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terça-feira, 18 de agosto de 2015

CUIDADO COM A CRISE
Artigo de Jair Donato 

Você já parou para refletir sobre o que é mesmo uma crise, a exemplo daquela que tanto se comenta atualmente? Por que tanta gente replica o falatório de que estamos em crise? É hora de ponderar sobre a possível discrepância existente entre as atuais dificuldades na gestão pública e econômica que o Brasil atravessa, e o alarme que a massa coletiva espalha. Claro que uma mídia sensacionalista, críticos de plantão, além dos pessimistas de carteirinha que pouco fazem para estabelecer mudanças e querem mais é ver o circo pegar fogo, contribuem muito para isso. Tenho percebido tal repercussão com tanta frequência que até evito perguntar ao taxista como ele está, tampouco ao dono do restaurante ou ao gestor do mercadinho. A maioria só fala na crise e nada de oportunidade.

Mas qual efeito poderá ter se todo mundo investir na diversidade de comentários sobre a crise, xingamentos, lamentações e indignação? Você já percebeu que quando um grupo começa a falar que uma nova virose está chegando, muita gente logo sente o sintoma embora nada seja diagnosticado? Outros estocam remédios, fazem simpatias, replicam comentários e se enchem muito mais de medo do que de preparo.

Ao considerar o contexto social e psicológico, até que ponto o indivíduo recebe influências externas ou ele possui maior capacidade para se definir apenas pelas referências internas? Embora o homem não possa ser definido como marionete, em que apenas vive a mercê do ambiente externo, parece inegável que a influência psicológica do âmbito coletivo seja considerável.

Há um experimento iniciado na década de 1950, relatado pelo escritor Ken Keyes no livro “O Centésimo Macaco”, que elucida sobre o poder de uma ideia quando ressaltada por uma coletividade. O estudo foi realizado sobre o comportamento de macacos selvagens numa ilha ao norte do Japão. Análise análoga sobre o resultado revelou uma situação que mostra possibilidades da transmissão de um pensamento quando é massificado de maneira coletiva.

O fato consistiu no seguinte. Os pesquisadores deram batatas doces sujas de areia aos macacos da ilha Koshima. Mas, eles recusaram come-las por que não gostaram. No entanto, uma macaca, que recebeu o nome de Imo, instintivamente se destacou dentre os outros por ter levado as batatas a um riacho e as lavou, em seguida ela comeu. Essa atitude foi ensinada aos outros macacos da tribo, que também passaram a agir do mesmo jeito.

Isso não correu com todos, mas a maioria passou a utilizar o benefício da descoberta. Foi então quando colônias de macacos de outras ilhas também passaram a fazer o mesmo. Eles lavavam as batatas antes de ingeri-las.

Os pesquisadores consideraram que quando uma quantidade de indivíduos que adquire determinado conhecimento, atinge certo número, embora não seja algo definido cientificamente, esse novo conhecimento passa a ser transmitido de uma mente para outra em forma de energia e à distância. Semelhante, se um número suficiente de pessoas pensar repetidamente em coisas seja de cunho positivo ou negativo, será como estabelecer a criação de um campo mental formado pelos pensamentos dessas pessoas, o que poderá de alguma maneira contagiar outros indivíduos.

Não se pode negar que o pensamento cíclico de um grupo, ainda mais se vivenciado por emoções e sentimentos, tenha mais energia do que um pensamento individual esporádico. Pensar é importante, é algo que se concretiza, isso não é papo místico ou filosófico, é ciência. Comprovações em laboratórios indicam que o pensamento também é matéria e que quando o cérebro o exercita, duas substâncias básicas do organismo são queimadas, glicose e oxigênio. Então, o que você acha de uma população que perde o foco e viraliza o pensamento voltado somente para a crise?

Já pensou se acima de cinquenta por cento da população focar o pensamento nas possibilidades de crescer em momentos difíceis e agir com base nesse foco? Imagine ainda tal redirecionamento em prol da paz mundial. Esse poderia ser o salto quântico da humanidade. Mas esse será o tema do próximo artigo.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

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