
Artigo de Jair Donato
Penso em contribuir ao abordar um assunto como este, pouco divulgado, deveras importante, pois se trata da felicidade das pessoas e do bem comum. Não são poucas as métricas do progresso no mundo cheio de mudanças em que vivemos. A área científica e a econômica têm tratado da condição humana na produção e no trabalho e mensuram isso através de vários índices, PIB, IDH, IDS, IQV, IDCV, IGP, dentre tantos outros.
Mas o que é FIB? É o índice de Felicidade Interna Bruta, termo criado em 1972 pelo rei do Butão, pequeno reinado nas encostas do Himalaia, como forma de protesto em resposta as críticas que taxavam a economia daquele País como miserável. Com uma base holística, na construção da economia aliada à cultura, aos valores espirituais, éticos e morais, o conceito de Felicidade Interna Bruta foi estabelecido inicialmente para mostrar outra forma de avaliar as condições de vida considerando também as questões mais profundas do relacionamento humano e o progresso através da espiritualidade, levando em consideração as dimensões sociais, ambientais e econômicas.
De lá para cá o FIB, uma contraposição ao PIB – Produto Interno Bruto, tem sido aplicado para medir o bem-estar das pessoas. Para o PIB, quanto mais recursos naturais são degradados, mais o valor cresce. Com o FIB é diferente, cujos pilares estão pautadas na promoção do desenvolvimento sócio-econômico sustentável e igualitário. São considerados o desenvolvimento material, o espiritual e o pessoal, através de uma governança ética e sensata.
Neste último trimestre o Brasil sediará a I Conferência Nacional sobre Felicidade Interna Bruta, na capital paulista, com a presença de autoridades no assunto, vindas do Butão e do Canadá e um economista da USP. Segundo a psicóloga Susan Andrews, do Instituto Visão Futuro, responsável pelo evento no Brasil, “O FIB não é apenas uma idéia interessante. É uma necessidade urgente num mundo que está se despedaçando”. Angatuba, cidade no interior de São Paulo, será a experiência-piloto apresentada por fazer uso do FIB, em parceria com o Instituto para mensurar o desenvolvimento local.
Agora é tempo para que as pessoas possam refletir sobre o próprio FIB, que é uma condição interna. Sem necessidade de réguas, mas pela reflexão, cada pessoa pode aumentar o índice que possui, e dessa forma contribuir para um mundo melhor, mas ético, mais altruísta, mais sociável e mais ambientalmente correto. Esses são indicadores de espiritualidade que se resultam na paz mundial e na felicidade.
As questões ambientais, um dos pilares do FIB, ainda precisam ser tratadas com mais sensatez. Recentemente foi apresentada uma pesquisa, resultado de meses que vários repórteres percorreram a região da bacia do Rio Xingu, no Pará e em Mato Grosso, cujo objetivo foi mostrar a relação entre o consumo em São Paulo e a devastação da Floresta Amazônica. A pesquisa que teve foco em três setores estratégicos, a pecuária bovina, o extrativismo vegetal e o plantio de grãos, mostra que há uma produção ainda predatória, cuja matéria-prima chega de forma direta ou indireta aos grandes centros de São Paulo.
O estudo mostra que há vários setores de grandes ou pequenas redes, que destroem para produzirem, além de manterem trabalho escravo na Amazônia. Parte deles fornece livremente carne aos grandes frigoríficos que abastecem a cidade paulista, a milhares de quilômetros. Na verdade, quem consome precisa ficar mais atento e saber a origem do que leva para casa.
As melhores escolhas para a mente, para o corpo, para o bolso e para o mundo são as dicas que os especialistas dão para que o ser humano possa elevar o índice FIB. Então, qual é o seu? E da sua família? Da sua comunidade? Da sua empresa? Saiba que ele pode ser melhor, e você também pode contribuir.
Estamos numa Era de acerto de contas. A humanidade precisa se convergir o mais rápido possível para o bem coletivo. As mudanças climáticas talvez seja o mais assertivo feedback que a natureza está dando ao mundo como resposta pela falta de espiritualidade humana e pela incapacidade do homem viver em harmonia com o meio ambiente. É preciso que haja a mudança agora. Pense no que você pode fazer, e comece.
Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com
2 comentários:
Este texto é realmente maravilhoso, quando fui pra Inglaterra, tive a oportunidade conhecer uma pessoa vinda do butão....achei interessante,pois já havia lido um artigo dizendo que butão era o país mais feliz do mundo, ele disse que o comandante de seu país é um rei, e que o rei queria abrir mão de seu reinado e instituir a democracia, e em vez de rei eles teriam um presidente, mas a própria população não queria, pois achava q o rei governava muito bem para eles... lá não existe aniversário, todo mundo celebra a vida juntos numa determinada época do ano, foi engraçado pois, para ele ir para a inglaterra ele teve q tirar o passaporte mas não tinha data de nascimento...entaõ ele escolheu uma data pra ele...11 de setembro..hauhuahau q ironia não....mas posso garantir a simplicidade dele era contagiante!!!
parabens Jair! Daniela MAekawa
OI Dani, mto legal essas informações. Valeu!
Conhecer a cultura e o estilo de vida de outros povos agrega muito em nossas vidas, certamente. Muito interessante!!!
$ucesso pra ti garota, sempre!
Bjs.
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