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terça-feira, 10 de novembro de 2015

O MUNDO NÃO QUIS OUVIR
Artigo de Jair Donato

A Organização das Nações Unidas após análise dos planos para redução de gases poluentes firmados por mais de 170 países, divulgou recentemente que ainda não foi feito o que prometeram. E que o atual cenário no planeta pode mesmo levar a temperatura a chegar a 2,7º, acima da meta acordada até então. Esta situação será apresentada em dezembro, na Conferência do Clima, que ocorrerá em Paris. Mas, o que impedem as pessoas de atentarem-se aos alertas?

Enfim, há décadas que isso não é novidade. A história do homem na terra desde os primórdios saiu de uma postura de dependência e submissão, seguida por uma visão sacralizada sobre a natureza até chegar ao antropocentrismo. Foi a partir desse contexto que a exploração desenfreada cujos impactos perdurarão por milênios daqui por diante passou a perder o limite. Mais recentemente, ao longo do século XX, o relacionamento entre o homem e o planeta alcançou grande proporção de transformação, sobretudo na percepção dos transtornos ambientais que ele tem provocado.

Os sistemas ambientais de maneira global não apresentam respostas lineares. É por isso que pequenas perturbações a esmo no meio ambiente podem provocar grandes efeitos e de formas inesperadas. É isso que tem ocorrido nas últimas décadas. Nada mais pode ser entendido isoladamente, sem uma visão sistêmica. Não dá para alguém dizer que em determinado local ou o que ele faz de antagônico à natureza não seja prejudicial ao todo. Qualquer ação sem planejamento gera progressões inimagináveis numa velocidade não esperada. São efeitos que se desdobram em outros.

Pensadores antigos ainda do século XIX, como também naturalistas, filósofos, intelectuais, religiosos e artistas já retratavam sobre a importância de uma consciência ecológica devido a poluição industrial e a destruição das matas nativas, como no caso do Brasil colônia, fato que provocava indignação até nas pessoas comuns da época. E de lá para cá ao fazer um retrospecto da área ambiental, há uma enxurrada de alertas, movimentos, relatórios e gritos de socorro em prol do planeta. Mas, pouco foi feito até agora.

Mas essa era uma época em que problemas ambientais afetavam apenas os trabalhadores. Foi a partir da segunda metade do século XX que os impactos gerados no planeta começaram afetar as classes mais favorecidas que o mundo passou a dar mais atenção ao fato. Hoje, a proporção é tamanha que afeta a maneira de viver, a qualidade do ar, a temperatura e a economia em escala global. Será que será possível um despertar a tempo? Se o mundo ainda não acordou de fato, não tem sido por falta de alerta.

Desde antes da década de 1950 que vieram surgindo no mundo, especialmente no científico, movimentos, estudos com indicadores sobre a preocupação ecológica. A Carta de Atenas, de 1933, redigida por uma equipe de arquitetos, que pontuava algumas críticas pontuais sobre essa temática. Após vários outros movimentos, surgiu a criação da Organização das Nações Unidas, em 1945, que além da paz e dos direitos humanos, gradativamente foi assumindo cada vez mais a percepção sobre a preocupação com as questões ambientais. Hoje é a responsável por chamar os países para as conferências globais sobre a situação do planeta, como a que vai ocorrer em dezembro deste ano na França.

O mundo inteiro sabe sobre os marcos que foram as conferências de Estocolmo, em 1972 e tudo que ocorreu como avisos até chegar a Rio-92, no Brasil em 1992. Relatórios, estudos, aferições, dados precisos já foram apresentados sobre o caos que está nas condições climáticas da terra, especialmente nas últimas décadas. Mas, poucos líderes governantes assumiram entusiasticamente tal compromisso em nome das nações mais poluidoras do planeta. É inegável que cresceu uma consciência ambiental neste tempo, mas os impactos ambientais têm sido ainda maiores.

O ambientalista americano Al Gore diz que as pessoas se acostumaram a pensar em mudanças por um período bem curto, como uma semana, um mês, um ano, quando muito, por um século. Contudo, a maioria das pessoas não consegue enxergar esse novo padrão da nossa relação com o meio ambiente que tem sofrido exacerbada transformação. Isso ocorre porque ele é global e não estamos acostumados a uma nova visão espacial assim tão ampla. Mas, penso que é preciso que o mundo veja isso o mais rápido que puder. Já não estamos mais na era dos avisos, o mundo está em alerta. Que a humanidade possa adentrar 2016 com compromissos mais sérios sobre o meio ambiente. Isso reforçará o que for definido na Conferência do Clima, em Paris.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br  

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