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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

CRISE GLOBAL AMBIENTAL


Artigo de Jair Donato
A crise que assola o mercado financeiro mundial mobilizou a atenção dos governos rapidamente. Disse recentemente o presidente americano George W. Bush, “Esta é uma séria crise global e por isso precisa de uma resposta global séria para o bem de nossas populações". Bom seria se o mesmo presidente tivesse essa visão e tamanha rapidez ao se valer das soluções para as questões ambientais, a médio e longo prazo.

Crise na economia nos próximos anos pode resultar significativamente da área ambiental em escala global. E a causa disso pode está na falta de empenho coletivo de forma mais séria, agora. O governo americano pensa mover céus e terra para salvar a economia americana. Mas essa crise pode ser o inicio de uma situação muito mais séria, arraigada na cultura do capitalismo selvagem de países altamente poluidores, a começar por lá.

Os cientistas mostram através de medições que se o nível de CO² continuar aumentando com tem ocorrido nas últimas três décadas, a economia mundial poderá sofrer um colapso, em pouco tempo, caso continue assim nas próximas duas décadas. Os líderes mundiais possuem grande responsabilidade em orientar e implantar soluções macro.

Mas, toda e qualquer mudança que produza resultados em favor do planeta não pode ser esperada apenas dos governos e organizações, nem de cientistas ou ecologistas. Deve partir de cada cidadão. Quem produz deve respeitar o meio ambiente. Mas, quem consome deve se responsabilizar pelo que está levando pra casa ou para o uso no dia-a-dia.

Os governos podem criar políticas de desenvolvimento e ter a iniciativa privada e demais setores como parceiros. Os cientistas têm subsídios para uma avaliação dos efeitos provocados. No entanto, o maior poder é o do indivíduo, que começa pela educação dentro de casa, no convívio social e no trabalho, e resulta em uso e consumo.

Contudo, para por em prática, mesmo as pequenas ações, que antes não faziam parte da rotina de cada um, e que agora fazem a diferença no contexto global devido às mudanças climáticas, é preciso de muita coragem. Ainda tem gente que considera “mico” guardar uma latinha até encontrar um local adequado, levar menos sacolas do supermercado, ou nem levar, se possível, e até mesmo selecionar o lixo em casa. E esse é um movimento replicado em grande escala, como nas indústrias e nos governos dos países que mais poluem.

O físico austríaco Fritjof Capra, que desenvolve trabalho na área da educação ambiental, e estará no Brasil em Novembro deste ano, ocasião em que vai orientar um evento sobre gestão de pessoas em Cuiabá, define que jamais a civilização humana teve no âmbito do planeta, o poder destruidor que a sociedade atual possui. A humanidade está num momento de definição histórica, segundo a agenda 21, em 2005. “Estamos chegando a um momento decisivo como indivíduos, como sociedade e como civilização”, afirma Capra.

“Quanto mais estudamos os principais problemas de nossa época, mais somos levados a perceber que eles não podem ser entendidos isoladamente, sendo problemas sistêmicos, interligados e independente”, conclui físico Capra. A Terra entrou num período em que as mudanças no clima ocorrem de forma diferente das anteriores, pois as alterações atuais têm a predominância humana como causa. Peter Drucker, o pai da administração moderna disse que “O século XX testemunhou o surgimento de uma nova e importante tarefa: proteger a natureza do ser humano”.

Segundo dados da Word Wide Fund For Nature, a taxa de crescimento da população no século XX foi maior do que em todos os outros períodos da humanidade. Em 1950 tinham 2,5 bilhões de pessoas. A Organização das Nações Unidas prevê que em 2050 o mundo terá 9 bilhões de seres humanos na face da Terra, e como se sabe, todos poluidores em potencial. Muito de preservação, conservação e consciência precisa se estabelecer daqui pra frente.

É preciso fazer diferente, dentro de casa. O resto é reflexo. Enquanto houver ‘maquiagem verde’ nas empresas, ou seja, enquanto fizerem mais publicidade do que atividades sustentáveis, tudo será falso. Enquanto cada indivíduo também ficar a espera de políticas que mudem a vida de todos, sem que cada um faça a sua parte, poderá ser tarde demais. A crise é mais que econômica e não será apenas ambiental. É crise de atitude.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

2 comentários:

FÁTIMA IZAQUIEL F.DINIZ disse...

Jair, em primeiro lugar quero registrar aqui que te admiro muito , por sua luta em defesa do meio ambiente, e concordo plenamente com sua opinião,e mais ainda com sua AÇÃO, pois você é daqueles que acreditam que quando cada um fizer a sua parte teremos um mundo melhor.

DomNato disse...

Fátima, muito obrigado!
Juntos, o poder aumenta e a mudança se estabelece!