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quinta-feira, 14 de maio de 2015

VOCÊ FALA O QUE DIZ?
Artigo de Jair Donato

A comunicação humana é uma ciência de alta complexidade. Engana-se quando o indivíduo se convence pelo que ouve apenas aquilo que é dito pela boca, sem atentar-se para outros recursos da comunicação, como a expressão corporal, por exemplo. O fato comprovado por especialistas é que o corpo fala. E a linguagem dele é contundente e inconsciente, o que nem sempre coaduna com a expressão verbal, que é consciente e facilmente manipulável.

Segundo estudos, no processo da comunicação a palavra por si só possui apenas 7% de eficácia. A tonalidade representa 38%. E os 55% restantes são representados pelo impacto da linguagem não verbal. Ou seja, pelo comportamento expresso enquanto se comunica algo. A palavra quando pronunciada sem emoção fica somente entre a boca do emissor e a parte superficial do ouvido do receptor. Infelizmente essa é uma prática comum no meio político, no mundo dos negócios e nas diversas áreas das relações interpessoais.

Os tempos eleitorais é um período fértil para essas incongruências. O eleitor é obrigado a ouvir de muitos pretendentes aos cargos públicos, incontáveis baboseiras apresentadas como propostas, tão mal elaboradas que por vezes se tornam ridículas e ineficazes, uma verdadeira autossabotagem. São candidatos mal assessorados neurolinguisticamente, que falam conforme o que está no script, cuja fisiologia é discrepante, agressiva e sem emoção. É fato que isso provoca indignação e desconfiança no eleitor, que a cada eleição se torna mais seletivo.

Comunicar bem e de maneira clara, concisa e eficaz é uma habilidade dos grandes líderes, dos estadistas e das pessoas bem sucedidas. Há estudos que mostram que no mundo corporativo, os administradores gastam cerca de 75% do tempo em comunicação. E isso não é diferente nos demais ambientes. O mais importante, a saber, é como as pessoas se comunicam. Quais os resultados obtidos por elas? Uma comunicação eficaz ocorre quando não há incoerência entre o que se diz verbalmente e o que o corpo emite como reflexo das intenções das crenças e das emoções do emissor.

Quantas vezes o político tenta convencer só pela retórica a quem o vê ou a quem o ouve. No entanto, o próprio emissor, enquanto utiliza as mãos, o corpo e a expressão fisionômica, dizem exatamente o contrário da intenção. O corpo sempre expressa a linguagem de fato, ele fala. Interessante observar que a linguagem não verbal não é manipulada assim como podem ser as palavras. É uma expressão do inconsciente e diz a verdade sobre o emissor em ação. Quantas vezes você já escutou uma resposta cuja entonação e expressão do interlocutor expressou o contrário do que você ouviu e do que ele expressou?

Até um elogio, dependendo da forma como é feito, pode causar ressentimento ou má interpretação. Por exemplo, é facilmente reconhecível o uso da palavra ‘querido’, quando pronunciada com tonalidade falsa e sarcástica, embora seja uma expressão essencialmente bela. Muita gente não percebe que o fato de não conseguir o que deseja na vida pessoal, profissional ou afetiva, é devido à incoerência ao se comunicar com o mundo. Ao invés de dar atenção somente ao que se diz, o comunicador deve se atentar para o jeito como fala e se expressa. Freud elaborou uma oportuna reflexão: A que distância você se encontra entre o que pensa, diz e age? Essa pode ser uma maneira de aumentar a chance de ter mais coerência e evitar a dissonância na comunicação.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

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