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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

FALSOS PROFETAS
Artigo de Jair Donato*

O perigo do contexto religioso para a humanidade é grande, especificamente quando a religião se torna instrumento de dominação. Não é de hoje que o mundo está permeado de falsos profetas mascarados como “salvadores”, “missionários”, “apóstolos”, dentre uma infinidade de nomenclaturas inspiradas na vitrine de opções sectárias que existe. A finalidade?  Consiste em enganar o povo que a isso dá crédito e iludir a fé alheia. O refúgio para muita gente de moral duvidosa com traços marcantes de perversão, astúcia e manipulação está na religião, como também numa série de outras instituições, como a política, os negócios e até na família. O poder e a vaidade são elementos comuns nesse contexto.

Há uma grande massa, por outro lado, que se recusa a pensar, raciocinar ou mesmo sentir. Essa massa é formada por milhões de vítimas que são estupradas pela persuasão dos falsos líderes que descaradamente “ungem”, “desobesediam” e fingem expulsar “demônios” explorando a ignorância de quem os seguem. Enfim, sambam na cara dos pobres de consciência e carentes, logrados pela astúcia e hipocrisia desses ditos profetas.

Usar o nome de Deus, Alá ou qualquer outra divindade, assim como nome de Cristo, Maomé, Buda ou quaisquer outros encetadores religiosos dignos de admiração e que foram inspirados pelo bem, é algo que comove a maioria dos seguidores. Esse é um caminho seguro para o ataque dos falsos profetas, pois eles agem em nome dos grandes ícones da fé religiosa, algo quase que inquestionável por muitos. Afinal, quem não gostaria de ser “salvo” ou sentir-se ao lado de Jesus? Quem não quer a “salvação” do todo poderoso? Esse é o marketing de muitos lobos que se travestem de cordeiros dentro dos templos para se mascararem, enquanto na vida prática possuem uma realidade bem antagônica ao que pregam.

Dentro do próprio cristianismo está repleto de dissidências más, conduzidas por gente que prega belas palavras, mas dissonantes da própria moral. Gente que rouba tempo, dinheiro e a fé de milhões de pessoas como se fossem a cura das angústias delas. Consta que o próprio Jesus previu o surgimento dos falsos profetas, talvez ele alertou isso para que todos ficassem espertos, o que ainda não ocorreu.

Qualquer um que repensar sobre os métodos efusivos que tais espertalhões utilizam, a condição social em que vivem e o rastro de orgulho que deixam por onde passam, isentos de amor genuíno, consegue identificá-los. Sem dúvida, são astutos, atraem e retém muita gente. São brilhantes na aparência e a força do ego deles se torna o grande alicerce para que construam grandes organizações que impressionam os transeuntes.

Os falsos profetas fundam agremiações dissidentes, mas não deixam de usar o nome do mestre que pregam, por ser coletivamente conhecido. Embora, se pudessem, inventavam o próprio objeto de veneração, só que não teriam fiéis. Outro fator que motiva essa turma de pretensos líderes é o uso do comercio como consequência de um mercantilismo fraudulento, e ainda isento de impostos. Eles administram grandes pontos de venda de produtos para lesarem a fé do povo. Literalmente exploram a credulidade alheia através da lábia, da astúcia e da persuasão, e são preparados tecnicamente para isso. Não são iluminados de fato, apenas os holofotes externos projetam neles para camuflagem das próprias sombras.

Não faço defesas, pois não vejo vítimas nessa história. De um lado se posicionam os que manipulam e tira proveitos. E do outro, fica quem se permite e outorga o próprio poder e até a razão de existir aos exploradores, ao executar ritos infundados e delapidar o próprio senso moral.

Enfim, é a falta de educação moral e do respeito ao ser humano que está presente na personalidade desses falsos profetas, quando chegam aos patamares da efemeridade, triste fim. E como distinguir dentre os falsos e os religiosos sinceros? Antes de tudo, isso deve fazer parte da percepção e seleção de cada um. É preciso mais esclarecimento. Contudo, não é difícil perceber aqueles que exercem e trilham um caminho de nobreza sem preocupação com rótulos e convencimentos. Geralmente estes últimos se encontram fora dos templos estéticos, sem preocupação com fama, dízimos ou rituais. Eles amam, e isso basta.


Jair Donato* - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

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