ECOECONOMIA
Artigo de Jair Donato
Nenhuma
relação humana sobrevive sem parceria e reciprocidade. Essa mesma regra vale
para a convivência do ser humano com a biodiversidade e com os recursos
naturais da Terra. Além do respeito, da ética, da moral e das políticas
renováveis necessárias para gerar produção e lucro, sem perda da noção do valor
natural do que é consumido.
Mas,
a visão do velho regime capitalista, ainda presente, cujo valor do homem é reconhecido
só pela produção, é que faz com que os países mais poluidores do mundo se
portem nos patamares da irresponsabilidade ambiental. É isso que coloca a Terra
em risco. Pensando
ecologicamente, o planeta sempre perde quando se trata do uso dos recursos
naturais, que não se recompõe na mesma proporção em que são utilizados.
O atual
mundo da produção, e também do desperdício, destrói a natureza acima do que o
planeta é capaz de repor, e polui em potencial. Já há em torno de uma década que o consumo
atingiu quase 30% a mais do que a Terra consegue renovar, segundo o relatório
Planeta Vivo, da Ong WWF. Nessa proporção, estudos mostram que por volta de
2050 terá um consumo mais que o dobro da capacidade da Terra. E como estará a economia na metade deste
século com os 9 bilhões de habitantes previstos pela ONU?
O economista
americano Lester Brown, influente pensador do movimento ambiental global, autor
do livro Eco-Economy, diz que é
possível existir uma economia equilibrada com o meio ambiente e apresenta a
idéia de que a humanidade deve caminhar nessa direção. Os danos causados cada
vez que se faz uso dos recursos naturais, como a exploração da madeira, o uso
do solo e dos rios não é considerado pelo velho conceito econômico.
Certamente,
os paradigmas da economia mundial já não são tão éticos, dentro do contexto
ambiental, e precisam ser repensados. Um exemplo é o conceito econômico
tradicional de que para um ganhar, o outro tem que perder. Essa perspectiva de
negociação precisa ser trocada pela relação da bilateralidade, onde ganham
todas as partes envolvidas. Mas, será que o mundo capitalista está pronto para
isso?
Hoje,
na nova prática do mercado competitivo, a transação ideal entre cliente e
fornecedor, deve ser o “ganha-ganha”, ação que gera confiança e relacionamento rentável;
conceito de clientabilidade. Assim como no mundo dos negócios em que as partes
envolvidas precisam ganhar, para que o homem restabeleça uma relação de
qualidade de vida no planeta, é necessário que a natureza não continue no
prejuízo.
Ao
contrário do que ainda se faz, as atividades econômicas podem ser compatíveis
com a preservação e conservação ambiental. O que precisa mudar é a forma de
fazer isso, e esse é um aspecto que além de contar com novas tecnologias,
necessita urgente de um novo estilo de vida no comportamento do homem.
O mundo está diante de uma necessidade de mudança. Precisa
partir para a economia que gera menos desperdício e aproveita os subprodutos. A
economia ambiental parte de tudo que pode ser reaproveitado, após a utilização,
através da reciclagem e da reintrodução do que foi transformado, na cadeia
produtiva. Isso é desenvolvimento sustentável, que ainda gera renda e beneficia
o social.
A
natureza é um organismo vivo e o homem necessita acordar para essa realidade,
se sentir como parte do meio ambiente, não apenas como elemento que polui e
destrói. O filósofo chinês, Confúcio, antes da era cristã, disse que: “As pessoas que não pensam bastante à frente,
inevitavelmente têm problemas ao alcance das mãos”. Talvez mereça da nossa
parte, uma reflexão mais profunda acerca desta expressão.
Jair
Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas,
professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de
Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

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