Total de visualizações de página

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

SUSTENTABILIDADE, CONDIÇÃO OU CONSCIÊNCIA?


Artigo de Jair Donato

É imprescindível que as soluções sustentáveis devam ser pautadas nos princípios do respeito à natureza, no crescimento econômico bilateral e na consideração dos valores sócio-culturais. O uso demasiado dos recursos naturais tem sido a maior ameaça ao planeta nas últimas décadas. A contenção da emissão de gases poluentes é o grande desafio, individual e coletivo, para evitar catástrofes irreversíveis.

A sustentabilidade precisa ter base na atitude do ser humano. É necessário, em tempos de alterações do clima, um repensar na produção e no consumo de alimentos, bens e serviços. É plantar e criar com foco em uma nova realidade. Pois o planeta já não é o mesmo. O homem poluiu em demasia e um novo estilo de consumir sem degradar se torna necessário.

Sustentabilidade, portanto, é evitar destruir para produzir. Aproveitar melhor os resíduos, reutilizar e transformar o que era lixo em consumo para novos fins e ainda gerar renda. É saber calcular racionalmente cada espaço explorado para desenvolvimento dos negócios, principalmente quando se trata do meio ambiente.

O Brasil ainda tem pouca representatividade mundial quando se fala de sustentabilidade. O governo prioriza mais os interesses eleitorais do que os econômicos e sócio-ambientais. Decisões apenas políticas só deturpam a perpetuidade do bem comum. Deveria investir seriamente tanto na infra-estrutura do País, como na formação de cientistas e na educação geral do brasileiro.

Será que por causa desses fatores não serem investimentos em curto prazo, não provoca tanto o interesse nos ‘ditos’ representantes do povo? O governo é fraco politicamente para tornar o país sustentável. Isso demonstra falta de visão e de planejamento em longo prazo para o futuro. Não fiscaliza o meio ambiente e não prioriza a educação como deveria.

Precisa investir muito na interação logística, da produção à mesa do consumidor. Criar mais oportunidades de negócios para a industrialização e o design no País. Sem esses fatores, só alimenta a cultura do faz-de-conta e não há crescimento.

Desenvolvimento sustentável não se trata de tendência de mercado. Os negócios daqui para frente precisam de estruturas em um novo paradigma econômico, produzir sem poluir e sem degradar. Produto e serviço sustentável será uma necessidade contínua da humanidade. As empresas deverão se preocupar mais com a reputação do que com a imagem. Essa última opção, uma agência de publicidade pode construir. Mas, reputação é atitude. É algo que se constrói somente com o tempo.

É falsa a idéia de que apenas produzir e exportar, a exemplo dos grãos, commodities brasileiras, seja crescimento para o País, a exceção do ganho de poucos, em detrimento da degradação dos biomas e do emperramento social. Dessa forma o País não se torna sustentável. E o mundo não suporta mais negócios em que ganham alguns e perde a maioria, inclusive a natureza.

O uso do carvão vegetal, a partir do capim e de fibrosos, assim como o uso de biodigestores na suinocultura, a prática do manejo sustentável – florestas e pastos, e a recuperação de áreas degradadas, são ótimos exemplos de desenvolvimento sustentável no mundo dos negócios.

É preciso investir na troca da energia fóssil pela energia renovável e aumentar o uso racional dos recursos naturais. Tudo isso é em longo prazo e ainda é econômico. Outras ações como a troca da produção de fibras de origem fóssil por produtos renováveis, originados do bioetanol. E fibras a partir do milho – biofibras, já começam a serem utilizados por empresas ao redor do mundo.

Outro exemplo crescente, principalmente nas comunidades locais, é a promoção do artesanato regional, uma atividade simples como forma de reaproveitar, despoluir e gerar renda, além de promover interação sócio-cultural.

O contexto atual merece uma reflexão. Será que medidas paliativas, ou seja, a cultura do ‘tapa-buracos’ pode salvar o mundo? Ou deveria se instalar uma maior consciência, e urgente, nas ações de produção e consumo? Afinal, assumir responsabilidades é uma atitude sustentável.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

2 comentários:

Anônimo disse...

Mais uma vez o texto maravilhoso...Eu fico aqui igual aquela mãe boba quando o filho faz algo bom:babando...Não que você seja meu filho(mas o considero).
Pena,Jair que quando as crianças crescem pelo exemplo que elas têm dos pais,vira um adulto relaxado...Mas,a luta é essa.Vamos dar as mãos.É um bom começo.Obrigada mais uma vez...

DomNato disse...

Mariana, obrigado mesmo pelo carinho!
Juntos, podemos realmente contribuir para um mundo melhor, para as crianças e para os adultos. Acredito mesmo que tudo é possível.
Felicidades!