PESSOAS QUE SE SABOTAM
Artigo de Jair
Donato
Em recente artigo publicado abordei sobre a
diversidade de causas que leva as pessoas a sabotarem a si mesmas. Mas
dificilmente o indivíduo faz isso como processo consciente. Através de uma
linguagem do inconsciente, podem ocorrer desde pequenos erros no cotidiano,
deslizes, constrangimentos, atos falhos, até grandes enganos que afetam áreas
importantes da vida, como relacionamentos, saúde e vida profissional. Mas,
afinal, por que o ser humano boicota a si mesmo através de hábitos rotineiros
dessa natureza? Aí está uma tamanha complexidade que envolve a natureza humana.
Há uma cena divulgada na Internet de uma dupla que
planejava entrar no Ônibus pela porta da frente com o intuito de praticar furto.
É perceptível o nervosismo de ambos assim que o ônibus chega ao ponto de parada.
Enquanto um deles resolve subir de última hora, antes de o veículo partir, o
comparsa desiste. O meliante que entra ataca de imediato uma pessoa que está à
frente tentando tomar a bolsa dela, bem ao lado do motorista. No entanto, ele
não consegue furtar os pertences devido ao nervosismo e por perceber que o
ônibus bate em retirada.
Ele que deve ter pensado em pegar a bolsa e sair do
ônibus em seguida pelo fato de ainda está na escada de entrada, deu tudo
errado. Quando percebeu arrancada do veículo tentou sair, mas não conseguiu e
ao tentar abrir a porta à força mesmo em movimento, a mão direita dele ficou
presa pela pressão do mecanismo de tranca. Foi então que o motorista ao lado
dele, sacou um tacape e começou a acoitá-lo fortemente acertando-lhe o braço
esquerdo que usou como autodefesa. Levou várias porretadas, e o motorista com a
outra mão conduziu o ônibus até um local em que a polícia veio e generosamente acolheu o indivíduo.
Pela cena é possível ver o nervosismo e o medo que
assolaram o meliante que preso à porta, apanhou e ainda foi entregue à polícia.
Será que conscientemente ele havia planejado tal fim para si mesmo? Ou foi uma
vítima, indiferente ao que atraiu para ele? Quem o colocou naquela presepada
senão algo ligado a si mesmo?
Parece haver um senso de justiça intrínseco que faz
com que o indivíduo desenvolva mecanismos que dificultem ou impeçam que algo dê
certo ao cometer atos que intimamente a pessoa sabe que não condiz com as
referências internas aprendidas como certas ou erradas. Um fato que pode ser
observável é que determinadas situações ocorrem na vida do indivíduo como uma
espécie de autoexpiação, uma maneira encontrada pela própria pessoa de se punir,
como reflexo de um desejo oculto que representa algum tipo de alívio, mesmo que
rejeite ou ache absurda tal ideia no âmbito do consciente.
Segundo o
psicanalista Luiz Fernando Garcia, autor da obra “O Inconsciente na sua vida
profissional”, muitas vezes, por mais que conscientemente o indivíduo tente
agir de outra forma, acaba seguindo um mesmo roteiro, ainda que esse roteiro
possa lhe ser reconhecidamente prejudicial, a exemplo das compulsões do ego -
comida, compras, jogo, sexo, dentre outros comportamentos. Não se pode
descartar o poder de escolha que todos possuem, mas é incrível como padrões
psíquicos e comportamentais podem ser repassados de pai para filho a ponto de
serem cultivados em uma família durante várias gerações, destaca.
O
autoconhecimento é fundamental para que o indivíduo conduza o roteiro do
próprio destino de maneira entusiasta e fique atento aos possíveis processos
de autossabotagens. Pois, inconscientemente, o ser humano pode conduzir a
própria vida para um caminho antagônico ao que deseja de modo consciente e
viver uma espécie de autopunição. É quando ele passa o tempo minando os
principais aspectos da vida que para ele representa valor, restando-lhe apenas
resultados medíocres. Conhecer melhor a si mesmo é como parar de dá tiro no próprio
pé.
Jair Donato - Jornalista em
Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário,
especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

2 comentários:
Muito reflexivo pai,
Parabéns, e manda mais artigo assim, é ótimo
Grato filho!
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