CÉU OU INFERNO?
Artigo de Jair Donato*
Em que estado mental você vive? Há quem trata o título deste artigo
sob a ótica subjetiva das proporções bíblicas de que há um lugar tenebroso,
quente e composto por gente má, denominado inferno, aonde a maioria não deseja
ir. Enquanto existe outro ambiente, este paradisíaco, aonde reina somente o
bem, cheio de benesses e para onde muitos anseiam para estarem lá, e até presunçosamente
acham que vão após a morte.
Mas, numa perspectiva de objetividade, vamos tratar destes dois
ambientes por aqui mesmo. Ou será que tenha que morrer para conhecer esses
lugares multifacetados? Talvez, depende da morte a que cada um se propuser. É
possível perceber que céu ou inferno são lugares que existem sim, e são espaços
que estão dentro de cada indivíduo. Seja a plenitude do céu ou a amargura do
inferno, são ambientes inerentes à existência de cada ser humano, que cedo ou
tarde, ele acaba tendo que se haver com isso. Há quem enfrenta, há quem foge,
mas esses dois estados são inegáveis dentro de cada um. Eles independem do
ambiente geográfico.
Há um conto antigo que retrata a chegada de um homem ao céu após a morte
dele na terra, lugar em que fora muito rico. Ele foi recebido por um guardião
que logo lhe apresentou casas e as diversas moradias existentes naquele lugar.
Avistaram casas lindas com jardins espetaculosos. Diante de uma das casas
formosas, o recém-chegado perguntou: Quem mora ai? Ao que o anjo respondeu: É o
Antônio, que foi seu motorista e morreu no ano passado. O homem ficou contente
ao pensar que se o Antônio tinha uma casa daquelas, aquele lugar realmente
seria espetacular para viver. Em seguida apareceu outra casa ainda mais bonita
e o homem inquiriu: E aqui, quem mora? Logo, o anjo disse que aquela era a casa
da Joana, aquela senhora que foi a cozinheira dele.
O homem passou a imaginar como seria então a morada dele, no mínimo um
palácio, já que os empregados tinham aquelas residências magníficas. Foi nesse
momento que o anjo parou diante de um casebre construído com tábuas e disse a
ele: Esta é a sua casa! O novo morador ficou indignado com o que viu lamentando
o engano do guardião, dirigiu-se a ele: Como é possível? Vocês sabem construir
coisa bem melhor do que isso. O anjo disse: Sim, sabemos. Mas, nós construímos
apenas o prédio. O material são vocês mesmos que selecionam e enviam para cá.
Isso é o que você enviou. Então, aquele homem não teve outra saída, nem outra
casa conforme ele achava que merecia.
Essa analogia é uma reflexão que se trata das atitudes que cada um
permeia no decorrer da vida, estando ora no céu, ora no inferno. E não será
preciso a morte para a compreensão disso. O melhor talvez seja cuidar da base
da morada de si mesmo, e da solidez do material para construção da própria
existência. Um pequeno gesto de gentileza pode ser o acabamento que dará o
brilho a sua moradia. O altruísmo poderá ser a beleza do jardim dessa
edificação. Ou poderá fazer tudo ao contrário, escolher uma tapera, sem teto,
flores, perfume, limpeza ou sem luz. A vida é feita de escolhas, e escolher o
céu ou o inferno não depende dos anjos, somente de cada indivíduo. Tudo se
decide por aqui mesmo. Então, como tem sido a escolha do seu material?
Jair
Donato* - Jornalista em Cuiabá, professor universitário, palestrante, consultor
e especialista em Gestão de Pessoas e
Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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