VOCÊ CORRE EM QUE SENTIDO?
Artigo de Jair Donato*
Seus movimentos são mais de enfrentamento ou de fuga? Correr pode ter
diferentes sentidos. Pode fazê-lo avançar, enfrentar ou simplesmente fugir,
malograr-se. O que você faz quando está na iminência de uma dificuldade
inesperada na sua vida? Acha que pode ter melhor ganho mantendo postura que
sempre teve? Essa é uma reflexão que faz diferença na vida do ser humano.
Como você espera que possa agir um antílope que esteja pastando num
descampado, e subitamente ouve o rugido de um leão? Imagine se você fosse um,
como reagiria? Talvez fugir para bem longe e do lado contrário ao rugido
poderia uma boa saída. Só que não. O escritor Emmett Murphy descreve o que
ocorre com o animal quando ele deixa de enfrentar e foge por instinto para o outro
lado de onde surgiu o som estridente do leão. Essa é a hora em que ele cai na
boca das leoas. É isso mesmo.
Fugir da ameaça estratégica feita pelo leão é ir para a trilha da
morte. Pois é dessa maneira que ele espera que a presa caia na armadilha. O
macho do bando faz isso com o apoio das leoas que ficam na rota de fuga do antílope.
Elas atacam e todos se beneficiam tendo a frágil presa como alimento.
Analogamente, o indivíduo também faz escolhas, para saídas seguras ou para
armadilhas ocultas.
Agora perceba em que direção está o êxito dos seus projetos ou mesmo
sua sobrevivência. Qual é o seu movimento cada vez que você se sente ameaçado
pelas circunstâncias? Seja no trabalho, nos relacionamentos e na vida pessoal,
essa é uma reflexão que merece atenção.
Os conflitos que surgem no decorrer da existência humana podem ser comparados
ao rugido leonino. Você os enfrenta e faz deles elementos de cunho pedagógico
ou se esquiva e foge transferindo seu poder a outrem? Essa é uma questão que
pode desencadear-se em inquietações tais como angústia ou mal-estar. Quando os
conflitos são vistos através do medo e da ausência de coragem para serem
enfrentados e geridos, a probabilidade do indivíduo cair na tocaia do destino se
torna maior.
Quantas pessoas ouvem o rugido e se enchem de medo, com isso perdem excelentes
oportunidades na vida. E por essa razão podem ter uma existência de reprovação,
angústia, frustração e arrependimento. Elas podem pensar tardiamente, talvez,
que se tivessem ousado mais e enfrentado com garra as adversidades surgidas,
teriam vencido antes. Teriam mais orgulho de si mesmas. O rugir do leão não é a
ameaça maior. O mesmo ocorre com as adversidades que surgem, o perigo não está
nelas. A armadilha está no medo que paralisa o indivíduo, e até mata. A fuga
provocada pelo medo é a tocaia para a perda da confiança em si mesmo.
Há rugidos que podem parecer veementes ameaças à própria vida do homem.
Contudo, se enfrentados apropriadamente, podem se tornar vivências importantes
para o autodesenvolvimento. E ameaças são eventos que surgem de todos os lados
e a todo o momento. Não há lugar seguro se não houver percepção sobre o rumo
daquilo que aparece ou ruge ao seu redor. A melhor maneira de correr em
momentos de crise na vida pode ser para o enfrentamento. A fuga, seja lenta ou
rápida, talvez não seja a melhor escolha. Fugir é da imobilidade, da inércia,
da falta de coragem de tomar decisões e avançar rumo ao rugido dos novos
desafios é dar ânimo à própria vida, é manter-se vivo e pleno.
Jair
Donato* - Jornalista em Cuiabá, professor universitário, palestrante, consultor
e especialista em Gestão de Pessoas e
Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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