O MUNDO NÃO QUIS OUVIR
Artigo
de Jair Donato
A Organização das Nações Unidas após análise dos planos para redução de
gases poluentes firmados por mais de 170 países, divulgou recentemente que ainda
não foi feito o que prometeram. E que o atual cenário no planeta pode mesmo levar
a temperatura a chegar a 2,7º, acima da meta acordada até então. Esta situação
será apresentada em dezembro, na Conferência do Clima, que ocorrerá em Paris. Mas,
o que impedem as pessoas de atentarem-se aos alertas?
Enfim, há décadas que isso não é novidade. A história do homem na
terra desde os primórdios saiu de uma postura de dependência e submissão,
seguida por uma visão sacralizada sobre a natureza até chegar ao antropocentrismo.
Foi a partir desse contexto que a exploração desenfreada cujos impactos
perdurarão por milênios daqui por diante passou a perder o limite. Mais
recentemente, ao longo do século XX, o relacionamento entre o homem e o planeta
alcançou grande proporção de transformação, sobretudo na percepção dos
transtornos ambientais que ele tem provocado.
Os sistemas ambientais de maneira global não apresentam respostas
lineares. É por isso que pequenas perturbações a esmo no meio ambiente podem
provocar grandes efeitos e de formas inesperadas. É isso que tem ocorrido nas
últimas décadas. Nada mais pode ser entendido isoladamente, sem uma visão
sistêmica. Não dá para alguém dizer que em determinado local ou o que ele faz
de antagônico à natureza não seja prejudicial ao todo. Qualquer ação sem
planejamento gera progressões inimagináveis numa velocidade não esperada. São
efeitos que se desdobram em outros.
Pensadores antigos ainda do século XIX, como também naturalistas,
filósofos, intelectuais, religiosos e artistas já retratavam sobre a
importância de uma consciência ecológica devido a poluição industrial e a
destruição das matas nativas, como no caso do Brasil colônia, fato que
provocava indignação até nas pessoas comuns da época. E de lá para cá ao fazer
um retrospecto da área ambiental, há uma enxurrada de alertas, movimentos,
relatórios e gritos de socorro em prol do planeta. Mas, pouco foi feito até agora.
Mas essa era uma época em que problemas ambientais afetavam apenas os
trabalhadores. Foi a partir da segunda metade do século XX que os impactos
gerados no planeta começaram afetar as classes mais favorecidas que o mundo
passou a dar mais atenção ao fato. Hoje, a proporção é tamanha que afeta a
maneira de viver, a qualidade do ar, a temperatura e a economia em escala
global. Será que será possível um despertar a tempo? Se o mundo ainda não
acordou de fato, não tem sido por falta de alerta.
Desde antes da década de 1950 que vieram surgindo no mundo,
especialmente no científico, movimentos, estudos com indicadores sobre a
preocupação ecológica. A Carta de Atenas, de 1933, redigida por uma equipe de
arquitetos, que pontuava algumas críticas pontuais sobre essa temática. Após
vários outros movimentos, surgiu a criação da Organização das Nações Unidas, em
1945, que além da paz e dos direitos humanos, gradativamente foi assumindo cada
vez mais a percepção sobre a preocupação com as questões ambientais. Hoje é a
responsável por chamar os países para as conferências globais sobre a situação
do planeta, como a que vai ocorrer em dezembro deste ano na França.
O mundo inteiro sabe sobre os marcos que foram as conferências de
Estocolmo, em 1972 e tudo que ocorreu como avisos até chegar a Rio-92, no
Brasil em 1992. Relatórios, estudos, aferições, dados precisos já foram
apresentados sobre o caos que está nas condições climáticas da terra,
especialmente nas últimas décadas. Mas, poucos líderes governantes assumiram entusiasticamente
tal compromisso em nome das nações mais poluidoras do planeta. É inegável que
cresceu uma consciência ambiental neste tempo, mas os impactos ambientais têm
sido ainda maiores.
O ambientalista americano Al Gore diz que as pessoas se acostumaram a
pensar em mudanças por um período bem curto, como uma semana, um mês, um ano,
quando muito, por um século. Contudo, a maioria das pessoas não consegue
enxergar esse novo padrão da nossa relação com o meio ambiente que tem sofrido
exacerbada transformação. Isso ocorre porque ele é global e não estamos
acostumados a uma nova visão espacial assim tão ampla. Mas, penso que é preciso
que o mundo veja isso o mais rápido que puder. Já não estamos mais na era dos
avisos, o mundo está em alerta. Que a humanidade possa adentrar 2016 com
compromissos mais sérios sobre o meio ambiente. Isso reforçará o que for
definido na Conferência do Clima, em Paris.
Jair
Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas,
professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de
Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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