RELAÇÃO COMPLEXA HOMEM X NATUREZA
Artigo de Jair Donato*
Empresas
inteligentes com gestores de negócios que possuem visão de futuro sabem que
questões que envolvem as mudanças climáticas são tendências e não devem ser
vistas como coisas de estação ou mero modismo. A nobre pauta que permeia os planejamentos
estratégicos de organizações visionárias é a sustentabilidade, movida pela
perspectiva real de ganho e lucro para qualquer porte e em diferentes setores,
seja de energia, recursos hídricos, alimentação, vestuário, transportes,
tecnologia da informação, seguros, e da prestação de serviços. O resto é
maquiagem verde, processos mascarados.
O
mundo da produção e consumo passa por uma alteração radical nas relações com o
meio ambiente e precisa urgentemente rever os paradigmas de ganho e de
parceria, como forma de se manter no mercado pelas próximas décadas. Diferente
da Era da Revolução Industrial, hoje as mudanças, por ser a única certeza que
existe, ocorrem numa velocidade que um negócio para se manter precisa ser
repensado constantemente. Flexibilidade, negociação bilateral com o social, com
a economia e com a natureza é a adaptabilidade que todos necessitam.
Desde
as revoluções Científica e Industrial, o ser humano parece ter se considerado
superior ao mundo natural. Ele adotou um comportamento mercantilista que deu
forças a uma cultura de capital numa relação maniqueísta, e que pouco agrega
quando se trata dos recursos naturais. O ambientalista Al Gore, autor do livro
e documentário “Uma Verdade Inconveniente”, diz que as consequencias dos
problemas ambientais ocorrem tão depressa que desafiam nossa capacidade de
reconhecê-las, compreender as devidas implicações e organizar uma resposta
apropriada ao tempo.
E o
homem continua poluindo mesmo diante de novos paradigmas, ele ainda destrói
mais do que conserva ou preserva. Mesmo nas Eras do conhecimento, da informação
e da competência, ele continua sem a habilidade de resgatar uma relação de
harmonia com a natureza. Parece nada poderá ser diferente se não houver uma
revolução de consciência. A evolução humana se torna necessária para cuidar de
coisas simples, não apenas em níveis biológicos, mas fundamentalmente em níveis
cultural, psicológico, moral e ético.
“Todos os seres humanos fazem parte da
comunidade dos seres vivos e, embora possuam autonomia de existência, não são
independentes em relação à natureza”, afirmou reflexivamente o pensador alemão
Goethe. Na verdade, a natureza é um complexo que corresponde a todos os seres e
a todas as formas de vida. É uma força ativa de ordem natural, severamente
alterada por gerações sem consciência, ignorantes a grande teia interdependente
da vida.
Contudo,
a relação do homem com a natureza não é apenas uma variável política, por isso
ela se torna complexa. Essa é uma questão moral e ética para o homem refletir e
agir, agora.
Jair
Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas,
professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de
Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

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