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terça-feira, 21 de outubro de 2014

PRINCÍPIOS DE UMA SOCIEDADE SUSTENTÁVEL
Artigo de Jair Donato

O respeito, os cuidados com a comunidade dos seres vivos e a melhoria da qualidade de vida do ser humano são os dois preceitos iniciais, dentre os nove princípios para se tornar uma sociedade sustentável. Eles constam no relatório “Cuidando do planeta Terra”, publicado na década de 1990. O intento é que esses valores possam ser observados na produção e no consumo do século XXI. Afinal, quem está em risco é o próprio homem se ele não se cuidar.

Permanecer nos limites da capacidade de suporte da Terra é outro princípio. Cálculos mostram que mais pessoas nasceram no século XX do que em todo o resto da história da humanidade. Desde a revolução industrial, a população na Terra aumentou cerca de oito vezes. Na década de 1950, eram pouco mais de 2,5 bilhões. E, segundo a previsão da Organização das Nações Unidas, chegará o ano de 2050 com 9 bilhões de pessoas. Isso pode ser sinônimo de desequilíbrio se a forma de considerar os recursos naturais e o desenvolvimento sócio-econômico continuarem no paradigma da exploração.

Modificar atitudes e práticas pessoais é o princípio seguinte. Talvez, o mais significante, pois se trata de responsabilidade individual de cada um. Certa vez, James Lovelock, renomado cientista, um dos mais influentes do século XX, que criou a teoria de Gaia, num evento em Oxford, se levantou e repreendeu Madre Teresa por pedir à platéia que cuidasse dos pobres e "deixasse que Deus tomasse conta da Terra".

Como Lovelock explicou a ela, "se nós, as pessoas, não respeitarmos a Terra e não tomarmos conta dela, podemos ter certeza de que ela, no papel de Gaia, vai tomar conta de nós e, se necessário for, vai nos eliminar". Ele quis dizer que o homem deve cuidar da própria casa, preservar o ambiente em que vive, afinal, ele é o morador. Lovelock, pela visão espiritualista que possui, assim como desenvolveu a teoria de que a Terra é um organismo vivo, entende também de que Deus está em cada um dos homens e não como uma entidade à parte, fiscalizadora. A raça humana está em perigo real e imediato, diz Lovelock.

Dentre os demais princípios para uma sociedade sustentável estão os de minimizar o esgotamento de recursos não renováveis, permitir que as comunidades cuidem de próprio meio ambiente, gerar uma estrutura nacional para a integração de desenvolvimento e conservação. Por fim, construir uma aliança global.

O doutor em ciências ambientais, Geraldo Rohde, classifica quatro fatores que tornam a civilização contemporânea claramente insustentável em médio e em longo prazo. A começar pelo crescimento populacional acelerado, seguida pela depleção da base de recursos naturais. Acompanhados pelos sistemas produtivos que ainda utilizam tecnologias poluentes e de baixa eficácia energética. E, por fim o sistema de valores que propicia a expansão ilimitada do consumo material.

Segundo físico austríaco Fritjof Capra, a crise ecológica é uma situação complexa, multidimensional, cujas facetas afetam todos os aspectos da vida humana. Percebe-se que essa é uma questão global que envolve governantes, fabricantes, produtores, prestadores de serviços e consumidores. Depende do desempenho em rede com foco contínuo nos aspectos ambientais. Segundo a organização The Word wide fund nature, uma sociedade mundial sustentável só surgirá quando o estilo de vida do homem e a população global não excederem a capacidade de suporte da Terra. Afinal, cuidar do estilo de vida e extrapolar os limites de uma visão míope pode ser a via para tirar o ser humano da corda bamba.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

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