
Artigo de Jair Donato
Questões ligadas ao meio ambiente, a sustentabilidade e a utilização dos recursos naturais envolvem a sociedade num contexto tão complexo que vai além dos limites políticos, científicos ou tecnológicos. Envolve principalmente os aspectos intangíveis da consciência e da cultura. Desse ponto de vista, a religião também, por envolver tais aspectos intangíveis, pode contribuir com valiosas reflexões para melhor compreensão e mudança sobre as questões climáticas.
No entanto, será que através da religião a raça humana poderá ser “salva” das intempéries climáticas? Será que existe uma tradição religiosa, uma perspectiva filosófica ou política que tenha uma solução ideal para as questões ambientais? Dada a complexidade que é esse assunto, seria pretensioso afirmar que um único segmento poderia oferecer respostas prontas, no que se refere às mudanças climáticas, o maior desafio global da humanidade atualmente. Há séculos que as principais religiões do mundo prezam os aspectos da natureza, algumas incisivamente mantêm preceitos a respeito do cuidado com os recursos naturais nos próprios ensinamentos, então fica a pergunta: Por que elas não conseguiram atingir esse objetivo? Por que falharam nesse processo e o mundo chega a um caos no clima?
Uma concepção adequada aos tempos de hoje é são as pessoas que possuem nas mãos a chave para a solução das questões climáticas. E nessa etapa, a religião, independente do credo e para quem achar adequado praticá-la, poderá ajudar no processo de sensibilização, como educação mental e espiritual. Portanto, ela tem fundamento e importância no que tange aos acontecimentos na Terra, mas a responsabilidade é geral, de todos os segmentos, e isso parte de cada indivíduo. Afinal, consciência não possui rótulo nem dogma religioso.
Através da religião muitos seguidores ressignificam o estilo de vida que possui. Porém, se o ensinamento religioso, seja qual for, for mal interpretado, poderá levar ao “fundamentalismo” e perturbar a paz. A adequação à contemporaneidade é um dos fatores primordiais para que uma religião continue “viva”, sem se prender apenas aos aspectos históricos de outrora ou a ritos tradicionais, sem conexão com o mundo presente.
Certamente, a missão atual da religião não será apenas a de manter ritos e tradições seculares e pregar métodos de cura e doutrinas atemporais sem orientar a conduta dos seguidores sobre questões do cotidiano, como as mudanças climáticas. O destino das religiões que não adequarem os ensinamentos que possuem às necessidades do mundo presente, sem apego a rótulos ou a tradições antigas, deixarão de ser necessárias a humanidade. Esse é o paradigma da religião viva, que “salva no aqui e agora”.
É de uma nova consciência, comum a todas as crenças e segmentos sociais, como também no mundo dos negócios e nos governos, que os povos de todo o planeta precisam agora, pois a Terra aquece rapidamente. Até agora, foram vários os religiosos que iniciaram ou deixaram legados importantes, muitos seguidores, posteriormente, fundaram movimentos religiosos diferentes se sucedendo em dissidências, compostas de formas e ritos distintos. No entanto, cada uma delas, se vista na essência, deve possuir o mesmo objetivo, o de proporcionar a paz, o amor, conforto, seja do corpo, do espírito e do ambiente.
Há pessoas que ainda consideram as questões ambientais como um problema de ordem técnica. Essa visão, invariavelmente, pode provocar uma ruptura na relação entre o ser humano e o meio ambiente. Se a questão fosse apenas técnica, como apregoa o tecnocentrismo, não haveria necessidade de provocar mudanças na mentalidade do homem sobre o cuidado com os recursos naturais da terra. O ambiente seria então apenas um instrumento para ser utilizado pelo próprio homem sem a necessidade de preservá-lo, conservá-lo ou recuperá-lo.
Esta série composta de 07 artigos sobre religião e meio ambiente, propõe uma abordagem sobre a visão geral da natureza do ponto de vista religioso. O leitor vai conferir o tema “meio ambiente” pela ótica das principais religiões ao redor do mundo, a começar pelo hinduísmo, seguida pelo budismo, islamismo, judaísmo, cristianismo, jainismo. Por fim, a visão de um movimento religioso contemporâneo, a Seicho-No-Ie, um exemplo mundial de “religião viva” que se compromete com o meio ambiente. É importante que despidos de visões preconcebidas, se estabeleça a compreensão da “verdade comum” pregada pelos diversos tipos de religiões, do que apenas se manter preso aos aspectos que as diferenciam uma das outras. Enquanto isso não ocorrer, certamente a paz mundial não se manifestará, tampouco cessará o sentimento de autopunição do ser humano que o faz destruir a si próprio como a casa em que mora, o planeta Terra.
Cabe esclarecer que os pontos que serão destacados nesta série, sob a ótica ambiental em cada uma das principais religiões, tem o objetivo de proporcionar ao leitor uma reflexão ética e moral sobre o estilo de vida do ser humano no planeta, sem pretensão de fazer defesas peculiares sobre esta ou aquela doutrina, nem mesmo abordar dogmas ou ritos, o que compete aos próprios seguidores de cada uma delas.
