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terça-feira, 15 de março de 2016

SORTE E PREGUIÇA
Artigo de Jair Donato*

A esperança da sorte, no sentido de aguardar que algo aconteça de maneira inesperada, é considerada a religião dos preguiçosos. Há quem procrastina o potencial que possui por não pensar e agir, e deixar que roteiro dos outros o leve no decorrer da vida. Será que tem como ficar rico da noite para o dia ou que do nada alguém bata à porta trazendo a solução para as dificuldades do indivíduo, sem o devido esforço? Se sim, talvez não esteja sendo contemplada nesse contexto uma relação ética com a natureza do próprio ser.

O futurista americano Alvin Toffler expressa que na vida ou você tem uma estratégia ou então será parte da estratégia de alguém. Em tempos de “crise” como a que o país vive assolado nesta fase da história, sem dúvida é o momento mais adequado para que os projetos tenham prioridade. Isso corresponde ao significado nato da palavra sorte, que explicita a junção de perigo mais oportunidade. Portanto, é algo que não tem haver com consequências sobrenaturais ou do acaso. É crucial planejar o tempo e não só o dinheiro. Planejar para a vida e não apenas um pequeno período, isso é agir estrategicamente.

O indivíduo que não escolhe e planeja o cenário futuro que quer, deve aceitar o resultado que vier. Afinal, mesmo que fique imóvel sem nada planejar, isso também é uma escolha. E a responsabilidade por ela é inevitável. O fato de lidar com as escolhas talvez seja uma das maiores causas de sofrimento psíquico humano. Enquanto há liberdade para fazê-las, sem escapatória existe a responsabilidade por elas, o que pode gerar angústia, ansiedade, medo ou arrependimento, principalmente se elas não forem planejadas.

Dificilmente existe maturidade em um contexto cujas situações ocorrem no tempo inadequado e para pessoas despreparadas. Quanta gente que ganha dinheiro, e apenas isso, a exemplo do ganho nas loterias e perde tudo em seguida, em pouco espaço de tempo por não saber lidar com tal situação? Quantos desejam que algo ocorra para eles em pouco tempo, até atropelam etapas para isso, mas logo perdem a conquista por não saber lidar com a nova realidade.

O contexto do perigo e da oportunidade, o que etimologicamente forma a origem da palavra sorte, pode significar sucesso para quem se esforça. Mas para o preguiçoso, isso é coisa do destino. A disciplina é o fator que trás sorte para os que planejam e executam os roteiros que traçam para si mesmos. Já o acaso é o que espera os procrastinadores e cheios de papos desprovidos de ação.

O que suscita alguém a reclamar que não teve sorte ao invés de se preparar mais para o desafio que enfrenta? A mera ação por puro mentalismo leva muita gente a supor que isso envolve a concepção de mistério, magia ou crença no sobrenatural. Já ouviu as expressões: “fazer o que, pois é a vida...”, “Deus quis que fosse assim”, dentre uma série de outras desculpas.

Entendo que sorte que produz resultados não está só na crença, mas acima de tudo está para quem faz, para quem vai e enfrenta os desafios. Enfim, quanto mais preparado, mais sortudo. Qual é afinal, o seu índice de sorte na vida?


Jair Donato* - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

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