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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

SOB A REDOMA
Artigo de Jair Donato 

Como se comportaria a humanidade para garantir a sobrevivência caso fosse acometida por um colapso na terra? Continuariam pacíficos todos que fazem uso dos recursos naturais desmedidamente caso soubessem que eles seriam extintos e saqueados por outras pessoas desesperadas? Esta é uma reflexão apropriada para este novo ciclo que adentra a metade da segunda década do século XXI. Há uma série da TV americana já vista por milhões de expectadores nos últimos dois anos, reproduzida no Brasil como “O Domo”. Trata-se de uma produção baseada no romance de ficção científica “Sob a Redoma” de Stephen King. Ela apresenta uma ideia bem adaptável aos dias atuais, sobre como as pessoas se comportam quando são bruscamente isoladas a partir da sociedade que sempre fizeram parte.

É uma trama envolvente e tudo acontece quando de uma hora para outra, a pequena cidade americana denominada Chester Mill se vê isolada do resto do mundo por uma redoma transparente e todos se veem como se estivessem num aquário formado por um campo de força que não é destruído nem por míssil. A princípio, de lá ninguém sai e nem entra.  A série mostra como se torna o relacionamento das pessoas mediante a escassez dos recursos naturais, o racionamento de água, comida, perda e separação de entes queridos, além das alterações bruscas no clima.

É uma analogia cheia de mistérios que a princípio dá para ser associada à maneira como estão sendo tratados os recursos naturais do planeta, e como pode se comportar a humanidade mediante quaisquer colapsos advindo da maneira como o homem se relaciona com a redoma ambiental em que vive, que poderá massacrá-lo se ele não cuidar bem dela. Como se comportaria os humanos ou pelo menos a metade dos terráqueos mediante a falta de água, de alimentos e de energia? Pode parecer abundante tudo isso para boa a maior parte das pessoas, mas a terra é um organismo vivo, que sente, reage e vocifera. Ela pode entrar em colapso.

Na trama de King o tráfego aéreo, fluvial, terrestre e a conexão virtual, tudo se torna impossibilitado como num passe de mágica. É interessante o exercício de imaginar como os indivíduos poderiam reagir neste mundo de correria, de relacionamentos instantâneos e superficiais, se de repente por um colapso ficassem apenas sem energia elétrica e conexão wifi. Você sofreria para adaptar-se esse estilo de vida diferente? Só recentemente cientistas da NASA afirmaram que o nosso planeta esteve bem próximo de um colapso dessa natureza em 2012 e que não está descartado um evento desse porte ainda neste século.

É possível ver que as pessoas se comportem das mais diversas maneiras em situações que colocam a vida delas em risco, mostrando-se às vezes o pior que possa surgir nelas, enquanto de quem menos se espera, possa manifestar os mais nobres sentimentos e ações para melhoria da vida de todos. O ser humano é assim, um emaranhado de complexidade, que se bem orientado, poderá conduzir o destino do planeta para a  melhor saída ou para o caos. Luta e fuga são mecanismos que de acordo com os traços de personalidade de cada indivíduo e os estímulos recebidos, poderão fazer com que do caos se organize a solução para um mundo melhor. Tudo pode depender da relação estabelecida entre todos nas próximas décadas.

Adaptar-se aos novos desafios, cuidar melhor das relações, cada um com si mesmo, com os outros e com o meio ambiente em que vive, talvez seja o comportamento que livre a humanidade da redoma da falta de consciência. O maior campo de força que prende o ser humano é realmente invisível mesmo, pois estará sempre dentro de si.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

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