Como é que a essência de cada uma das religiões existentes, um número bem maior do que o exposto nesta série, poderá contribuir para o repensar individual e coletivo com foco na mudança de atitude? O que será que pensaram os iniciadores dos movimentos religiosos existentes e o que constam nos próprios ensinamentos sobre o cuidado com o meio ambiente e os recursos naturais? Como resolver as questões das alterações climáticas através dos ensinamentos pregados pelos líderes e estudiosos das principais religiões da face da Terra? Será mesmo que os seguidores atuais estão em consonância com o objetivo inicial de cada religião proposta, frente ao desafio das alterações do clima?
Definitivamente, só cuidar da alma para a “pós-morte” não parece algo coerente neste século, época em que a humanidade precisa de mais ética, moral e espiritualidade na relação e no convívio sócioambiental, aqui mesmo neste mundo. A religião tem importância na cultura de diferentes povos, mesmo num País laico como é o Brasil. Por isso espera-se que ela exerça influência positiva no comportamento dos seguidores e simpatizantes para que adotem novas posturas e estilos voltados para a preservação e a conservação dos recursos naturais.
Em 2007, ano do lançamento do quarto relatório do Painel Inter-governamental de Mudanças Climáticas (IPCC), houve um encontro de liderança da comunidade científica e de igrejas evangélicas americanas, ocasião em que cerca de 30 líderes assinaram um acordo e o encaminharam ao governo dos EUA e a líder da Câmara de Representantes, também a outros responsáveis políticos e de associações científicas e religiosas. O documento sugeriu o seguinte: "Os responsáveis de todos os setores de atividades do nosso país - religioso, científico, econômico, político e educativo - devem trabalhar juntos sem demora para mudar fundamentalmente os valores, o estilo de vida e as políticas para responder ao agravamento dos problemas ambientais antes que seja tarde demais". É o início de uma nova consciência.
No ano de 1836, o ensaísta Emerson, considerado o pai da psicologia americana, assim expressou na obra intitulada “Natureza”: “Todo o processo da natureza é uma tradução de um texto que revela a moral. Os princípios da moral estão no centro da natureza e são eles que emitem a luz ao seu redor. Que é uma propriedade rural senão um evangelho do silêncio? A palha e o trigo, a erva daninha e a vegetação, a praga, a chuva, o inseto, o Sol – são todos emblemas sagrados de todo ano, desde o preparo da terra para as plantações até o recolher”.
Sem dúvida, o pensamento religioso tem importância secular na cultura dos povos do mundo inteiro. Assim como se aplicam na atualidade vários preceitos religiosos no mundo dos negócios, nos relacionamentos e na administração, convém que seja possível também tirar o máximo desses ensinamentos propostos para que o homem adquira mais consciência na relação com o meio ambiente natural. Essa pode ser uma “salvação” coerente do “aqui e agora”.
Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br
No entanto, será que através da religião a raça humana poderá ser “salva” das intempéries climáticas? Será que existe uma tradição religiosa, uma perspectiva filosófica ou política que tenha uma solução ideal para as questões ambientais? Dada a complexidade que é esse assunto, seria pretensioso afirmar que um único segmento poderia oferecer respostas prontas, no que se refere às mudanças climáticas, o maior desafio global da humanidade atualmente. Há séculos que as principais religiões do mundo prezam os aspectos da natureza, algumas incisivamente mantêm preceitos a respeito do cuidado com os recursos naturais nos próprios ensinamentos, então fica a pergunta: Por que elas não conseguiram atingir esse objetivo? Por que falharam nesse processo e o mundo chega a um caos no clima?
Uma concepção adequada aos tempos de hoje é são as pessoas que possuem nas mãos a chave para a solução das questões climáticas. E nessa etapa, a religião, independente do credo e para quem achar adequado praticá-la, poderá ajudar no processo de sensibilização, como educação mental e espiritual. Portanto, ela tem fundamento e importância no que tange aos acontecimentos na Terra, mas a responsabilidade é geral, de todos os segmentos, e isso parte de cada indivíduo. Afinal, consciência não possui rótulo nem dogma religioso.
Através da religião muitos seguidores ressignificam o estilo de vida que possui. Porém, se o ensinamento religioso, seja qual for, for mal interpretado, poderá levar ao “fundamentalismo” e perturbar a paz. A adequação à contemporaneidade é um dos fatores primordiais para que uma religião continue “viva”, sem se prender apenas aos aspectos históricos de outrora ou a ritos tradicionais, sem conexão com o mundo presente.
Certamente, a missão atual da religião não será apenas a de manter ritos e tradições seculares e pregar métodos de cura e doutrinas atemporais sem orientar a conduta dos seguidores sobre questões do cotidiano, como as mudanças climáticas. O destino das religiões que não adequarem os ensinamentos que possuem às necessidades do mundo presente, sem apego a rótulos ou a tradições antigas, deixarão de ser necessárias a humanidade. Esse é o paradigma da religião viva, que “salva no aqui e agora”.
