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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

CAVALO MARINHO
Artigo de Jair Donato

A sociedade desde há muito tempo está permeada de gente que delira pelo lucro fácil a qualquer custo, seja através da ilegalidade, da destruição e o que mais for viável. Quantos já usurparam milhões à custa da destruição ambiental? Contudo, será daqui por diante que muitos começam a se sentirem ameaçados, caso não recuem de tal comportamento vil, em querer ganhar sem considerar o meio em que vive, principalmente o ambiente natural.

Se não houver uma mudança radical no comportamento de quem produz e fabrica, assim como de quem consome, muita gente cairá na própria emboscada, um caminho sem volta. Esse é o alerta dos cientistas do clima. Por isso será preciso um basta, o expurgo de empresas e de produtos disponibilizados à custa da inconsequência ambiental, que sequer contribuem para uma melhoria socioeconômica justa.

Há uma fábula sobre o cavalo-marinho que certa vez pegou as economias que possuía e saiu em busca de riqueza. Ele desejava o acúmulo de fortuna, centuplicá-las rapidamente. Não havia andado muito, quando encontrou uma Águia, que lhe disse: "Bom amigo, para onde vais?"
- Vou a busca de fortuna, respondeu o cavalo-marinho, com muito orgulho.
- Estás com sorte, disse a águia. Pela metade do seu dinheiro, deixo que leve esta asa, para que possas chegar mais rápido.

- Que bom, disse o cavalo-marinho. Pagou-lhe, colocou a asa e saiu como um raio. Logo encontrou uma esponja, que lhe disse: "Bom amigo, para onde vais com tanta pressa?"
- Vou a busca de fortuna, respondeu o cavalo-marinho.
- Estás com sorte, disse a esponja. Vendo-lhe este meu propulsor por muito pouco dinheiro, para que chegues mais rápido.

Foi assim que o cavalo-marinho pagou o resto de seu dinheiro pelo propulsor e sulcou os mares com velocidade quintuplicada. De repente, encontrou um tubarão, que lhe disse: "Para onde vais, meu bom amigo?"
- Vou a busca de fortuna, respondeu o cavalo-marinho.
- Estás com sorte. Se tomares este atalho, disse o tubarão, apontando para sua imensa boca, ganharás muito tempo.
- Está bem, eu lhe agradeço muito, disse o cavalo-marinho, e se lançou ao interior do tubarão, sendo devorado.

Certamente, nada há de errado ao homem, como não havia ao cavalo-marinho, buscar fortuna, pois é através do aumento da situação econômica, um dos pilares da sustentabilidade, que o mundo se torna mais próspero e todos, dessa forma, poderão usufruir com muito mais qualidade de vida. Partir em busca dos sonhos, das realizações, seja através dos estudos, do trabalho ou da implementação de novas idéias é formidável. É algo intrínseco à natureza do ser humano. Todo o progresso do mundo se deve a atitude dos que ousaram e buscaram soluções de riqueza para a humanidade.

No entanto, o que causa perda, além de  inadequado para a realidade de hoje e das futuras gerações, é a busca pelo acúmulo de riqueza sem rumo certo. Foi essa a causa do desequilíbrio, principalmente para o meio ambiente, primordialmente em todo o século XX, com o advento da Era Industrial. Ainda é forte a tendência do mundo capitalista, em que poucos ganham e muitos perdem, alimentada pelo interesse mercantilista. Quando agem de forma irresponsável ambientalmente, estabelece-se a seguinte ordem. Produtores se tornam exploradores, fabricantes alcançam postos de vilões na emissão de gases poluentes que coloca a cada dia o planeta em risco, e o cidadão termina num consumerismo sem fim.

Cada um deve perceber no ato da compra, ao que atende. Se as necessidades que possui ou aos desejos que tem? Afinal, necessidade difere de desejo e são bem distintos. Enquanto um é primordial o outro pode ser volúvel, exagerado, cheio de frustrações inconscientes. Atitude com consciência, educação, respeito à natureza e ética, talvez esses sejam os melhores caminhos que levam ao rumo certo.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

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