SOB A REDOMA
Como se comportaria a humanidade para garantir
a sobrevivência caso fosse acometida por um colapso na terra? Continuariam
pacíficos todos que fazem uso dos recursos naturais desmedidamente caso
soubessem que eles seriam extintos e saqueados por outras pessoas desesperadas?
Esta é uma reflexão apropriada para este novo ciclo que adentra a metade da
segunda década do século XXI. Há uma série da TV americana já vista por milhões
de expectadores nos últimos dois anos, reproduzida no Brasil como “O Domo”.
Trata-se de uma produção baseada no romance de ficção científica “Sob a Redoma”
de Stephen King. Ela apresenta uma ideia bem adaptável aos dias
atuais, sobre como as pessoas se comportam quando são bruscamente isoladas a
partir da sociedade que sempre fizeram parte.
É uma trama envolvente e tudo acontece quando
de uma hora para outra, a pequena cidade americana denominada Chester Mill se
vê isolada do resto do mundo por uma redoma transparente e todos se veem como
se estivessem num aquário formado por um campo de força que não é destruído nem
por míssil. A princípio, de lá ninguém sai e nem entra. A série mostra como se torna o relacionamento
das pessoas mediante a escassez dos recursos naturais, o racionamento de água,
comida, perda e separação de entes queridos, além das alterações bruscas no
clima.
É uma analogia cheia de mistérios que a
princípio dá para ser associada à maneira como estão sendo tratados os recursos
naturais do planeta, e como pode se comportar a humanidade mediante quaisquer
colapsos advindo da maneira como o homem se relaciona com a redoma ambiental em
que vive, que poderá massacrá-lo se ele não cuidar bem dela. Como se
comportaria os humanos ou pelo menos a metade dos terráqueos mediante a falta
de água, de alimentos e de energia? Pode parecer abundante tudo isso para boa a
maior parte das pessoas, mas a terra é um organismo vivo, que sente, reage e
vocifera. Ela pode entrar em colapso.
Na trama de King o tráfego aéreo, fluvial,
terrestre e a conexão virtual, tudo se torna impossibilitado como num passe de
mágica. É interessante o exercício de imaginar como os indivíduos poderiam
reagir neste mundo de correria, de relacionamentos instantâneos e superficiais,
se de repente por um colapso ficassem apenas sem energia elétrica e conexão
wifi. Você sofreria para adaptar-se esse estilo de vida diferente? Só
recentemente cientistas da NASA afirmaram que o nosso planeta esteve bem
próximo de um colapso dessa natureza em 2012 e que não está descartado um
evento desse porte ainda neste século.
É
possível ver que as pessoas se comportem das mais diversas maneiras em
situações que colocam a vida delas em risco, mostrando-se às vezes o pior que
possa surgir nelas, enquanto de quem menos se espera, possa manifestar os mais
nobres sentimentos e ações para melhoria da vida de todos. O ser humano é
assim, um emaranhado de complexidade, que se bem orientado, poderá conduzir o
destino do planeta para a melhor saída
ou para o caos. Luta e fuga são mecanismos que de acordo com os traços de
personalidade de cada indivíduo e os estímulos recebidos, poderão fazer com que
do caos se organize a solução para um mundo melhor. Tudo pode depender da
relação estabelecida entre todos nas próximas décadas.
Adaptar-se
aos novos desafios, cuidar melhor das relações, cada um com si mesmo, com os
outros e com o meio ambiente em que vive, talvez seja o comportamento que livre
a humanidade da redoma da falta de consciência. O maior campo de força que
prende o ser humano é realmente invisível mesmo, pois estará sempre dentro de
si.
Jair Donato -
Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor
universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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