INSENSIBILIDADE HUMANA
Artigo de Jair Donato
Não é de hoje que os roteiros
cinematográficos também retratam muito sobre a insensibilidade humana na
relação com a natureza. O filme “O dia em que a Terra parou”, desde a primeira
versão na década de 1950, trás uma delicada reflexão sobre a convivência do
homem neste planeta que já não é tão azul. Na última refilmagem em 2008, estrelada
pelo ator Keanu Reeves, que interpreta um personagem alienígena recém-chegado à
Terra para pedir paz, traz um aviso. Ele alerta e mostra que o planeta pode ser
destruído.
Mesmo se tratando de uma história
em película, ela pode ser útil tanto quanto uma parábola ou um conto dos tempos
do sânscrito. A mensagem do alienígena Klaatu (Reeves), que após viajar milhões
de milhas para chegar à Terra, é simples. Ele diz aos terráqueos que se
continuarem constituindo uma ameaça a outros planetas através da criação de
foguetes, todo o planeta deveria ser exterminado. Embora ame a humanidade, ele deixa claro que
o cuidado dele é com o planeta, por se tratar de ser um dos únicos que mantém
um sistema complexo que pode abrigar a vida. Portanto a humanidade está
ameaçada a perder o local em que mora caso não cuide bem dele, alerta o ser de
tão distante, que se sacrificou para assumir uma figura humana e cumprir a
missão a ele confiada.
Contudo, é de conhecimento que
embora a Terra ainda abriga um material bélico destruidor , isso não é o que
assusta tanto neste novo século, quando se pensa nas questões climáticas.
Talvez não haja armamento pior do que a poluição do ar que se respira, o
envenenamento da água, a devastação da capacidade produtiva do solo e a
exploração demasiada dos recursos naturais do planeta.
O filme mostra ainda o que é
pior, a insensibilidade humana sobre a verdadeira paz, como também em valorizar
o que há de mais importante para cada humano, a Terra. Intrigante mesmo é o
local em que a nave mor foi pousar assim que chegou à Terra. Foi no estado
americano de Washington. E lá, como esperado, a maioria não quis ouvir o
enviado de outra esfera, tampouco receber e considerar algum aviso. No ápice da
prepotência, o governo americano da época se portou como representante da Terra
e apenas fez uma grande ameaça ao visitante. Acuado, o singelo alienígena se
recolheu temporariamente nos confins da frustração.
Curioso é que os cientistas do
clima apelam para o mesmo fato. A humanidade está em perigo e o planeta se
mostra incomplacente mediante toda a destruição que o homem tem causado quanto
ao uso exacerbado dos recursos da natureza, a exploração de minerais e as
demais formas de poluição no planeta. Isso não é roteiro cinematográfico e é
grave, pois trata de um comportamento coletivo que leva a extinção. Então,
existe arma global mais poderosa?
A falta de conexão humana em face
da hiperconectividade digital que gira em favor da competição e de um deleite
mercantilista que agrega pouco valor sustentável numa sociedade que ainda não
reflete como deveria sobre a lei de causa e efeito, tem sido o empecilho
para o despertar de uma consciência mais
holística, integral e natural. Ou esperam os terráqueos que realmente sejam
ameaçados por alienígenas? Se assim for, já é tempo de convidá-los até aqui.
Fica uma sugestão para a próxima produção cinematográfica: O dia em que a
humanidade parou.
Jair Donato - Jornalista em
Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário,
especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

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