PRINCÍPIOS
DE UMA SOCIEDADE SUSTENTÁVEL
Artigo de Jair Donato
O respeito,
os cuidados com a comunidade dos seres vivos e a melhoria da qualidade de vida
do ser humano são os dois preceitos iniciais, dentre os nove princípios para se
tornar uma sociedade sustentável. Eles constam no relatório “Cuidando do
planeta Terra”, publicado na década de 1990. O intento é que esses valores
possam ser observados na produção e no consumo do século XXI. Afinal, quem está
em risco é o próprio homem se ele não se cuidar.
Permanecer
nos limites da capacidade de suporte da Terra é outro princípio. Cálculos
mostram que mais pessoas nasceram no século XX do que em todo o resto da
história da humanidade. Desde a revolução industrial, a população na Terra
aumentou cerca de oito vezes. Na década de 1950, eram pouco mais de 2,5 bilhões.
E, segundo a previsão da Organização das Nações Unidas, chegará o ano de 2050 com
9 bilhões de pessoas. Isso pode ser sinônimo de desequilíbrio se a forma de
considerar os recursos naturais e o desenvolvimento sócio-econômico continuarem
no paradigma da exploração.
Modificar
atitudes e práticas pessoais é o princípio seguinte. Talvez, o mais
significante, pois se trata de responsabilidade individual de cada um. Certa
vez, James Lovelock, renomado cientista, um dos mais influentes do século XX, que
criou a teoria de Gaia, num evento em Oxford, se levantou e repreendeu Madre
Teresa por pedir à platéia que cuidasse dos pobres e "deixasse que Deus
tomasse conta da Terra".
Como
Lovelock explicou a ela, "se nós, as pessoas, não respeitarmos a Terra e
não tomarmos conta dela, podemos ter certeza de que ela, no papel de Gaia, vai
tomar conta de nós e, se necessário for, vai nos eliminar". Ele quis dizer
que o homem deve cuidar da própria casa, preservar o ambiente em que vive, afinal,
ele é o morador. Lovelock, pela visão espiritualista que possui, assim como
desenvolveu a teoria de que a Terra é um organismo vivo, entende também de que
Deus está em cada um dos homens e não como uma entidade à parte, fiscalizadora.
A raça humana está em perigo real e imediato, diz Lovelock.
Dentre
os demais princípios para uma sociedade sustentável estão os de minimizar o
esgotamento de recursos não renováveis, permitir que as comunidades cuidem de
próprio meio ambiente, gerar uma estrutura nacional para a integração de
desenvolvimento e conservação. Por fim, construir uma aliança global.
O
doutor em ciências ambientais, Geraldo Rohde, classifica quatro fatores que
tornam a civilização contemporânea claramente insustentável em médio e em longo
prazo. A começar pelo crescimento populacional acelerado, seguida pela depleção
da base de recursos naturais. Acompanhados pelos sistemas produtivos que ainda utilizam
tecnologias poluentes e de baixa eficácia energética. E, por fim o sistema de
valores que propicia a expansão ilimitada do consumo material.
Segundo
físico austríaco Fritjof Capra, a crise ecológica é uma situação complexa, multidimensional,
cujas facetas afetam todos os aspectos da vida humana. Percebe-se que essa é
uma questão global que envolve governantes, fabricantes, produtores,
prestadores de serviços e consumidores. Depende do desempenho em rede com foco
contínuo nos aspectos ambientais. Segundo a organização The Word wide fund nature, uma sociedade mundial sustentável só
surgirá quando o estilo de vida do homem e a população global não excederem a
capacidade de suporte da Terra. Afinal, cuidar do estilo de vida e extrapolar
os limites de uma visão míope pode ser a via para tirar o ser humano da corda
bamba.
*Jair
Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas,
professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de
Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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