
Artigo de Jair Donato
É grande a repercussão em relação ao ‘disque me disque’ quanto aos números divulgados nos últimos meses sobre queimadas e desmatamentos na Amazônia. Não tenho interesse em repeti-los aqui na íntegra. A questão é muito mais séria do que a quantidade de quilômetros desmatados, se isso foi verdade ou não, ou quem quer que tenha desmatado. Afinal, ninguém quer ser o ‘pai da criança’.
A última é que há uma certa lista com os cem maiores desmatadores da Amazônia, divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente recentemente. O hilário foi a reação dos seguintes personagens nesta semana. A ex-ministra que negou ter sido na época dela a elaboração da lista; o atual ministro que admitiu não ter lido a lista antes de ser divulgada, pode? O governo, que dizer, o Incra, que até já reivindicou revisão da lista, alega injustiça. Os demais, donos de terras, esses, como de praxe, “todos inocentes”, já estão fervendo com tamanho ataque, acreditam assim.
E a informação parece mesmo que gerou mal-estar em todo mundo, do governo aos produtores. Todos querem contestar a lista e reivindicar uma revisão, de preferência, que tire o nome de cada um, pois se sentem “injustiçados”. É importante uma revisão mesmo. Porém, será que todos os citados são tão inocentes a ponto de serem incluídos numa lista dessa natureza, ao menos que tenha sido incompetência pura do próprio Ministério do Meio Ambiente, vergonha e descrédito se isso for verdade. No entanto, se portar como “vítima” ou “injustiçado” é bem semelhante a certos candidatos políticos que ainda usam essa tática para ganhar votos, coisa antiga, já não cola mais.
Mais hilário ainda é que todos os personagens dessa história dizem que estão preocupados e apreensivos com os altos índices de devastação da Amazônia. Anseio por ver uma lista divulgada com os cem exemplos de ações sustentáveis, de fato, da região. Por uma questão de honra ao nosso País. Porque a lista dos desmatadores, essa já ganhou projeção internacional, bem rápido.
Definitivamente, estamos diante de uma questão descarada, imoral, aonde sempre que surgem medidas de controle, ninguém quer assumir nada. Ainda estamos bem longe de uma realidade sustentável enquanto o paradigma do ganha-perde for evidente. Quando os ditos “injustiçados” reivindicam determinados direitos, é porque mexe com o próprio lucro, com o brio ou com a zona de conforto em que vivem, não porque querem mesmo contribuir para preservar ou conservar nada. A maioria se puder burlar, burla mesmo, dane-se o bem comum.
E quem devasta sempre procura se esconder atrás de maquiagens falsamente sustentáveis. Na verdade, ainda mais se destrói do que preserva e conserva. Não se trata de ‘caça as bruxas’, trata-se de rever a postura ética e moral de todos que de alguma forma, têm ligação com os biomas brasileiros, seja Amazônia, Cerrado, Caatinga, a quase extinta Mata Atlântica, dentro os demais. A questão ambiental deve ser mais seletiva e rigorosa pelos órgãos fiscalizadores do País, senão fica a ilusão de controle enquanto os índices só aumentam.
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) Mato Grosso desmatou só no mês de agosto, cerca de 756 quilômetros quadrados de novas áreas, um aumento de 134% em relação a julho e 229% em relação a agosto do ano passado. Será uma coincidência logo neste limiar eleitoreiro? Só resta saber quem vencerá essa batalha da sensibilização em prol dos recursos naturais dos biomas brasileiros, se o governo, em favor do social e de uma economia sustentável, ou o vil interesse de quem se embrenha na mata ou no cerrado com a finalidade extrema de se dar bem.
Contudo, o cerne dessa questão está na mudança da atitude individual e coletiva para um novo comportamento que se resulte em ações inovadoras, limpas e ambientalmente corretas. Acredito que o primeiro, o segundo e o terceiro setor possuem a responsabilidade de maior propagação das atividades que visam à sensibilização e ao acompanhamento das pessoas, pela via da educação, no sentido de focar para uma única direção, o cuidado com o meio ambiente em que essa geração e as vindouras terão de viver, com os recursos que temos agora.
Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com
A última é que há uma certa lista com os cem maiores desmatadores da Amazônia, divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente recentemente. O hilário foi a reação dos seguintes personagens nesta semana. A ex-ministra que negou ter sido na época dela a elaboração da lista; o atual ministro que admitiu não ter lido a lista antes de ser divulgada, pode? O governo, que dizer, o Incra, que até já reivindicou revisão da lista, alega injustiça. Os demais, donos de terras, esses, como de praxe, “todos inocentes”, já estão fervendo com tamanho ataque, acreditam assim.
E a informação parece mesmo que gerou mal-estar em todo mundo, do governo aos produtores. Todos querem contestar a lista e reivindicar uma revisão, de preferência, que tire o nome de cada um, pois se sentem “injustiçados”. É importante uma revisão mesmo. Porém, será que todos os citados são tão inocentes a ponto de serem incluídos numa lista dessa natureza, ao menos que tenha sido incompetência pura do próprio Ministério do Meio Ambiente, vergonha e descrédito se isso for verdade. No entanto, se portar como “vítima” ou “injustiçado” é bem semelhante a certos candidatos políticos que ainda usam essa tática para ganhar votos, coisa antiga, já não cola mais.
Mais hilário ainda é que todos os personagens dessa história dizem que estão preocupados e apreensivos com os altos índices de devastação da Amazônia. Anseio por ver uma lista divulgada com os cem exemplos de ações sustentáveis, de fato, da região. Por uma questão de honra ao nosso País. Porque a lista dos desmatadores, essa já ganhou projeção internacional, bem rápido.
Definitivamente, estamos diante de uma questão descarada, imoral, aonde sempre que surgem medidas de controle, ninguém quer assumir nada. Ainda estamos bem longe de uma realidade sustentável enquanto o paradigma do ganha-perde for evidente. Quando os ditos “injustiçados” reivindicam determinados direitos, é porque mexe com o próprio lucro, com o brio ou com a zona de conforto em que vivem, não porque querem mesmo contribuir para preservar ou conservar nada. A maioria se puder burlar, burla mesmo, dane-se o bem comum.
E quem devasta sempre procura se esconder atrás de maquiagens falsamente sustentáveis. Na verdade, ainda mais se destrói do que preserva e conserva. Não se trata de ‘caça as bruxas’, trata-se de rever a postura ética e moral de todos que de alguma forma, têm ligação com os biomas brasileiros, seja Amazônia, Cerrado, Caatinga, a quase extinta Mata Atlântica, dentro os demais. A questão ambiental deve ser mais seletiva e rigorosa pelos órgãos fiscalizadores do País, senão fica a ilusão de controle enquanto os índices só aumentam.
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) Mato Grosso desmatou só no mês de agosto, cerca de 756 quilômetros quadrados de novas áreas, um aumento de 134% em relação a julho e 229% em relação a agosto do ano passado. Será uma coincidência logo neste limiar eleitoreiro? Só resta saber quem vencerá essa batalha da sensibilização em prol dos recursos naturais dos biomas brasileiros, se o governo, em favor do social e de uma economia sustentável, ou o vil interesse de quem se embrenha na mata ou no cerrado com a finalidade extrema de se dar bem.
Contudo, o cerne dessa questão está na mudança da atitude individual e coletiva para um novo comportamento que se resulte em ações inovadoras, limpas e ambientalmente corretas. Acredito que o primeiro, o segundo e o terceiro setor possuem a responsabilidade de maior propagação das atividades que visam à sensibilização e ao acompanhamento das pessoas, pela via da educação, no sentido de focar para uma única direção, o cuidado com o meio ambiente em que essa geração e as vindouras terão de viver, com os recursos que temos agora.
Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com
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