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quarta-feira, 20 de abril de 2016

ADIEMUS
Artigo de Jair Donato*

Vamos aproximar? Gostaria de propiciar a você, caro leitor, neste momento de efervescência que vivemos em nosso país, uma reflexão sobre este convite, que literalmente surge do termo adiemos, em latim. A proximidade é um fator que gera união e foca naquilo que é comum. Consta em um dos preceitos da ONU que a paz e a guerra, ambas começam na mente. É importante atentar-se ao conteúdo que o povo de uma nação mantem ciclicamente no âmbito do pensamento, mesmo que ainda não se resulte em ação, desde uma simples discussão até as decisões tomadas no âmbito da legalidade. Isso é algo cujo início se dá antes no âmbito individual.

O que será necessário a um país para que cresça não apenas política ou economicamente? A pauta que vigora entre os governantes é de união ou de disputa? Prevalece o progresso ou a revolta? Além de uma política limpa, economia crescente, o que mais deve aproximar as pessoas? Moralmente, ainda há poucos exemplos. Há um caso recente que merece reflexão sobre o quanto precisamos de mudança em um nível de consciência mais profundo.

A turbulência gerada pelos parlamentares no Congresso Nacional, durante a sessão para voto do impeachment da Presidente da República, evidenciou claramente sobre a postura e os valores dos representantes políticos do nosso país. Os ataques à moral dos integrantes da casa, a falta de educação dos envolvidos ao se comunicarem como gritantes eufóricos, além da ausência de objetivo comum, podem ser vistas como indícios explícitos de pouca maturidade por parte de quem se propõe ao serviço público. A escolha pelo sim ou pelo não resultou em alegações das mais torpes e individualistas. Foram destoantes com a função de cada um que é a de representar a população e trabalhar pelo bem coletivo. Ao invés de se referirem a motivos pontuais ou a projetos, citavam esposas, filhos, sobrinhos, tios, falecidos, menos a busca pela justiça ao país. Não tive certeza se sabiam mesmo o porquê de estarem votando.

Enfim, esse é um evento que pode também acontecer no mundo dos negócios ou em qualquer outro segmento, quando não há o pensamento focado na coletividade. Será que dessa maneira, há como as pessoas se aproximarem, de fato? Há um conjunto de pensamentos, sentimentos e emoções que atuam numa dimensão global que pode ser denominada de mente coletiva, que de alguma maneira exerce uma influência no ambiente em que vive o homem. Emerson, considerado pai da psicologia norte-americana ponderou que o homem se torna o resultado daquilo que ele pensa o dia inteiro. Imagine o que você e a mente coletiva pensa, durante o ano e uma década inteira. A formação desse ciclo pode perdurar por toda uma existência, ou melhor, formá-la.

Cada um se torna de fato, aquilo que se reconhece ser, pelas escolhas que faz, pelas referências e limites a que se condiciona. Isso ocorre seja pelo que se coloca em prática, pela cristalização de um campo de crenças, estilos e hábitos adquiridos. Agora pense um pouco sobre sua existência aqui na Terra. O que faz sentido e o que não faz para você? E o que você tem permitido aos outros para que façam com você? Há um contexto que necessita de mudança no aspecto social em que vivemos que vai além dos patamares da política e da economia. Essa é uma questão que se amplia no campo valorativo, da moral e da ética.

Quanto a ocorrência dos fatos, quaisquer que sejam eles, não podemos ignorá-los. Pois sempre serão propícios para reflexão e mudança. Contudo, estimo que possamos nos envolver sempre em movimentos com o pensamento que aproxime a todos, que as críticas sejam para evolução e que as diferenças sejam para unicidade. Não precisamos fugir dos eventos do mundo em que vivemos, mas podemos atuar como agentes de mudança para unir os pontos, aproximando-nos daquilo que é benéfico para o bem comum. Seja um pensamento, uma decisão ou uma ação, o que fazemos no dia a dia, aproxima-nos do que e de quem?

O que o mundo precisa é de maturidade, propósito firme e desenvolvimento de consciência. Isso é mais que atuar apenas na política ou qualquer outra inserção social que possa emergir. Aproximar-se não significa se tornar igual, agir da mesma maneira, anular-se ou concordar por condescendência. Significa aumentar o foco, a força e a unicidade em prol de uma causa maior. Que tal nos aproximarmos mais? Das causas nobres, das pessoas, daquilo que faz bem. Adiemus!


Jair Donato* - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

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