CONSUMO E ATITUDE
Artigo de Jair Donato*
No final do século XIX, um dos
traços distintivos do ser humano era a capacidade de consciência e raciocínio.
Surgia ali o pressuposto que consiste no conceito de que o homem poderia ser
distinguido pela capacidade de raciocínio, de solução lógica de problemas e de
flexibilidade na busca de opções e de soluções. Atualmente, as teorias que
utilizam pressupostos racionais são amplamente aplicadas no estudo de
consumidores e nas empresas.
Foi a partir de estudos de grupos
de consumidores que surgiram várias teorias sobre o comportamento no consumo.
As teorias racionais consideram os afetos humanos secundários, os quais só
controlariam pessoas com problemas. Assim a grande massa dos consumidores teria
consciência de seu comportamento e a controlaria. Surgiu também a teoria
econômica com a visão de que o consumo é ditado por escolhas racionais sobre as
disponibilidades dos produtos e dos recursos necessários para obtê-los. Será mesmo
assim que age todo consumidor nessa era mercantilista?
Já os criadores das teorias
psicodinâmicas motivacionais, comentadas e utilizadas no marketing, fundamentam
que o comportamento pode ser entendido no jogo das emoções e dos afetos que
fluem nos sujeitos, deixando o racional em segundo plano. É infindável a
quantidade de produtos anunciados como propiciadores de satisfação dos mais
variados desejos, não objetivamente relacionados ao funcionamento ou utilidade
lógica.
Para os motivacionais, o consumismo
é largamente praticado por meros impulsos. Segundo o criador da Psicanálise,
Sigmund Freud, as pessoas não conhecem os
verdadeiros desejos, pois muitos deles não são conscientes. Assim, o
comportamento de consumo seria uma das formas de satisfação dos desejos
inconscientes. Trata-se de um jogo unilateral, de mão única. E essa
certamente é uma causa cujos efeitos poluem o planeta.
A humanidade precisa tomar
consciência de que toda a concentração gás carbônico, metano e demais gases
vilões na atmosfera se deve em grande parte ao consumo demasiado. Tudo se
inicia pela alta produção industrial que ultrapassa o senso da necessidade.
Seguido do consumo da energia fóssil que ainda existe, e a destruição do verde
em face de um crescimento desigual unilateral, assim como demais práticas do
consumismo coletivo irracional.
O homem ainda não entendeu sobre
a importância de uma convivência bilateral com o meio ambiente. Age como se não
fosse parte da natureza e a trata como elemento periférico. A mesma natureza que
se revolta e se torna agora impiedosa, pela lei da ação e reação. Afinal, se
trata da destruição de um organismo vivo, além de complexo.
A tendência mundial mostra que o
mais adequado é uma sincronia do consumo com a motivação, a necessidade, a
renda, a avaliação e o desejo. É comprar com consciência e racionalidade para
se tornar sustentável e contribuir para maior produção e uso ecologicamente
corretos. Cada um deve pensar mais sobre o meio em que vive, sobre os outros
que estão à volta de si, assim como nas próprias gerações futuras, tanto quanto
em si mesmo. O uso racional e o ressignificar desse uso podem ser a chave para o
equilíbrio da capacidade de consciência e raciocínio.
*Jair Donato - Jornalista em
Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário,
especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br
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