
Artigo de Jair Donato
Entrou em vigor nesta semana uma instrução normativa publicada pelo governo federal que regulamenta a suspensão das atividades nas propriedades com problemas ambientais visando conter a destruição na Amazônia. Serão embargadas as áreas dos produtores rurais que desmatarem na região. Mato Grosso é considerado pelo Ministério do Meio Ambiente o Estado que ainda mais desmata. Dos 36 municípios com restrições para atividades ambientais, conforme o decreto 6.321 publicado neste ano, 19 deles são mato-grossenses. Do outro lado, os agricultores dizem que estão sendo massacrados pelo governo.
Contudo, é absurda a atitude do ser humano, ainda desprovido de princípios, valores morais e éticos que se dá de maneira irresponsável tanto na esfera social, na economia, no trabalho, na política e também na relação com o meio ambiente. Recentes publicações mostram uma realidade sórdida entre o Amazonas e o Pará. Trata-se do golpe que já é aplicado há algum tempo para esquentar a madeira retirada ilegalmente da Amazônia, através de fraudes feitas com os Planos de Manejo Florestal Sustentável
O que foi criado como alternativa sustentável de renda para pequenos proprietários de terra vira alvo de gente desonesta que ameaça os que trabalham para manter o que ainda existe de saudável para o bem comum. A questão a ser considerada é que a verdadeira solução dessa questão depende de cada um. As leis e a fiscalização fazem parte, mas se tornam ineficientes à medida que o desejo de burlar, o instinto de destruir e o delírio pela riqueza emergente surgem da falta de ética e do pensamento em longo prazo.
A atitude de destruição é pior do que a mata devastada, o cerrado alterado e a falta de água. Essa é a mudança que nenhuma lei parecerá eficaz enquanto cada um não repensar e optar pela não continuidade do vandalismo ambiental. É incrível, mas todos os dias surgem notícias de gente exploradora, no meio dos bons. E eles continuam até que ações mais enérgicas sejam aplicadas, que a princípio, pode prejudicar os que não devem, mas no contexto geral se torna um bem.
O desmate em diferentes áreas continua, a poluição também, a extração de madeira ilegal é uma atividade do dia-a-dia, a exemplo do que acontece na Amazônia. Enquanto isso o governo e os órgãos fiscalizadores não se entendem com os números da destruição, por outro lado, donos de grandes áreas tentam se eximir de responsabilidades ambientais. E parte destes últimos se porta como crianças quando se melam com guloseimas e fingem que nada comeram, embora fiquem com os cantos da boca melados à vista.
Muita gente ainda se importa com a natureza por força da lei ou por imposição fiscalizadora, e não por consciência. Várias ações ditas em prol do cuidado com o meio ambiente são superficiais. Quando a maioria se pautar pelos princípios de uma vida coletiva saudável, nem serão necessárias tantas leis e fiscalizações. Mas, por enquanto esse é o paliativo para os inconvenientes.
Será muito bom quando a mudança for por plena consciência. Pois todos terão que mudar para sempre a maneira de queimar, desde o lixo no quintal aos enormes parques produtivos, assim como o desmate, a exploração dos recursos naturais, o consumo de alimentos, a utilização da água e os demais bens finitos da natureza.
E sabe onde está o poder para esse basta? Está em cada cidadão no ato de compra no supermercado, na roupa que se veste, na alimentação que é colocada à mesa, enfim, nas opções de consumo em todas as classes sociais. Está também no cuidado do meio ambiente à volta de cada um, na preservação e na conservação dos recursos naturais.
O mundo precisa de consciência e mentalidades geradoras de benefícios coletivos. Já existem bons exemplos espalhados por aí. Mas falo de uma mudança comportamental que marcará este século e que vai nortear os limites do terceiro milênio. A saída mais provável é a mudança de atitude.
Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com
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