e fabrica, assim
como de quem consome, muita gente cairá na própria emboscada, um caminho sem
volta. Esse é o alerta dos cientistas do clima. Por isso será preciso um basta,
o expurgo de empresas e de produtos disponibilizados à custa da inconsequência
ambiental, que sequer contribuem para uma melhoria socioeconômica justa.
Há
uma fábula sobre o cavalo-marinho que certa vez pegou as economias que possuía e
saiu em busca de riqueza. Ele desejava o acúmulo de fortuna, centuplicá-las
rapidamente. Não havia andado muito, quando encontrou uma Águia, que lhe disse:
"Bom amigo, para onde vais?"
- Vou
a busca de fortuna, respondeu o cavalo-marinho, com muito orgulho.
- Estás
com sorte, disse a águia. Pela metade do seu dinheiro, deixo que leve esta asa,
para que possas chegar mais rápido.
- Que
bom, disse o cavalo-marinho. Pagou-lhe, colocou a asa e saiu como um raio. Logo
encontrou uma esponja, que lhe disse: "Bom amigo, para onde vais com tanta
pressa?"
- Vou
a busca de fortuna, respondeu o cavalo-marinho.
- Estás
com sorte, disse a esponja. Vendo-lhe este meu propulsor por muito pouco
dinheiro, para que chegues mais rápido.
Foi
assim que o cavalo-marinho pagou o resto de seu dinheiro pelo propulsor e
sulcou os mares com velocidade quintuplicada. De repente, encontrou um tubarão,
que lhe disse: "Para onde vais, meu bom amigo?"
- Vou
a busca de fortuna, respondeu o cavalo-marinho.
- Estás
com sorte. Se tomares este atalho, disse o tubarão, apontando para sua imensa
boca, ganharás muito tempo.
- Está
bem, eu lhe agradeço muito, disse o cavalo-marinho, e se lançou ao interior do
tubarão, sendo devorado.
Certamente,
nada há de errado ao homem, como não havia ao cavalo-marinho, buscar fortuna,
pois é através do aumento da situação econômica, um dos pilares da sustentabilidade,
que o mundo se torna mais próspero e todos, dessa forma, poderão usufruir com muito
mais qualidade de vida. Partir em busca dos sonhos, das realizações, seja
através dos estudos, do trabalho ou da implementação de novas idéias é
formidável. É algo intrínseco à natureza do ser humano. Todo o progresso do
mundo se deve a atitude dos que ousaram e buscaram soluções de riqueza para a
humanidade.
No
entanto, o que causa perda, além de inadequado
para a realidade de hoje e das futuras gerações, é a busca pelo acúmulo de
riqueza sem rumo certo. Foi essa a causa do desequilíbrio, principalmente para
o meio ambiente, primordialmente em todo o século XX, com o advento da Era
Industrial. Ainda é forte a tendência do mundo capitalista, em que poucos ganham
e muitos perdem, alimentada pelo interesse mercantilista. Quando agem de forma
irresponsável ambientalmente, estabelece-se a seguinte ordem. Produtores se
tornam exploradores, fabricantes alcançam postos de vilões na emissão de gases
poluentes que coloca a cada dia o planeta em risco, e o cidadão termina num
consumerismo sem fim.
Cada
um deve perceber no ato da compra, ao que atende. Se as necessidades que possui
ou aos desejos que tem? Afinal, necessidade difere de desejo e são bem
distintos. Enquanto um é primordial o outro pode ser volúvel, exagerado, cheio
de frustrações inconscientes. Atitude com consciência, educação, respeito à
natureza e ética, talvez esses sejam os melhores caminhos que levam ao rumo
certo.
Jair
Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas,
professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de
Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

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