FALSOS PROFETAS
Artigo de Jair Donato*
O perigo do contexto religioso para a humanidade é grande, especificamente
quando a religião se torna instrumento de dominação. Não é de hoje que o mundo
está permeado de falsos profetas mascarados como “salvadores”, “missionários”, “apóstolos”,
dentre uma infinidade de nomenclaturas inspiradas na vitrine de opções
sectárias que existe. A finalidade? Consiste
em enganar o povo que a isso dá crédito e iludir a fé alheia. O refúgio para
muita gente de moral duvidosa com traços marcantes de perversão, astúcia e manipulação
está na religião, como também numa série de outras instituições, como a
política, os negócios e até na família. O poder e a vaidade são elementos
comuns nesse contexto.
Há uma grande massa, por outro lado, que se recusa a pensar,
raciocinar ou mesmo sentir. Essa massa é formada por milhões de vítimas que são
estupradas pela persuasão dos falsos líderes que descaradamente “ungem”, “desobesediam”
e fingem expulsar “demônios” explorando a ignorância de quem os seguem. Enfim, sambam
na cara dos pobres de consciência e carentes, logrados pela astúcia e
hipocrisia desses ditos profetas.
Usar o nome de Deus, Alá ou qualquer outra divindade, assim como nome de
Cristo, Maomé, Buda ou quaisquer outros encetadores religiosos dignos de admiração
e que foram inspirados pelo bem, é algo que comove a maioria dos seguidores.
Esse é um caminho seguro para o ataque dos falsos profetas, pois eles agem em
nome dos grandes ícones da fé religiosa, algo quase que inquestionável por
muitos. Afinal, quem não gostaria de ser “salvo” ou sentir-se ao lado de Jesus?
Quem não quer a “salvação” do todo poderoso? Esse é o marketing de muitos lobos
que se travestem de cordeiros dentro dos templos para se mascararem, enquanto
na vida prática possuem uma realidade bem antagônica ao que pregam.
Dentro do próprio cristianismo está repleto de dissidências más,
conduzidas por gente que prega belas palavras, mas dissonantes da própria
moral. Gente que rouba tempo, dinheiro e a fé de milhões de pessoas como se
fossem a cura das angústias delas. Consta que o próprio Jesus previu o
surgimento dos falsos profetas, talvez ele alertou isso para que todos ficassem
espertos, o que ainda não ocorreu.
Qualquer um que repensar sobre os métodos efusivos que tais
espertalhões utilizam, a condição social em que vivem e o rastro de orgulho que
deixam por onde passam, isentos de amor genuíno, consegue identificá-los. Sem
dúvida, são astutos, atraem e retém muita gente. São brilhantes na aparência e
a força do ego deles se torna o grande alicerce para que construam grandes
organizações que impressionam os transeuntes.
Os falsos profetas fundam agremiações dissidentes, mas não deixam de
usar o nome do mestre que pregam, por ser coletivamente conhecido. Embora, se
pudessem, inventavam o próprio objeto de veneração, só que não teriam fiéis.
Outro fator que motiva essa turma de pretensos líderes é o uso do comercio como
consequência de um mercantilismo fraudulento, e ainda isento de impostos. Eles
administram grandes pontos de venda de produtos para lesarem a fé do povo. Literalmente
exploram a credulidade alheia através da lábia, da astúcia e da persuasão, e
são preparados tecnicamente para isso. Não são iluminados de fato, apenas os
holofotes externos projetam neles para camuflagem das próprias sombras.
Não faço defesas, pois não vejo vítimas nessa história. De um lado se
posicionam os que manipulam e tira proveitos. E do outro, fica quem se permite
e outorga o próprio poder e até a razão de existir aos exploradores, ao
executar ritos infundados e delapidar o próprio senso moral.
Enfim, é a falta de educação moral e do respeito ao ser humano que
está presente na personalidade desses falsos profetas, quando chegam aos
patamares da efemeridade, triste fim. E como distinguir dentre os falsos e os
religiosos sinceros? Antes de tudo, isso deve fazer parte da percepção e
seleção de cada um. É preciso mais esclarecimento. Contudo, não é difícil perceber
aqueles que exercem e trilham um caminho de nobreza sem preocupação com rótulos
e convencimentos. Geralmente estes últimos se encontram fora dos templos
estéticos, sem preocupação com fama, dízimos ou rituais. Eles amam, e isso
basta.
Jair
Donato* - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas,
professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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