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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

PERÍODO CRÍTICO


Artigo de Jair Donato
Segundo estudos publicados recentemente por uma Organização Internacional Protetora dos Animais, ¼ dos animais do planeta poderão ser extintos em decorrência das mudanças climáticas dos últimos anos. Mas, as questões climáticas afetam diretamente, e cada vez mais, a economia mundial. Para quem ainda pensa que esse é assunto só de ambientalista, pode estar enganado.

Foi publicado um estudo científico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sobre uma projeção do quanto que a mudança climática da Terra poderá afetar o mapa agrícola do Brasil. O aquecimento global poderá forçar a migração de culturas, a diminuição de área de cultivo e maior pressão sobre a chamada área de “fronteira agrícola” entre o Cerrado e a Amazônia, define o estudo.
As regiões que já estão afetadas, como o Sul, o Sudeste e o Nordeste do país, terão as culturas transferidas para áreas agricultáveis da Amazônia Legal, como também o aumento do fluxo migratório para a região. No entanto, segundo o coordenador do estudo, Hilton Silveiro Pinto, áreas agricultáveis da Amazônia “não deverão sofrer qualquer problema”. Mas, isso será confirmado mesmo se houver empenho na implementação de um programa sério de desenvolvimento sustentável.
O estudo divulgado indica que se nada for feito para reverter o aquecimento da Terra, a agricultura brasileira poderá perder até R$ 7,4 bilhões ao ano, a partir de 2020, chegando a contabilizar até o dobro em 2070, a R$ 14 bilhões/ano, com a diminuição da safra de grãos. Nessa consideração, os pesquisadores estimam uma perda de área agricultável de até 40%. A soja que, na safra 2007/2008 colheu 61 milhões de toneladas de grãos será a cultura mais prejudicada.

O mundo precisa rever os conceitos de ganho, de capital, de investimento e de qualidade de vida. Sem pensar nas gerações futuras, o que for feito agora pode se resultar numa armadilha para as gerações presentes. E não basta construir ou fazer diferente sem estudos e sem logística ambientalmente correta, com visão de futuro.

Um exemplo disso é mostrado através do estudo apresentado pelo biólogo Philip Martin Fearnside, pesquisador do Instituto Nacional Pesquisas da Amazônia (INPA), sobre o papel dos reservatórios em áreas de floresta tropical na emissão de gases de efeito estufa. Que as hidrelétricas são fábricas de metano, já é fato conhecido, mas isso pode ser mais do que o que já se sabe.

O estudo se resume em mostrar que calcular as emissões de gases de efeito estufa de barragens hidrelétricas é importante para o processo de tomada de decisão em investimentos públicos nas várias opções para geração e conservação de energia elétrica.

Fearnside, que estuda problemas ambientais na Amazônia brasileira desde 1974, pontua no Estudo “Hidrelétricas são fábricas de metano” que: “Reservatórios em áreas tropicais, como a Amazônia, freqüentemente têm grandes áreas de deplecionamento (esvaziamento), onde a vegetação herbácea, de fácil decomposição, cresce rapidamente. Esta vegetação se decompõe a cada ano no fundo do reservatório quando o nível d'água sobe, produzindo metano. O metano oriundo da vegetação da zona de deplecionamento representa uma fonte permanente deste gás de efeito estufa, diferente do grande pulso de emissão oriundo da decomposição dos estoques iniciais de carbono no solo, nas folhas e liteira (serapilheira ou folhiço) da floresta original”.

Continua o estudo: “.As turbinas e vertedouros puxam água de níveis abaixo da termoclina, isto é, da barreira de estratificação por temperatura que isola a água do fundo do reservatório, rica em metano, da camada superficial que está em contato com o ar. Quando a água do fundo emerge das turbinas e dos vertedouros, grande parte da sua carga de metano dissolvido é liberada para a atmosfera. O gás carbônico oriundo da decomposição da parte superior das árvores da floresta inundada, que fica acima da lâmina d'água, representa outra fonte significativa de emissão de gás de efeito estufa nos primeiros anos depois da formação do reservatório”, conclui.

O homem deve ter uma consciência mais profunda sobre as questões que discutem as formas de vida e de crescimento sustentável. Os estudos são parâmetros, mas o rumo certo certamente estará sempre a cargo de uma atitude limpa, ética e moralmente aceita, por estas e pelas futuras gerações. Sustentabilidade está antes de tudo, na atitude.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

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