ADIEMUS
Artigo de Jair Donato*
Vamos aproximar? Gostaria de propiciar a você, caro leitor, neste
momento de efervescência que vivemos em nosso país, uma reflexão sobre este
convite, que literalmente surge do termo adiemos,
em latim. A proximidade é um fator que gera união e foca naquilo que é comum. Consta
em um dos preceitos da ONU que a paz e a guerra, ambas começam na mente. É
importante atentar-se ao conteúdo que o povo de uma nação mantem ciclicamente
no âmbito do pensamento, mesmo que ainda não se resulte em ação, desde uma
simples discussão até as decisões tomadas no âmbito da legalidade. Isso é algo
cujo início se dá antes no âmbito individual.
O que será necessário a um país para que cresça não apenas política ou
economicamente? A pauta que vigora entre os governantes é de união ou de
disputa? Prevalece o progresso ou a revolta? Além de uma política limpa,
economia crescente, o que mais deve aproximar as pessoas? Moralmente, ainda há
poucos exemplos. Há um caso recente que merece reflexão sobre o quanto
precisamos de mudança em um nível de consciência mais profundo.
A turbulência gerada pelos parlamentares no Congresso Nacional,
durante a sessão para voto do impeachment da Presidente da República,
evidenciou claramente sobre a postura e os valores dos representantes políticos
do nosso país. Os ataques à moral dos integrantes da casa, a falta de educação
dos envolvidos ao se comunicarem como gritantes eufóricos, além da ausência de
objetivo comum, podem ser vistas como indícios explícitos de pouca maturidade
por parte de quem se propõe ao serviço público. A escolha pelo sim ou pelo não
resultou em alegações das mais torpes e individualistas. Foram destoantes com a
função de cada um que é a de representar a população e trabalhar pelo bem
coletivo. Ao invés de se referirem a motivos pontuais ou a projetos, citavam
esposas, filhos, sobrinhos, tios, falecidos, menos a busca pela justiça ao
país. Não tive certeza se sabiam mesmo o porquê de estarem votando.
Enfim, esse é um evento que pode também acontecer no mundo dos
negócios ou em qualquer outro segmento, quando não há o pensamento focado na
coletividade. Será que dessa maneira, há como as pessoas se aproximarem, de fato?
Há um conjunto de pensamentos, sentimentos e emoções que atuam numa dimensão
global que pode ser denominada de mente coletiva, que de alguma maneira exerce
uma influência no ambiente em que vive o homem. Emerson, considerado pai da
psicologia norte-americana ponderou que o homem se torna o resultado daquilo
que ele pensa o dia inteiro. Imagine o que você e a mente coletiva pensa,
durante o ano e uma década inteira. A formação desse ciclo pode perdurar por
toda uma existência, ou melhor, formá-la.
Cada um se torna de fato, aquilo que se reconhece ser, pelas escolhas
que faz, pelas referências e limites a que se condiciona. Isso ocorre seja pelo
que se coloca em prática, pela cristalização de um campo de crenças, estilos e hábitos
adquiridos. Agora pense um pouco sobre sua existência aqui na Terra. O que faz
sentido e o que não faz para você? E o que você tem permitido aos outros para
que façam com você? Há um contexto que necessita de mudança no aspecto social
em que vivemos que vai além dos patamares da política e da economia. Essa é uma
questão que se amplia no campo valorativo, da moral e da ética.
Quanto a ocorrência dos fatos, quaisquer que sejam eles, não podemos
ignorá-los. Pois sempre serão propícios para reflexão e mudança. Contudo, estimo
que possamos nos envolver sempre em movimentos com o pensamento que aproxime a
todos, que as críticas sejam para evolução e que as diferenças sejam para
unicidade. Não precisamos fugir dos eventos do mundo em que vivemos, mas
podemos atuar como agentes de mudança para unir os pontos, aproximando-nos
daquilo que é benéfico para o bem comum. Seja um pensamento, uma decisão ou uma
ação, o que fazemos no dia a dia, aproxima-nos do que e de quem?
O que o mundo precisa é de maturidade, propósito firme e desenvolvimento
de consciência. Isso é mais que atuar apenas na política ou qualquer outra
inserção social que possa emergir. Aproximar-se não significa se tornar igual,
agir da mesma maneira, anular-se ou concordar por condescendência. Significa
aumentar o foco, a força e a unicidade em prol de uma causa maior. Que tal nos aproximarmos
mais? Das causas nobres, das pessoas, daquilo que faz bem. Adiemus!
Jair
Donato* - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas,
professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de
Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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