SORTE E PREGUIÇA
Artigo de Jair Donato*
A esperança da sorte, no sentido de aguardar que algo aconteça de
maneira inesperada, é considerada a religião dos preguiçosos. Há quem
procrastina o potencial que possui por não pensar e agir, e deixar que roteiro
dos outros o leve no decorrer da vida. Será que tem como ficar rico da noite
para o dia ou que do nada alguém bata à porta trazendo a solução para as
dificuldades do indivíduo, sem o devido esforço? Se sim, talvez não esteja
sendo contemplada nesse contexto uma relação ética com a natureza do próprio
ser.
O futurista americano Alvin Toffler expressa que na vida ou você tem
uma estratégia ou então será parte da estratégia de alguém. Em tempos de
“crise” como a que o país vive assolado nesta fase da história, sem dúvida é o
momento mais adequado para que os projetos tenham prioridade. Isso corresponde
ao significado nato da palavra sorte, que explicita a junção de perigo mais
oportunidade. Portanto, é algo que não tem haver com consequências
sobrenaturais ou do acaso. É crucial planejar o tempo e não só o dinheiro.
Planejar para a vida e não apenas um pequeno período, isso é agir
estrategicamente.
O indivíduo que não escolhe e planeja o cenário futuro que
quer, deve aceitar o resultado que vier. Afinal, mesmo que fique imóvel sem
nada planejar, isso também é uma escolha. E a responsabilidade por ela é
inevitável. O fato de lidar com as escolhas talvez seja uma das maiores causas
de sofrimento psíquico humano. Enquanto há liberdade para fazê-las, sem
escapatória existe a responsabilidade por elas, o que pode gerar angústia,
ansiedade, medo ou arrependimento, principalmente se elas não forem planejadas.
Dificilmente existe maturidade em um contexto cujas situações
ocorrem no tempo inadequado e para pessoas despreparadas. Quanta gente que
ganha dinheiro, e apenas isso, a exemplo do ganho nas loterias e perde tudo em
seguida, em pouco espaço de tempo por não saber lidar com tal situação? Quantos
desejam que algo ocorra para eles em pouco tempo, até atropelam etapas para
isso, mas logo perdem a conquista por não saber lidar com a nova realidade.
O contexto do perigo e da oportunidade, o que
etimologicamente forma a origem da palavra sorte, pode significar sucesso para
quem se esforça. Mas para o preguiçoso, isso é coisa do destino. A disciplina é
o fator que trás sorte para os que planejam e executam os roteiros que traçam
para si mesmos. Já o acaso é o que espera os procrastinadores e cheios de papos
desprovidos de ação.
O que suscita alguém a reclamar que não teve sorte ao invés de se
preparar mais para o desafio que enfrenta? A mera ação por puro mentalismo leva
muita gente a supor que isso envolve a concepção de mistério, magia ou crença
no sobrenatural. Já ouviu as expressões: “fazer o que, pois é a vida...”, “Deus
quis que fosse assim”, dentre uma série de outras desculpas.
Entendo que sorte que produz resultados não está só na crença, mas
acima de tudo está para quem faz, para quem vai e enfrenta os desafios. Enfim,
quanto mais preparado, mais sortudo. Qual é afinal, o seu índice de sorte na
vida?
Jair
Donato* - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas,
professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de
Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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