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quinta-feira, 7 de agosto de 2008

FENÔMENO ANTINATURAL



Artigo de Jair Donato

Nada há de errado no fato do planeta aquecer e esfriar. Isto sempre foi um ciclo natural da Terra desde há milhões de anos. Houve inclusive épocas em que ela esteve muito mais quente do que as previsões atuais indicam ao que pode chegar, até o final deste século. Esse movimento é uma transição, readaptação e continuidade das mais variadas formas de vida.

O que é estranho e assustador, para leigos e estudiosos do clima, é a forma como o planeta está esquentando, numa velocidade inimaginável até então. O que antes demorou centenas de milhares de anos, somente as últimas décadas já superou aquele período. Estamos numa era de destruição exacerbada, contínua e sem visão sustentável. Dentre tudo isso o que agrava é a causa que está nas intenções e nas ações do ser humano, que ainda produz e consome de foram irracional, em boa parte do mundo, isso é antinatural.

Vivemos numa cultura de valores invertidos sobre a vida e as diversas formas que ela possui ao se manifestar. Mostra-se uma violência na relação do homem com si mesmo. Afinal, o meio ambiente natural vai se reconstituir nos próximos milhões de anos que ainda possui, lentamente, sem demora, ele tem essa força. Pois em todos os reinos a vida está presente, de alguma forma, mesmo naquilo que parece inerte. A raça humana é que está em jogo.

Diante de tudo isso, a pergunta que não quer calar: O que, afinal, pode ser feito? Como estará o planeta por volta de 2100 possivelmente com mais de 10 bilhões de pessoas, com toda a pressão poluidora exercida sobre ele? Investir com visão de futuro agora pode ajudar e planejar melhor e entender as conseqüências que poucas gerações passadas já provocaram por centenas de outras.

A principal causa do aquecimento da Terra está na alta concentração de gases emitidos que se acumulam na camada do efeito estufa. Os setores industriais e energéticos, as políticas de governo, econômicas e a consciência do cidadão é que podem mudar esse curso. As queimadas e desmatamentos agravam ainda mais essa situação se não houver fiscalização mais assertiva em quem só pensa no lucro do ganha-perde, e perde de fato o meio ambiente.

O aumento do nível do mar, a alteração e a frivolidade da temperatura em diversas partes do mundo, o degelo das calotas polares, a acidez do mar devido maior absorção de CO² e o aumento do calor na água, que provoca extinção da vida marinha, além do aumento de furacões. Também a proliferação de doenças e a fome, o número de refugiados ambientais que começa a subir, são apenas alguns dos efeitos já presentes devido as atuais alterações climáticas rompantes.

O avanço do desequilibro no clima em função da ação humana exterminará milhares de espécies nos próximos anos, segundo uma série de estudos publicados por cientistas de várias partes do globo. 25% dos mamíferos correm alto risco de extinção nos próximos anos, um terço dos anfíbios e quase metade das tartarugas estão ameaçados, segundo a União de Conservação Mundial.

A taxa atual de extinção, revela a UCM, é de mil a dez mil vezes maior do que o índice natural. Isso é desequilibro. Ainda mostram os números que cerca de 2% do total das espécies escritas, em torno de 8.400 correm o risco de sumir do planeta em pouco tempo. Não é só o homem que sofrerá com o que provoca. A casa inteira está em risco. É tempo de pensar, rever e agir em prol de mais qualidade de vida coletiva para as atuais e as futuras gerações.

Ainda tem saída. “É importante repensarmos os padrões de consumo e produção da humanidade. Cada pessoa pode contribuir tanto a partir de seu comportamento individual, economizando energia e água, gerando o mínimo de resíduo possível”, diz sabiamente Luiz Piva, coordenador da campanha de clima do Greenpeace.

Acredito que o mundo mudará mais rápido assim, através de ações simples, que envolva o maior número de pessoas, do que apenas por grandes projetos de poucos sem a consciência ética da maioria. Todos estão com a vida comprometida, ninguém pode se eximir dessa responsabilidade. Talvez aí esteja a maior lição a apreender neste curto tempo que o homem abriga a Terra como visitante, ainda não tem bem educado, por sinal.


Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

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