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terça-feira, 14 de outubro de 2014

CONSUMO E ATITUDE
Artigo de Jair Donato*

No final do século XIX, um dos traços distintivos do ser humano era a capacidade de consciência e raciocínio. Surgia ali o pressuposto que consiste no conceito de que o homem poderia ser distinguido pela capacidade de raciocínio, de solução lógica de problemas e de flexibilidade na busca de opções e de soluções. Atualmente, as teorias que utilizam pressupostos racionais são amplamente aplicadas no estudo de consumidores e nas empresas.

Foi a partir de estudos de grupos de consumidores que surgiram várias teorias sobre o comportamento no consumo. As teorias racionais consideram os afetos humanos secundários, os quais só controlariam pessoas com problemas. Assim a grande massa dos consumidores teria consciência de seu comportamento e a controlaria. Surgiu também a teoria econômica com a visão de que o consumo é ditado por escolhas racionais sobre as disponibilidades dos produtos e dos recursos necessários para obtê-los. Será mesmo assim que age todo consumidor nessa era mercantilista?

Já os criadores das teorias psicodinâmicas motivacionais, comentadas e utilizadas no marketing, fundamentam que o comportamento pode ser entendido no jogo das emoções e dos afetos que fluem nos sujeitos, deixando o racional em segundo plano. É infindável a quantidade de produtos anunciados como propiciadores de satisfação dos mais variados desejos, não objetivamente relacionados ao funcionamento ou utilidade lógica.

Para os motivacionais, o consumismo é largamente praticado por meros impulsos. Segundo o criador da Psicanálise, Sigmund Freud, as pessoas não conhecem os verdadeiros desejos, pois muitos deles não são conscientes. Assim, o comportamento de consumo seria uma das formas de satisfação dos desejos inconscientes. Trata-se de um jogo unilateral, de mão única. E essa certamente é uma causa cujos efeitos poluem o planeta.

A humanidade precisa tomar consciência de que toda a concentração gás carbônico, metano e demais gases vilões na atmosfera se deve em grande parte ao consumo demasiado. Tudo se inicia pela alta produção industrial que ultrapassa o senso da necessidade. Seguido do consumo da energia fóssil que ainda existe, e a destruição do verde em face de um crescimento desigual unilateral, assim como demais práticas do consumismo coletivo irracional.

O homem ainda não entendeu sobre a importância de uma convivência bilateral com o meio ambiente. Age como se não fosse parte da natureza e a trata como elemento periférico. A mesma natureza que se revolta e se torna agora impiedosa, pela lei da ação e reação. Afinal, se trata da destruição de um organismo vivo, além de complexo.

A tendência mundial mostra que o mais adequado é uma sincronia do consumo com a motivação, a necessidade, a renda, a avaliação e o desejo. É comprar com consciência e racionalidade para se tornar sustentável e contribuir para maior produção e uso ecologicamente corretos. Cada um deve pensar mais sobre o meio em que vive, sobre os outros que estão à volta de si, assim como nas próprias gerações futuras, tanto quanto em si mesmo. O uso racional e o ressignificar desse uso podem ser a chave para o equilíbrio da capacidade de consciência e raciocínio.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

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