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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

PULE O MURO
Artigo de Jair Donato*

Pense agora que no mundo não exista automóvel. Então, você teve a ideia de criar um veículo motorizado com rodas e que possa transportar pessoas de uma localidade para outra com mais rapidez do que os cavalos e as carroças. Mas, todos à sua volta consideraram sua ideia ridícula pelo ato de não existir estradas no mundo para isso. E as casas não teriam como guardar essa coisa nova que você inventou.

Afinal, todas as residências tinham um lugar predileto para guardar as carruagens, pois essas vieram para ficar. E aí, pensou? Como você se sentiu? Foi assim que ocorreu com o homem que se tornou o mais rico do mundo na primeira metade do século XX, Henry Ford, um humanista que deixou mais do que um legado no mundo dos negócios.

Há uma tendência que faz com as pessoas beirem a linha da mediocridade. É quando elas aceitam hipnoticamente que algo ainda não realizado não tem chances de dar certo. Certa vez, Carl Jung afirmou que todas as pessoas nascem originais, mas que a maioria morre uma cópia. De fato, todos possuem uma personalidade única, embora grande parte vive e morre com crenças e atitudes medíocres que vão se replicando. O ser humano aprende e desenvolve comportamentos e crenças dos outros que se espalham e limitam potenciais, e faz isso sem questionar, como se fosse natural, isento de ousadia e desbravamento. Cria barreiras ou deixa que seja imposto a ele mesmo obstáculos com a ilusão de intransponibilidade que não o leva a lugar nenhum.

Não se torna empreendedor aquele que age dentro do quadrado com medo de se tornar ridículo. A evolução que existe no mundo atual derivou da mente daqueles que um dia ousaram fazer, criar e inovar de maneira diferente. Foi o banqueiro do industrial Henry Ford quem disse a ele para desistir da ideia de inventar o automóvel, pois aquilo não daria certo, ninguém iria se interessar pela invenção dele. Pense se aquele visionário tivesse acreditado na mediocridade de tal sugestão e não tivesse criado um novo paradigma no meio de transporte que mudaria a vida das pessoas.

Tentaram impor um muro de dificuldades para que Ford não o pulasse. Ele planejou, se organizou, idealizou o que queria, formou equipes para concretizar o ideal que tinha de tornar o mundo o melhor, e conseguiu. Não foi fácil a trajetória até que o primeiro modelo Ford fosse lançado no mercado. Mas, foi a persistência e a convicção do fundador que prevaleceu.

Certa vez, Ford expressou que se você acha que pode ou se acha que não pode, de qualquer maneira, você está certo. Com isso ele quis evidenciar, sem julgamento, que o homem se torna o resultado daquilo em que acredita ser. Há quem vive na certeza de que este mundo é sem possibilidades ou sem chances para que tenha sucesso. No mesmo ambiente, há quem cria todas as possibilidades possíveis e prova a si mesmo que é possível empreender na vida e atingir os melhores resultados.

Tem pessoas brilhantes no mundo das ideias que sonham com inventos formidáveis, mas se deixam levar pela negatividade dos que se frustraram e não investem na própria capacidade de criar e inovar. O escritor norte-americano Harold Sherman contou que certa vez o renomado físico alemão Albert Einstein mostrou-lhe arquivos cheios de cartas, jornais, revistas, publicações científicas e relatórios, atacando-o, ridicularizando-o e menosprezando-o de maneira furiosa.  No entanto, posteriormente, as teorias dele forma aceitas.

Então, qual é o tamanho do seu muro? Quais crenças mais preponderam em você, elas são suas ou são dos outros? O questionamento e a autodescoberta podem ser os diferenciais para a superação daquilo que o limita.


Jair Donato* - Jornalista em Cuiabá, consultor, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

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