Total de visualizações de página

terça-feira, 5 de maio de 2015

INSENSIBILIDADE HUMANA
Artigo de Jair Donato

Não é de hoje que os roteiros cinematográficos também retratam muito sobre a insensibilidade humana na relação com a natureza. O filme “O dia em que a Terra parou”, desde a primeira versão na década de 1950, trás uma delicada reflexão sobre a convivência do homem neste planeta que já não é tão azul. Na última refilmagem em 2008, estrelada pelo ator Keanu Reeves, que interpreta um personagem alienígena recém-chegado à Terra para pedir paz, traz um aviso. Ele alerta e mostra que o planeta pode ser destruído.

Mesmo se tratando de uma história em película, ela pode ser útil tanto quanto uma parábola ou um conto dos tempos do sânscrito. A mensagem do alienígena Klaatu (Reeves), que após viajar milhões de milhas para chegar à Terra, é simples. Ele diz aos terráqueos que se continuarem constituindo uma ameaça a outros planetas através da criação de foguetes, todo o planeta deveria ser exterminado.  Embora ame a humanidade, ele deixa claro que o cuidado dele é com o planeta, por se tratar de ser um dos únicos que mantém um sistema complexo que pode abrigar a vida. Portanto a humanidade está ameaçada a perder o local em que mora caso não cuide bem dele, alerta o ser de tão distante, que se sacrificou para assumir uma figura humana e cumprir a missão a ele confiada.

Contudo, é de conhecimento que embora a Terra ainda abriga um material bélico destruidor , isso não é o que assusta tanto neste novo século, quando se pensa nas questões climáticas. Talvez não haja armamento pior do que a poluição do ar que se respira, o envenenamento da água, a devastação da capacidade produtiva do solo e a exploração demasiada dos recursos naturais do planeta.

O filme mostra ainda o que é pior, a insensibilidade humana sobre a verdadeira paz, como também em valorizar o que há de mais importante para cada humano, a Terra. Intrigante mesmo é o local em que a nave mor foi pousar assim que chegou à Terra. Foi no estado americano de Washington. E lá, como esperado, a maioria não quis ouvir o enviado de outra esfera, tampouco receber e considerar algum aviso. No ápice da prepotência, o governo americano da época se portou como representante da Terra e apenas fez uma grande ameaça ao visitante. Acuado, o singelo alienígena se recolheu temporariamente nos confins da frustração.

Curioso é que os cientistas do clima apelam para o mesmo fato. A humanidade está em perigo e o planeta se mostra incomplacente mediante toda a destruição que o homem tem causado quanto ao uso exacerbado dos recursos da natureza, a exploração de minerais e as demais formas de poluição no planeta. Isso não é roteiro cinematográfico e é grave, pois trata de um comportamento coletivo que leva a extinção. Então, existe arma global mais poderosa?

A falta de conexão humana em face da hiperconectividade digital que gira em favor da competição e de um deleite mercantilista que agrega pouco valor sustentável numa sociedade que ainda não reflete como deveria sobre a lei de causa e efeito, tem sido o empecilho para  o despertar de uma consciência mais holística, integral e natural. Ou esperam os terráqueos que realmente sejam ameaçados por alienígenas? Se assim for, já é tempo de convidá-los até aqui. Fica uma sugestão para a próxima produção cinematográfica: O dia em que a humanidade parou.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

Nenhum comentário: