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quarta-feira, 7 de maio de 2014

RELAÇÃO COMPLEXA  HOMEM X NATUREZA
Artigo de Jair Donato*

Empresas inteligentes com gestores de negócios que possuem visão de futuro sabem que questões que envolvem as mudanças climáticas são tendências e não devem ser vistas como coisas de estação ou mero modismo. A nobre pauta que permeia os planejamentos estratégicos de organizações visionárias é a sustentabilidade, movida pela perspectiva real de ganho e lucro para qualquer porte e em diferentes setores, seja de energia, recursos hídricos, alimentação, vestuário, transportes, tecnologia da informação, seguros, e da prestação de serviços. O resto é maquiagem verde, processos mascarados.

O mundo da produção e consumo passa por uma alteração radical nas relações com o meio ambiente e precisa urgentemente rever os paradigmas de ganho e de parceria, como forma de se manter no mercado pelas próximas décadas. Diferente da Era da Revolução Industrial, hoje as mudanças, por ser a única certeza que existe, ocorrem numa velocidade que um negócio para se manter precisa ser repensado constantemente. Flexibilidade, negociação bilateral com o social, com a economia e com a natureza é a adaptabilidade que todos necessitam.

Desde as revoluções Científica e Industrial, o ser humano parece ter se considerado superior ao mundo natural. Ele adotou um comportamento mercantilista que deu forças a uma cultura de capital numa relação maniqueísta, e que pouco agrega quando se trata dos recursos naturais. O ambientalista Al Gore, autor do livro e documentário “Uma Verdade Inconveniente”, diz que as consequencias dos problemas ambientais ocorrem tão depressa que desafiam nossa capacidade de reconhecê-las, compreender as devidas implicações e organizar uma resposta apropriada ao tempo.

E o homem continua poluindo mesmo diante de novos paradigmas, ele ainda destrói mais do que conserva ou preserva. Mesmo nas Eras do conhecimento, da informação e da competência, ele continua sem a habilidade de resgatar uma relação de harmonia com a natureza. Parece nada poderá ser diferente se não houver uma revolução de consciência. A evolução humana se torna necessária para cuidar de coisas simples, não apenas em níveis biológicos, mas fundamentalmente em níveis cultural, psicológico, moral e ético.

 “Todos os seres humanos fazem parte da comunidade dos seres vivos e, embora possuam autonomia de existência, não são independentes em relação à natureza”, afirmou reflexivamente o pensador alemão Goethe. Na verdade, a natureza é um complexo que corresponde a todos os seres e a todas as formas de vida. É uma força ativa de ordem natural, severamente alterada por gerações sem consciência, ignorantes a grande teia interdependente da vida.

Contudo, a relação do homem com a natureza não é apenas uma variável política, por isso ela se torna complexa. Essa é uma questão moral e ética para o homem refletir e agir, agora.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

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