VOCÊ FALA O QUE
DIZ?
Artigo de Jair Donato
A comunicação humana é uma
ciência de alta complexidade. Engana-se quando o indivíduo se convence pelo que
ouve apenas aquilo que é dito pela boca, sem atentar-se para outros recursos da
comunicação, como a expressão corporal, por exemplo. O fato comprovado por
especialistas é que o corpo fala. E a linguagem dele é contundente e
inconsciente, o que nem sempre coaduna com a expressão verbal, que é consciente
e facilmente manipulável.
Segundo estudos, no processo da
comunicação a palavra por si só possui apenas 7% de eficácia. A tonalidade
representa 38%. E os 55% restantes são representados pelo impacto da linguagem
não verbal. Ou seja, pelo comportamento expresso enquanto se comunica algo. A
palavra quando pronunciada sem emoção fica somente entre a boca do emissor e a
parte superficial do ouvido do receptor. Infelizmente essa é uma prática comum
no meio político, no mundo dos negócios e nas diversas áreas das relações
interpessoais.
Os tempos eleitorais é um período
fértil para essas incongruências. O eleitor é obrigado a ouvir de muitos
pretendentes aos cargos públicos, incontáveis baboseiras apresentadas como
propostas, tão mal elaboradas que por vezes se tornam ridículas e ineficazes,
uma verdadeira autossabotagem. São candidatos mal assessorados
neurolinguisticamente, que falam conforme o que está no script, cuja fisiologia
é discrepante, agressiva e sem emoção. É fato que isso provoca indignação e
desconfiança no eleitor, que a cada eleição se torna mais seletivo.
Comunicar bem e de maneira clara,
concisa e eficaz é uma habilidade dos grandes líderes, dos estadistas e das
pessoas bem sucedidas. Há estudos que mostram que no mundo corporativo, os
administradores gastam cerca de 75% do tempo em comunicação. E isso não é
diferente nos demais ambientes. O mais importante, a saber, é como as pessoas
se comunicam. Quais os resultados obtidos por elas? Uma comunicação eficaz
ocorre quando não há incoerência entre o que se diz verbalmente e o que o corpo
emite como reflexo das intenções das crenças e das emoções do emissor.
Quantas vezes o político tenta
convencer só pela retórica a quem o vê ou a quem o ouve. No entanto, o próprio emissor,
enquanto utiliza as mãos, o corpo e a expressão fisionômica, dizem exatamente o
contrário da intenção. O corpo sempre expressa a linguagem de fato, ele fala. Interessante
observar que a linguagem não verbal não é manipulada assim como podem ser as
palavras. É uma expressão do inconsciente e diz a verdade sobre o emissor em
ação. Quantas vezes você já escutou uma resposta cuja entonação e expressão do
interlocutor expressou o contrário do que você ouviu e do que ele expressou?
Até um elogio, dependendo da
forma como é feito, pode causar ressentimento ou má interpretação. Por exemplo,
é facilmente reconhecível o uso da palavra ‘querido’, quando pronunciada com
tonalidade falsa e sarcástica, embora seja uma expressão essencialmente bela. Muita
gente não percebe que o fato de não conseguir o que deseja na vida pessoal,
profissional ou afetiva, é devido à incoerência ao se comunicar com o mundo. Ao
invés de dar atenção somente ao que se diz, o comunicador deve se atentar para
o jeito como fala e se expressa. Freud elaborou uma oportuna
reflexão: A que distância você se encontra entre o que pensa, diz e age? Essa pode
ser uma maneira de aumentar a chance de ter mais coerência e evitar a
dissonância na comunicação.
Jair Donato - Jornalista em
Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário,
especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

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