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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

E DEPOIS DO VOTO, FAZER O QUE?


Artigo de Jair Donato
E agora? Passou o período eufórico das eleições municipais, vencedores e derrotados estão aí. E quem votou, vai esperar mais quatro anos para de novo criticar, escolher e votar em outros candidatos, ou nos mesmos? Ou participar democraticamente da gestão pública dos bens que possuímos em favor da coletividade? Essa é uma questão que merece profunda reflexão, pois se trata da cultura de um povo, que ainda não apreendeu ao todo o significado da democracia, do processo da escolha até a efetividade dos trabalhos dos políticos no poder.

“O preço que os homens de bem pagam pelo seu desinteresse da política é a qualidade dos políticos”, disse Platão. Acompanhar bem o trabalho dos políticos municipais é importante, porque é no município que está a base, o povo. O voto consciente deve ser mais do que apenas escolher um candidato no dia das urnas. Pois assim como ainda tem político que não sabe o que fazer, após ter ganhado as eleições, maior parte da população também não sabe porque votou e se desliga de vez do compromisso de ter elegido alguém.

Atualmente, além da questão ética e moral, o que mais está ligado às questões ambientais que assola o mundo, é a política. E para falar sério de meio ambiente na política, isso começa de casa, na decisão em família pelo voto. Depois, saber as diretrizes que o escolhido defende, do vereador até o presidente da República. Isso é cidadania efetiva, é mais do que cobrar direitos individuais ou de minorias.

Enquanto o indivíduo ficar passivamente a espera de políticas que mudem a vida de todos, sem que cada um se mova e faça a parte que lhe compete, poderá ser tarde demais. A crise atual que o mundo enfrenta é mais do que econômica e ambiental. É crise de atitude. É preciso fazer diferente, o resto será reflexo. Enquanto houver ‘maquiagem verde’ na atitude, seja nas empresas, no governo ou no comportamento individual, tudo será falso.

Como consumidores, eleitores, fiscalizadores e cidadãos conscientes, todos precisam ficar de olho. O Brasil ainda é uma nação de credores ecológicos consideráveis, pois têm mais recursos ecológicos do que o que consome. E ainda exporta essa bio-capacidade para os países altamente devedores e mais poluidores do mundo. A grande questão é, se por causa do capitalismo selvagem, do ganha-perde, isso vai continuar assim? Até quando? “A Terra tem o suficiente para a necessidade de todos, mas não para a ganância de uns poucos”, expressou Ghandi.

Recentemente, cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que avaliam os impactos, adaptação e vulnerabilidades ao aquecimento global, divulgaram no Brasil o relatório sobre um novo estudo acerca das mudanças no clima ao redor do mundo. Martin Parry, cientista inglês que coordenou o grupo de estudo, afirma que a redução global precisa ser de 80% das emissões de carbono até 2015. Esse deve ser um compromisso de todos os governos, empresas e sociedade.
O Estudo alerta que mesmo que as emissões fossem cessadas hoje, o planeta continuaria aquecendo, mas as conseqüências seriam mais facilmente absorvidas, com acréscimo menor que 2 ºC na temperatura. Mas, se forem mantidos os atuais padrões de emissão de gases que engrossam a camada do efeito estufa, o aumento da temperatura na Terra poderá chegar a mais que o dobro até o final deste século.
"Em resumo, tenho dois recados sérios: precisamos reduzir muito as emissões e precisamos reduzir já", concluiu Parry. Ainda complementou que um atraso de 10 anos em tomar qualquer medida já resultará no aumento de 0,5 ºC da temperatura média terrestre.
Segundo Carlos Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), é possível o Brasil contribuir com essa meta, se der fim aos desmatamentos. "Se o Brasil atingisse a meta do desmatamento ilegal zero, reduziríamos de 70% a 80% o desmatamento”. Afinal, são os desmatamentos e as queimadas que eleva o Brasil ao ranking dos paises mais poluidores atualmente.
O fato é que se nada for feito agora, certamente nas próximas eleições o clima estará bem mais quente.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

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