É de uma nova consciência, comum a todas as crenças e segmentos sociais, como também no mundo dos negócios e nos governos, que os povos de todo o planeta precisam agora, pois a Terra aquece rapidamente. Até agora, foram vários os religiosos que iniciaram ou deixaram legados importantes, muitos seguidores, posteriormente, fundaram movimentos religiosos diferentes se sucedendo em dissidências, compostas de formas e ritos distintos. No entanto, cada uma delas, se vista na essência, deve possuir o mesmo objetivo, o de proporcionar a paz, o amor, conforto, seja do corpo, do espírito e do ambiente.
Há pessoas que ainda consideram as questões ambientais como um problema de ordem técnica. Essa visão, invariavelmente, pode provocar uma ruptura na relação entre o ser humano e o meio ambiente. Se a questão fosse apenas técnica, como apregoa o tecnocentrismo, não haveria necessidade de provocar mudanças na mentalidade do homem sobre o cuidado com os recursos naturais da terra. O ambiente seria então apenas um instrumento para ser utilizado pelo próprio homem sem a necessidade de preservá-lo, conservá-lo ou recuperá-lo.
Esta série composta de 07 artigos sobre religião e meio ambiente, propõe uma abordagem sobre a visão geral da natureza do ponto de vista religioso. O leitor vai conferir o tema “meio ambiente” pela ótica das principais religiões ao redor do mundo, a começar pelo hinduísmo, seguida pelo budismo, islamismo, judaísmo, cristianismo, jainismo. Por fim, a visão de um movimento religioso contemporâneo, a Seicho-No-Ie, um exemplo mundial de “religião viva” que se compromete com o meio ambiente. É importante que despidos de visões preconcebidas, se estabeleça a compreensão da “verdade comum” pregada pelos diversos tipos de religiões, do que apenas se manter preso aos aspectos que as diferenciam uma das outras. Enquanto isso não ocorrer, certamente a paz mundial não se manifestará, tampouco cessará o sentimento de autopunição do ser humano que o faz destruir a si próprio como a casa em que mora, o planeta Terra.
Cabe esclarecer que os pontos que serão destacados nesta série, sob a ótica ambiental em cada uma das principais religiões, tem o objetivo de proporcionar ao leitor uma reflexão ética e moral sobre o estilo de vida do ser humano no planeta, sem pretensão de fazer defesas peculiares sobre esta ou aquela doutrina, nem mesmo abordar dogmas ou ritos, o que compete aos próprios seguidores de cada uma delas.
Como é que a essência de cada uma das religiões existentes, um número bem maior do que o exposto nesta série, poderá contribuir para o repensar individual e coletivo com foco na mudança de atitude? O que será que pensaram os iniciadores dos movimentos religiosos existentes e o que constam nos próprios ensinamentos sobre o cuidado com o meio ambiente e os recursos naturais? Como resolver as questões das alterações climáticas através dos ensinamentos pregados pelos líderes e estudiosos das principais religiões da face da Terra? Será mesmo que os seguidores atuais estão em consonância com o objetivo inicial de cada religião proposta, frente ao desafio das alterações do clima?
Definitivamente, só cuidar da alma para a “pós-morte” não parece algo coerente neste século, época em que a humanidade precisa de mais ética, moral e espiritualidade na relação e no convívio sócioambiental, aqui mesmo neste mundo. A religião tem importância na cultura de diferentes povos, mesmo num País laico como é o Brasil. Por isso espera-se que ela exerça influência positiva no comportamento dos seguidores e simpatizantes para que adotem novas posturas e estilos voltados para a preservação e a conservação dos recursos naturais.
Em 2007, ano do lançamento do quarto relatório do Painel Inter-governamental de Mudanças Climáticas (IPCC), houve um encontro de liderança da comunidade científica e de igrejas evangélicas americanas, ocasião em que cerca de 30 líderes assinaram um acordo e o encaminharam ao governo dos EUA e a líder da Câmara de Representantes, também a outros responsáveis políticos e de associações científicas e religiosas. O documento sugeriu o seguinte: "Os responsáveis de todos os setores de atividades do nosso país - religioso, científico, econômico, político e educativo - devem trabalhar juntos sem demora para mudar fundamentalmente os valores, o estilo de vida e as políticas para responder ao agravamento dos problemas ambientais antes que seja tarde demais". É o início de uma nova consciência.
No ano de 1836, o ensaísta Emerson, considerado o pai da psicologia americana, assim expressou na obra intitulada “Natureza”: “Todo o processo da natureza é uma tradução de um texto que revela a moral. Os princípios da moral estão no centro da natureza e são eles que emitem a luz ao seu redor. Que é uma propriedade rural senão um evangelho do silêncio? A palha e o trigo, a erva daninha e a vegetação, a praga, a chuva, o inseto, o Sol – são todos emblemas sagrados de todo ano, desde o preparo da terra para as plantações até o recolher”.
Sem dúvida, o pensamento religioso tem importância secular na cultura dos povos do mundo inteiro. Assim como se aplicam na atualidade vários preceitos religiosos no mundo dos negócios, nos relacionamentos e na administração, convém que seja possível também tirar o máximo desses ensinamentos propostos para que o homem adquira mais consciência na relação com o meio ambiente natural. Essa pode ser uma “salvação” coerente do “aqui e agora”.
Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br
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