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quarta-feira, 19 de março de 2008

ESTRATÉGIA AMBIENTAL NAS EMPRESAS


Artigo de Jair Donato

Investir em soluções ambientais não é um delírio da mente de ambientalistas, como muitos homens de negócios pensavam até pouco tempo e agora são obrigados a rever os próprios conceitos. As empresas inteligentes sabem que precisam de uma nova postura, ante as mudanças climáticas. E também não é estratégico adotar programas ambientais apenas como ações marketeiras. Não há mais espaço para a maquiagem corporativa quando o assunto é o cuidado com o meio ambiente.

Os investimentos que as organizações estão fazendo em várias partes do mundo são decisões que fazem parte do negócio delas como forma de sobrevivência num mercado cada dia mais exigente e consciente. Quem for maleável que se adapte. Já é perceptível uma mudança, embora pequena, no comportamento do consumidor, que começa na hora de retirar um produto da gôndola do supermercado. Essa é a tendência e quem insistir em dispor produtos ou serviços à custa de danos ambientais, sem repor, que se cuide.

Os fenômenos provocados pelas alterações climáticas evidenciam a necessidade de ações efetivas por parte de quem produz, fabrica, faz intermediações e consome. Novas alternativas de negócios para redução da emissão de gases poluentes estão levando investidores a repensarem o desenvolvimento econômico mundial. A captura e armazenamento do carbono, o aumento da produção de alimentos e a busca da energia limpa como alternativa, que são necessidades para sobrevivência, tem sido atrações no mundo dos negócios.

O aumento da potencialidade dos recursos naturais e a diminuição do desperdício são desafios para empresas e governos neste final da primeira década do Século XXI. O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu um alerta, em 2007, para empresas e governos do mundo inteiro quando declarou: “Qualquer país ou empresa que continue a prejudicar o meio ambiente com a produção de gases de efeito estufa será condenado pela história”.

No fim da primeira quinzena de março, ocorreu na capital paulista o 3º Encontro Latino Americano e Caribenho da Rede de Governos Regionais para o Desenvolvimento Sustentável, evento que reuniu palestrantes de vários países para debate de estratégias e das dificuldades que as nações têm pela frente para combater as mudanças climáticas. Uma das discussões foi sobre o modelo atual de desenvolvimento dos países é fortemente baseado no lucro excessivo e no alto consumismo, sem margens consistentes à sustentabilidade.

Na ocasião, o secretário de meio ambiente do estado de São Paulo, Francisco Graziano, que implementou o projeto "SP amigo da Amazônia", anunciou que a partir de 2009 as empresas poderão ter certificação estadual e receberem um ‘selo verde’. E as empresas públicas só comprarão de quem possuir esse selo. São Paulo é um grande consumidor da madeira amazônica e essa é uma forma de combater o desmatamento ilegal, segundo Graziano.

Recentemente, parlamentares britânicos elaboraram uma proposta de lei visando responsabilizar criminalmente as empresas que comprarem ou comercializarem produtos oriundos do desmatamento ilegal em qualquer país, até mesmo do próprio Reino Unido. Lá, em vez de criar selos, a proposta pretende dificultar a permanência da empresa que não checar de onde vêm os produtos que compram. Caso uma empresa cometa tal ato uma única vez, já será o suficiente para a própria derrocada, a começar pela prisão dos donos.

É crucial que as empresas invistam na implementação de modelos ambientalmente responsáveis para se tornarem competitivas e se manterem eticamente produtivas num mercado, que em tempos de globalização, não tem fronteiras. Vários países mostram que é possível combater o aquecimento global sem desacelerar a economia, a exemplo da Alemanha, maior parque eólico do mundo.

A opção pelas ‘ações verdes’ é a onda que veio para ficar no mundo dos negócios. E a única estratégia capaz de equilibrar as necessidades da produção, do consumo atual e da qualidade de vida no planeta é a sustentabilidade. É a maneira de manter a capacidade de sobrevivência do homem na Terra.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

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