HOMEM, MORAL E RELIGIÃO
Artigo de Jair Donato
Vejo gente preocupada demais e que investe cifras na mídia para
ostentar o rótulo religioso que defende enquanto deixa um rastro de orgulho e
vaidade por onde transita em detrimento a humildade e caridade, preceitos
básicos que se espera de qualquer derivação religiosa. Sob esse prisma efêmero,
a religião se torna insignificante e banal ao homem. Na verdade, não é que o indivíduo
precisa de religião. O que ele precisa é viver moralmente correto, tratar bem
as pessoas, conviver bem consigo, com o ambiente e com a natureza. Essa é uma
necessidade veemente do ser humano. Contudo, se através da religião ele aprende
a delinear os preceitos morais e age eticamente sem fundamentalismo, nesse caso
ela pode ser válida. Mas, os caminhos para isso são vários.
Afinal, nem todo religioso tem uma moral ilibada. Há grandes traços de
desvio de caráter dentro de uma série de movimentos religiosos. Existem muitos
personagens que usam a religião para intromissão social através de pensamentos
fundamentalistas, sectários, preconceituosos e intolerantes. São figuras
politiqueiras que manipulam a fé alheia para ser o palco dos próprios delírios e
até da ilicitude. E isso tem sido bem peculiar neste mundo de transição em que
vivemos, cheio de joios e pouco trigo.
Mas, tanto a religião como qualquer outra ideologia, seja uma
filosofia, o próprio trabalho ou um estilo de vida não dogmático pode conduzir
o homem a uma vida moralmente correta. A grande questão é a capacidade de
percepção que o indivíduo possui para tirar de eventos simples que existem ao
redor dele a compreensão sobre a importância de ser ético.
Um indivíduo que se torna altruísta, vive bem com os outros, trata bem
as pessoas sem manipular consciências e está sempre em consonância com as leis
da natureza, é muito mais bem visto moral e espiritualmente do que um religioso
que não age dessa maneira e tenta vender a ideia de que atua em nome de um ser
divino. Certa vez, ouvi de um líder que quando o homem cresce pouco moral e
espiritualmente, até mesmo a paz é uma ameaça. Isso ocorre também quando pseudo
líderes tentam imprimir a ideia de imponência no mundo religioso através de
manipulação e do radicalismo. Embora o que conseguem é apenas desprezo e
crítica pela empáfia e presunção que apresentam.
O antagonismo em relação a fé do outro em detrimento de crença ou
dogma peculiar, o a intolerância às regras e estilos sociais do mundo talvez
não sejam caminhos mais adequados para sensibilizar a sociedade para uma
mudança agregadora. Pois tudo o que foge do caminho natural, mesmo que tenha o
aspecto de bem, pode se tornar um mal. Há os que anonimamente contribuem para
um mundo melhor no silencio, sem holofotes, com espírito de sensatez e
naturalidade. Que diferença você pode destacar entre essas diferentes maneiras
de agir?
Atuar como religioso para criar plateia e causar polêmica no meio
social, como fazem algumas “estrelas cadentes” do contexto religioso
contemporâneo é tão indigno quanto alguém que entra para a política, desprovido
do interesse genuíno de servir. A ganância e o desejo de se dar bem são
idênticos, mudam-se os palcos, a postura é a mesma.
Ser educado, ético, desenvolver uma consciência altruística e visão
holística, entender quanticamente que todos são um através do respeito à individualidade
humana, essa é uma via da espiritualidade. E para viver bem consigo, com os
outros e com o meio em que vive, o indivíduo nem precisa de barganha, tampouco
alienar-se a nenhum preceito religioso que seja carregado de sectarismos.
Jair Donato - Jornalista em
Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário,
especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

Nenhum comentário:
Postar um comentário