CUIDADO COM A CRISE
Artigo de Jair Donato
Você já parou para refletir
sobre o que é mesmo uma crise, a exemplo daquela que tanto se comenta
atualmente? Por que tanta gente replica o falatório de que estamos em crise? É
hora de ponderar sobre a possível discrepância existente entre as atuais
dificuldades na gestão pública e econômica que o Brasil atravessa, e o alarme
que a massa coletiva espalha. Claro que uma mídia sensacionalista, críticos de
plantão, além dos pessimistas de carteirinha que pouco fazem para estabelecer
mudanças e querem mais é ver o circo pegar fogo, contribuem muito para isso.
Tenho percebido tal repercussão com tanta frequência que até evito perguntar ao
taxista como ele está, tampouco ao dono do restaurante ou ao gestor do
mercadinho. A maioria só fala na crise e nada de oportunidade.
Mas qual efeito poderá ter se
todo mundo investir na diversidade de comentários sobre a crise, xingamentos,
lamentações e indignação? Você já percebeu que quando um grupo começa a falar
que uma nova virose está chegando, muita gente logo sente o sintoma embora nada
seja diagnosticado? Outros estocam remédios, fazem simpatias, replicam
comentários e se enchem muito mais de medo do que de preparo.
Ao considerar o contexto
social e psicológico, até que ponto o indivíduo recebe influências externas ou ele
possui maior capacidade para se definir apenas pelas referências internas? Embora
o homem não possa ser definido como marionete, em que apenas vive a mercê do
ambiente externo, parece inegável que a influência psicológica do âmbito
coletivo seja considerável.
Há um experimento iniciado na
década de 1950, relatado pelo escritor Ken Keyes no livro “O Centésimo Macaco”,
que elucida sobre o poder de uma ideia quando ressaltada por uma coletividade. O
estudo foi realizado sobre o comportamento de macacos selvagens numa ilha ao
norte do Japão. Análise análoga sobre o resultado revelou uma situação que mostra
possibilidades da transmissão de um pensamento quando é massificado de maneira
coletiva.
O fato consistiu no seguinte.
Os pesquisadores deram batatas doces sujas de areia aos macacos da ilha
Koshima. Mas, eles recusaram come-las por que não gostaram. No entanto, uma
macaca, que recebeu o nome de Imo, instintivamente se destacou dentre os outros
por ter levado as batatas a um riacho e as lavou, em seguida ela comeu. Essa
atitude foi ensinada aos outros macacos da tribo, que também passaram a agir do
mesmo jeito.
Isso não correu com todos, mas
a maioria passou a utilizar o benefício da descoberta. Foi então quando colônias
de macacos de outras ilhas também passaram a fazer o mesmo. Eles lavavam as
batatas antes de ingeri-las.
Os pesquisadores consideraram
que quando uma quantidade de indivíduos que adquire determinado conhecimento,
atinge certo número, embora não seja algo definido cientificamente, esse novo
conhecimento passa a ser transmitido de uma mente para outra em forma de
energia e à distância. Semelhante, se um número
suficiente de pessoas pensar repetidamente em coisas seja de cunho positivo ou
negativo, será como estabelecer a criação de um campo mental formado pelos
pensamentos dessas pessoas, o que poderá de alguma maneira contagiar outros
indivíduos.
Não se pode negar que o
pensamento cíclico de um grupo, ainda mais se vivenciado por emoções e
sentimentos, tenha mais energia do que um pensamento individual esporádico. Pensar
é importante, é algo que se concretiza, isso não é papo místico ou filosófico,
é ciência. Comprovações em laboratórios indicam que o pensamento também é
matéria e que quando o cérebro o exercita, duas substâncias básicas do
organismo são queimadas, glicose e oxigênio. Então, o que você acha de uma
população que perde o foco e viraliza o pensamento voltado somente para a
crise?
Já pensou se acima de
cinquenta por cento da população focar o pensamento nas possibilidades de
crescer em momentos difíceis e agir com base nesse foco? Imagine ainda tal
redirecionamento em prol da paz mundial. Esse poderia ser o salto quântico da
humanidade. Mas esse será o tema do próximo artigo.
Jair Donato - Jornalista em
Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário,
especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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