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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

ECOECONOMIA
Artigo de Jair Donato

Nenhuma relação humana sobrevive sem parceria e reciprocidade. Essa mesma regra vale para a convivência do ser humano com a biodiversidade e com os recursos naturais da Terra. Além do respeito, da ética, da moral e das políticas renováveis necessárias para gerar produção e lucro, sem perda da noção do valor natural do que é consumido.

Mas, a visão do velho regime capitalista, ainda presente, cujo valor do homem é reconhecido só pela produção, é que faz com que os países mais poluidores do mundo se portem nos patamares da irresponsabilidade ambiental. É isso que coloca a Terra em risco. Pensando ecologicamente, o planeta sempre perde quando se trata do uso dos recursos naturais, que não se recompõe na mesma proporção em que são utilizados.

O atual mundo da produção, e também do desperdício, destrói a natureza acima do que o planeta é capaz de repor, e polui em potencial. Já há em torno de uma década que o consumo atingiu quase 30% a mais do que a Terra consegue renovar, segundo o relatório Planeta Vivo, da Ong WWF. Nessa proporção, estudos mostram que por volta de 2050 terá um consumo mais que o dobro da capacidade da Terra. E como estará a economia na metade deste século com os 9 bilhões de habitantes previstos pela ONU?

O economista americano Lester Brown, influente pensador do movimento ambiental global, autor do livro Eco-Economy, diz que é possível existir uma economia equilibrada com o meio ambiente e apresenta a idéia de que a humanidade deve caminhar nessa direção. Os danos causados cada vez que se faz uso dos recursos naturais, como a exploração da madeira, o uso do solo e dos rios não é considerado pelo velho conceito econômico.

Certamente, os paradigmas da economia mundial já não são tão éticos, dentro do contexto ambiental, e precisam ser repensados. Um exemplo é o conceito econômico tradicional de que para um ganhar, o outro tem que perder. Essa perspectiva de negociação precisa ser trocada pela relação da bilateralidade, onde ganham todas as partes envolvidas. Mas, será que o mundo capitalista está pronto para isso?

Hoje, na nova prática do mercado competitivo, a transação ideal entre cliente e fornecedor, deve ser o “ganha-ganha”, ação que gera confiança e relacionamento rentável; conceito de clientabilidade. Assim como no mundo dos negócios em que as partes envolvidas precisam ganhar, para que o homem restabeleça uma relação de qualidade de vida no planeta, é necessário que a natureza não continue no prejuízo.

Ao contrário do que ainda se faz, as atividades econômicas podem ser compatíveis com a preservação e conservação ambiental. O que precisa mudar é a forma de fazer isso, e esse é um aspecto que além de contar com novas tecnologias, necessita urgente de um novo estilo de vida no comportamento do homem.
O mundo está diante de uma necessidade de mudança. Precisa partir para a economia que gera menos desperdício e aproveita os subprodutos. A economia ambiental parte de tudo que pode ser reaproveitado, após a utilização, através da reciclagem e da reintrodução do que foi transformado, na cadeia produtiva. Isso é desenvolvimento sustentável, que ainda gera renda e beneficia o social.
A natureza é um organismo vivo e o homem necessita acordar para essa realidade, se sentir como parte do meio ambiente, não apenas como elemento que polui e destrói. O filósofo chinês, Confúcio, antes da era cristã, disse que: “As pessoas que não pensam bastante à frente, inevitavelmente têm problemas ao alcance das mãos”. Talvez mereça da nossa parte, uma reflexão mais profunda acerca desta expressão.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

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