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terça-feira, 3 de maio de 2016

CÉU OU INFERNO?
Artigo de Jair Donato*

Em que estado mental você vive? Há quem trata o título deste artigo sob a ótica subjetiva das proporções bíblicas de que há um lugar tenebroso, quente e composto por gente má, denominado inferno, aonde a maioria não deseja ir. Enquanto existe outro ambiente, este paradisíaco, aonde reina somente o bem, cheio de benesses e para onde muitos anseiam para estarem lá, e até presunçosamente acham que vão após a morte.

Mas, numa perspectiva de objetividade, vamos tratar destes dois ambientes por aqui mesmo. Ou será que tenha que morrer para conhecer esses lugares multifacetados? Talvez, depende da morte a que cada um se propuser. É possível perceber que céu ou inferno são lugares que existem sim, e são espaços que estão dentro de cada indivíduo. Seja a plenitude do céu ou a amargura do inferno, são ambientes inerentes à existência de cada ser humano, que cedo ou tarde, ele acaba tendo que se haver com isso. Há quem enfrenta, há quem foge, mas esses dois estados são inegáveis dentro de cada um. Eles independem do ambiente geográfico.

Há um conto antigo que retrata a chegada de um homem ao céu após a morte dele na terra, lugar em que fora muito rico. Ele foi recebido por um guardião que logo lhe apresentou casas e as diversas moradias existentes naquele lugar. Avistaram casas lindas com jardins espetaculosos. Diante de uma das casas formosas, o recém-chegado perguntou: Quem mora ai? Ao que o anjo respondeu: É o Antônio, que foi seu motorista e morreu no ano passado. O homem ficou contente ao pensar que se o Antônio tinha uma casa daquelas, aquele lugar realmente seria espetacular para viver. Em seguida apareceu outra casa ainda mais bonita e o homem inquiriu: E aqui, quem mora? Logo, o anjo disse que aquela era a casa da Joana, aquela senhora que foi a cozinheira dele.

O homem passou a imaginar como seria então a morada dele, no mínimo um palácio, já que os empregados tinham aquelas residências magníficas. Foi nesse momento que o anjo parou diante de um casebre construído com tábuas e disse a ele: Esta é a sua casa! O novo morador ficou indignado com o que viu lamentando o engano do guardião, dirigiu-se a ele: Como é possível? Vocês sabem construir coisa bem melhor do que isso. O anjo disse: Sim, sabemos. Mas, nós construímos apenas o prédio. O material são vocês mesmos que selecionam e enviam para cá. Isso é o que você enviou. Então, aquele homem não teve outra saída, nem outra casa conforme ele achava que merecia.

Essa analogia é uma reflexão que se trata das atitudes que cada um permeia no decorrer da vida, estando ora no céu, ora no inferno. E não será preciso a morte para a compreensão disso. O melhor talvez seja cuidar da base da morada de si mesmo, e da solidez do material para construção da própria existência. Um pequeno gesto de gentileza pode ser o acabamento que dará o brilho a sua moradia. O altruísmo poderá ser a beleza do jardim dessa edificação. Ou poderá fazer tudo ao contrário, escolher uma tapera, sem teto, flores, perfume, limpeza ou sem luz. A vida é feita de escolhas, e escolher o céu ou o inferno não depende dos anjos, somente de cada indivíduo. Tudo se decide por aqui mesmo. Então, como tem sido a escolha do seu material?


Jair Donato* - Jornalista em Cuiabá, professor universitário, palestrante, consultor e  especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

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