PROTEGER A TERRA DOS DANOS DO HOMEM
Artigo de Jair Donato
Acabou a era dos avisos. A humanidade já está diante do maior alerta para a mudança do estilo de vida das pessoas antes que o planeta reaja de maneira mais agressiva expurgando ou tornando inviável a vida milhões de habitantes em vários continentes. E o motivo todo mundo já conhece, embora muitos ainda agem de maneira insensata. São as alterações climáticas, devido vultosa emissão de gases poluentes na atmosfera e exploração abusiva dos recursos naturais. Será preciso mudança de todos os lados, dos governos, do mundo corporativo e principalmente de cada cidadão consumidor, que tem o poder da escolha na hora da aquisição. Todos em potencial são poluidores.
O que se almeja é um consumo mais consciente e o uso racional dos recursos dispostos na natureza, seja água, energia, alimento e todas as variáveis que implicam no meio ambiente e na economia. Nesta primeira quinzena do último mês de 2015 será a oportunidade para a maioria dos líderes de países do mundo inteiro firmarem um acordo Conferência do Clima, que ocorrerá em Paris. Vinte e três anos após a ECO-92, no Brasil, o que se espera agora é maior responsabilidade especialmente dos países altamente poluidores. O peso da poluição na terra tem sido devastador.
Há uma observação feita pelo pai da administração moderna, Peter Druker, que chama atenção para o fato do poder destruidor da civilização humana contemporânea: "O século XX testemunhou o surgimento de uma nova e importante tarefa: proteger a natureza do ser humano". Isso é reflexivo, e necessário. Contudo, este planeta, como em todas as eras de aquecimento e arrefecimento que já houve, se refez, brotou, floriu novamente ao longo dos quase 5 bilhões de existência. A vida do homem, que há pouco existe por aqui, é que está em jogo. Cuidar do meio ambiente, portanto, é uma defesa em causa própria, é manter qualidade de vida para si e para as próprias gerações que virão. Falta mesmo é amor e gratidão na relação do homem com o meio ambiente.
O maior desafio para os negócios e para a sociedade em geral neste século é a continuidade da produção e o aumento do consumo, porém, com redução das emissões dos gases que causam o efeito estufa. E o compromisso das empresas em todo o mundo com a redução desses gases será a estratégia que garantirá uma boa imagem como alicerce da reputação no mercado. O negócio de qualquer empresa tem o foco no lucro, é assim que a economia cresce. No entanto a missão de uma organização deve ser muito mais ampla do que apenas lucrar, precisa contemplar todos os aspectos do meio em que sobrevive. Essa pode ser a melhor forma de ganho.
Fundamentalmente, este novo ciclo da história da humanidade remete o ser humano a uma consciência mais desperta para as questões ligadas à preservação e conservação dos recursos naturais. Espera-se que isso se converta em bom senso e na sensibilidade do homem frente às questões ambientais. Espera-se que empresários, administradores, gestores e líderes percebam que as ações em prol das causas ambientais são importantes por uma questão de sobrevivência não só dos negócios, mas da raça humana. Portanto, trata-se de uma tendência que o mundo precisa adotar. Sejam pessoas ou organizações do primeiro, do segundo ou do terceiro setor, todos possuem responsabilidades.
Em tempos de aceleradas alterações climáticas o maior dilema ético é sobre o que cada um pode fazer para que o planeta superaqueça menos do que o esperado. O uso e o consumo consciente, a partir de agora, deve se tornar uma cultura de âmbito global. Evitar o excesso e se tornar seletivo no uso e no consumo pode ser uma política de solução tanto coletiva quanto individual, mediante a necessidade humana de viver em harmonia cada um consigo, com os demais seres e com o meio ambiente que o circunda.
O filósofo Platão, discípulo de Sócrates, disse que tudo começa no mundo das ideias. E o pensar sustentável é o que conduz a uma atitude ambientalmente responsável, que motiva o ser humano a agir em prol da mudança e fazer diferente. Há uma expressão que diz: “Você não pode escolher como vai morrer ou quando. Você só pode decidir como vai viver agora.” Penso que cada um pode refletir melhor sobre isso e fazer do “agora” um ambiente melhor.
Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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