Artigo de Jair DonatoSustentabilidade não é sinônimo de ações ligadas apenas ao meio ambiente. No entanto, a relação com as questões ambientais é maior do que muitos negócios estão envolvidos. O princípio da sustentabilidade se dá pela interação de três pilares: a garantia do crescimento da economia, o desenvolvimento sócio-cultural e o uso dos recursos naturais; sem tolher o crescimento e sem comprometer as gerações futuras. Esse é o desafio.
Desenvolvimento sustentável é uma expressão surgida em 1983, pela comissão liderada pela então primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland. O relatório da comissão que propôs os três pilares da sustentabilidade foi inspirado na Conferência de Estocolmo, em 1972 e amplamente divulgado na Conferência da ONU, no Rio, a ECO-92. O planejamento de sistemas produtivos, a mudança do paradigma econômico e o repensar social estão inseridos no documento elaborado.
Em tempos de alterações do clima no planeta, provocadas pelo consumo desenfreado, pela poluição exacerbada e destruição da natureza, em prol apenas do fator econômico, perde o meio ambiente e sofre o social. Milhares de pessoas se tornarão refugiadas nas próximas décadas, muitas sofrerão pelas secas, chuvas, aumento de temperatura, inundações e alastre de doenças infecciosas.
É fundamental que o objetivo da sustentabilidade seja compreendido e praticado. Pois ele só ocorre quando houver equilíbrio dos três fatores, ao mesmo tempo. E, isso só poderá ocorrer se houver planejamento e investimento a longo prazo, por parte dos governos e das organizações.
A Agenda 21, plano de ação elaborado na Rio-92, que contempla programas de inclusão social, acesso à educação, saúde e distribuição de renda, aponta a sustentabilidade, urbana e rural, assim como preservação e conservação dos recursos naturais e minerais, como um planejamento rumo ao desenvolvimento sustentável a longo prazo. Evitar a cultura do desperdício é uma das prioridades que contempla a Agenda 21, nos âmbitos global, nacional e local.
A mudança de comportamento e novos paradigmas precisam ser inseridos no contexto de desenvolvimento da sociedade atual. O modelo econômico arcaico que ainda prevalece no mundo capitalista, em que alguns ganham e a maioria perde, é inadequado para os padrões sustentáveis.
A atenção dispensada, principalmente pelos governos, às demandas sociais é ineficiente; penso que nunca foi. Por fim, o abuso e a degradação dos recursos naturais da Terra estão colocando em risco a própria capacidade do homem de viver com qualidade de vida.
É preciso deixar de pensar que o Brasil é um país do futuro. Quando se trata de ação, o que existe de fato é o presente. É no ‘agora’ que precisa ocorrer a transformação social e econômica, que considere o meio ambiente. A degradação das florestas brasileiras, que começaram desde a ocupação portuguesa precisa de um basta. Não é mais possível dar vazão a essa herança cultural que degrada e polui.
Mediante os incontáveis desastres ambientais em diferentes partes do mundo, que já comprometem a vida Terra, a maior mudança que se faz necessária daqui por diante, certamente é a do estilo de vida do homem, desde as ações domésticas à industrialização em grande escala. É preciso o juntar de esforços, entre governos, quem produz e quem consome.
Uma empresa sustentável tem mais credibilidade e reputação. Além disso, detém maior capital intelectual e valor de mercado. Isso é mais valioso que apenas ações de marketing, que cumprem outras finalidades. Os setores público e privado precisam calcular tudo isso racionalmente, de olho na perpetuidade dos negócios, na estabilidade da economia, na garantia do bem estar social e na preservação do meio ambiente.
Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com
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