PULE O MURO
Artigo
de Jair Donato*
Pense agora que no mundo não exista automóvel. Então, você teve a
ideia de criar um veículo motorizado com rodas e que possa transportar pessoas
de uma localidade para outra com mais rapidez do que os cavalos e as carroças.
Mas, todos à sua volta consideraram sua ideia ridícula pelo ato de não existir
estradas no mundo para isso. E as casas não teriam como guardar essa coisa nova
que você inventou.
Afinal, todas as residências tinham um lugar predileto para guardar as
carruagens, pois essas vieram para ficar. E aí, pensou? Como você se sentiu?
Foi assim que ocorreu com o homem que se tornou o mais rico do mundo na
primeira metade do século XX, Henry Ford, um humanista que deixou mais do que
um legado no mundo dos negócios.
Há uma tendência que faz com as pessoas beirem a linha da
mediocridade. É quando elas aceitam hipnoticamente que algo ainda não realizado
não tem chances de dar certo. Certa vez, Carl Jung afirmou que todas as pessoas
nascem originais, mas que a maioria morre uma cópia. De fato, todos possuem uma
personalidade única, embora grande parte vive e morre com crenças e atitudes medíocres
que vão se replicando. O ser humano aprende e desenvolve comportamentos e
crenças dos outros que se espalham e limitam potenciais, e faz isso sem
questionar, como se fosse natural, isento de ousadia e desbravamento. Cria
barreiras ou deixa que seja imposto a ele mesmo obstáculos com a ilusão de
intransponibilidade que não o leva a lugar nenhum.
Não se torna empreendedor aquele que age dentro do quadrado com medo
de se tornar ridículo. A evolução que existe no mundo atual derivou da mente
daqueles que um dia ousaram fazer, criar e inovar de maneira diferente. Foi o
banqueiro do industrial Henry Ford quem disse a ele para desistir da ideia de
inventar o automóvel, pois aquilo não daria certo, ninguém iria se interessar pela
invenção dele. Pense se aquele visionário tivesse acreditado na mediocridade de
tal sugestão e não tivesse criado um novo paradigma no meio de transporte que
mudaria a vida das pessoas.
Tentaram impor um muro de dificuldades para que Ford não o pulasse.
Ele planejou, se organizou, idealizou o que queria, formou equipes para
concretizar o ideal que tinha de tornar o mundo o melhor, e conseguiu. Não foi
fácil a trajetória até que o primeiro modelo Ford fosse lançado no mercado. Mas,
foi a persistência e a convicção do fundador que prevaleceu.
Certa vez, Ford expressou que se você acha que pode ou se acha que não
pode, de qualquer maneira, você está certo. Com isso ele quis evidenciar, sem
julgamento, que o homem se torna o resultado daquilo em que acredita ser. Há
quem vive na certeza de que este mundo é sem possibilidades ou sem chances para
que tenha sucesso. No mesmo ambiente, há quem cria todas as possibilidades
possíveis e prova a si mesmo que é possível empreender na vida e atingir os
melhores resultados.
Tem pessoas brilhantes no
mundo das ideias que sonham com inventos formidáveis, mas se deixam levar pela
negatividade dos que se frustraram e não investem na própria capacidade de
criar e inovar. O escritor norte-americano Harold Sherman contou que certa vez
o renomado físico alemão Albert Einstein mostrou-lhe arquivos cheios de cartas,
jornais, revistas, publicações científicas e relatórios, atacando-o,
ridicularizando-o e menosprezando-o de maneira furiosa. No entanto, posteriormente, as teorias dele
forma aceitas.
Então, qual é o tamanho do seu muro? Quais crenças mais preponderam em
você, elas são suas ou são dos outros? O questionamento e a autodescoberta
podem ser os diferenciais para a superação daquilo que o limita.
Jair
Donato* - Jornalista em Cuiabá, consultor, professor universitário, especialista
em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.
E-mail: jair@domnato.com.br

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