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quinta-feira, 1 de novembro de 2007

POR QUE O SER HUMANO RESISTE À MUDANÇA?


Artigo de Jair Donato

Tenho um sonho, almejo fazer parte de uma sociedade ambientalmente responsável. E me dedico a isso voluntariamente. Ao longo de 2007, realizei dezenas de conferências sobre aquecimento global. Visito empresas, instituições de ensino, órgãos do governo e demais organizações. Já estive com mais de 3000 pessoas diretamente. A mídia também tem sido parceira nessa causa, contribuindo com espaços para disseminação de informações à sociedade, sobre as ações individuais que cada um pode fazer. Sei que posso e devo fazer muito mais. Contudo, esse é um trabalho que precisa ser da maioria.

Centenas de sugestões foram colhidas nessas atividades, sobre ações mínimas para conter a larga emissão de gases poluentes que são lançados na atmosfera. Tenho divulgado parte delas nesta série de artigos que escrevo sobre mudanças climáticas e os principais impactos. É necessária uma profunda reflexão sobre a mudança do estilo comportamental do homem, frente a atual situação que o mundo atravessa.

É importante que a população tenha consciência sobre o que cada um tem de responsabilidade no contexto ambiental. Estamos diante de uma necessidade que possivelmente nossos avós não viam como ‘causa urgente’, embora o aumento da temperatura da Terra seja um problema há décadas. Mas, não despertava interesse das pessoas.

Talvez, seja por isso que ainda é comum perceber um alto grau de resistência por parte dos adultos, quando se trata do consumo racional e da não poluição do meio ambiente. Além dos profissionais ambientalistas, as crianças, são notáveis exemplos sobre educação ambiental. São verdadeiros mestres para muitos pais e avós, que ainda pensam que ações como conservar e preservar sejam brincadeiras infantis.

Muita gente ainda prefere ‘deixar como está para ver como que fica’. Peter Drucker, pai da administração moderna, disse que “As pessoas não resistem às mudanças. Elas resistem a serem mudadas”. Ao conversar com universitários, durante as apresentações, ouvi vários dizerem que se sentem amigos do meio ambiente, procuram não poluir e que sabem do impacto ambiental provocado pela destruição dos recursos naturais. Mas, que os pais deles, alguns poluidores em potencial da natureza, sequer permitem comentar sobre aquecimento global dentro de casa.

Minha percepção é que em diversos segmentos, ainda se dá pouca atenção ao assunto, existe um compromisso mínimo. Há um interesse falso, mesmo diante das catástrofes que ocorrem no mundo, conseqüentes do aquecimento da Terra. Às vezes reflito sobre o quanto a humanidade vive em um processo de autopunição, decorrente dos próprios atos, como se fosse um meio reparador. Mas, talvez a psicanálise explique melhor essa questão.

O ser humano possui tendência a viver no estágio da ‘negação’, acerca de fatos óbvios, como o aumento da temperatura da terra, em função das queimadas, desmatamentos desenfreados e o uso demasiado de energia e combustível fóssil, dentre tantas outras ações poluidoras. O gelo do mundo está derretendo e o nível dos oceanos está subindo. O clima está sendo alterado. Mas, para muitos, nem parece que isso esteja acontecendo. Daí, no fim da etapa, surge o segundo estágio, o do ‘desespero’.

Quando o ladrão rouba uma casa, por exemplo, surgem traumas e preocupação. Então, todas as formas de prevenção são instaladas. No entanto, em relação ao planeta, ainda não fabricaram outro semelhante para ser substituído à medida que este estiver sendo invadido pela fúria da natureza, que é implacável.

Vejo que cada pessoa compreende a questão ambiental de forma diferente. Trabalhar por essa causa é uma defesa que precisa estar na alma, tem que fazer parte de um ideal de vida e missão pessoal. Caso contrário gera frustração. Pois nem sempre a expectativa de quem defende essa causa, é a mesma de uma maioria egoísta, interesseira e destruidora. Acredito que cada um deve fazer a parte que estiver próxima a si. O mundo pode se tornar bem melhor a partir da consciência individual, em prol do todo.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach - e professor universitário - especialista em Gestão Estratégica de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

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