ATIVISMO DESTRÓI
Artigo
de Jair Donato
O ambiente em que permeia o
ativismo percorre muito exagero, especulação, vaidade, exibicionismo, presunção
e espetáculo. Na pura concepção do ativismo, quando as pessoas se agrupam,
mesmo que intencione buscar conquistas, melhorias de um sistema, difusão de uma
ideia ou a defesa uma ideologia, corre o risco de se alienarem no sectarismo da
própria doutrina.
Seja pela busca do direito de
minorias ou qualquer outra causa de natureza étnica, política, religiosa, sexualidade,
dentre tantas, se houver apenas empolgação ou pura rebeldia, sem que se apure um
sentido efetivo, os envolvidos correm apenas o risco de se tornarem extremistas,
ou no mínimo inconvenientes. Isso ocorre quando se perde o caminho do meio, ou
seja, o equilíbrio.
Fomentar a postura de
intolerância e sensacionalismo, embebecida pela emoção de uma coletividade
alienada só produz o caos. Pois é um ato que desconcerta o sentido bom que
poderia levar à justiça e a equidade. Ativistas, sejam religiosos, climáticos,
políticos ou até mesmo se lutam pelos direitos humanos, facilmente caem no
sensacionalismo, se tornam radicais, preponderam pouco e agem como se o mundo
girasse em torno deles.
Postura sensacionalista não
combina com seriedade, sequer agrega valor. É como o furor do encantamento da
paixão de adolescência. Passa. É comum ver entre ativistas, posturas
fundamentalistas, radicalismo, defesa de um lado só em detrimento ao resto do
mundo, uma fábrica de exibicionismo. O resto fica sem defesa e submetido a uma
visão parcial e limitada.
Dentro
de vários segmentos, uma postura ativista impede que os envolvidos vejam com
desapego e mais independência o lado do outro. Julgamento, preconceito e intolerância
surgem facilmente deste tipo de posição. Isso é sempre perigoso para o bem
comum. Seja o pobre contra o rico, o negro em detrimento ao branco, o enfrentamento
da violência em nome da paz, a defesa de uma religião, ou a exigência do
respeito pela orientação sexual.
Reivindicar, provocar alertas
ou a defesa de alguém ou algo, será sempre justo, por vivermos numa sociedade
de desigualdades. Contudo, quando procuro defender uma causa, evito o ativismo,
dessa maneira mantenho minha mente aberta para considerar outras opiniões,
outros dados que também possam ser relevantes. Isso não sucumbe minha
identidade, tampouco impede minha expressão. Dessa maneira posso certificar-me
melhor sobre qual caminho esteja trilhando, ou então se devo abandoná-lo.
Vivemos numa era veloz em que
ideias, dados e constatações são muito perecíveis, se perdem rápido. Hoje você
pode adotar um estilo à primeira vista como se fosse perene, e amanhã
abandoná-lo. Vivemos numa realidade de mudanças rápidas em que é importante ser
ágil. No entanto, que se evite comprar ideias envernizadas que se
disponibilizam por muitos segmentos. Talvez, seja essa a maneira de maior
liberdade para que todos possam se expressar cada vez mais, propor, reivindicar
e agregar valor.
Jair
Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas,
professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de
Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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