VOCÊ
QUESTIONA O QUE COMPRA?
Artigo de Jair Donato*
Mais
importante do que preservar e conservar os recursos do planeta ou adotar
alternativas para compensar perdas causadas, é mudar o modo de pensar quanto a
utilização desses recursos. O comportamento do consumidor é uma variável que
transita entre a necessidade e o desejo, entre o que é necessário e o que está
disponível. E dentre o que está disponível há muito de supérfluo e
desnecessário, a exemplo dos modismos e das compras por impulso. Você pensa bem
antes de comprar? Importa-se mesmo com procedência tanto quanto com qualidade e
validade do que consome?
Especialistas
observam que os consumidores brasileiros estão mais exigentes e tem feito com
que os produtores adotem melhores práticas no campo, por exemplo, com a
finalidade de tornar a cadeia de produção de alimentos mais sustentável. O
comprador começa a questionar mais e essa é uma atitude saudável. Quando os
produtos disponibilizados à base exploratória dos recursos naturais forem
refugados pelo consumidor, toda a cadeia produtiva será mudada, condição para permanecer
no mercado. Investir em novas fontes de fabricação, na certificação, na
rastreabilidade produtiva é um bom negócio na cadeia da produção até a prestação
de serviços. Essa já é uma nova realidade, mas ainda há muito que mudar até que
se estabeleça uma cultura, que não seja apenas pelo valor mercantil.
É na
hora da compra que o consumidor precisa ser mais atento. Pois esse é um momento
de filtragem das opções que precisam continuar dispostas nas gôndolas ou nos
estoques. Tem muita gente que não percebe o quanto polui o meio ambiente pelas
escolhas que faz, através do próprio consumo diário. Desde o uso da energia, o
uso incorreto da água, a preferência pelo que põe à mesa, pelo que veste, assim
como o meio de transporte que utiliza, o ar condicionado ou aparelhos eletrônicos
que adquirem. O que mais polui, na verdade, são os velhos hábitos e a maneira
por vezes exagerada de usar tudo sempre como as gerações antecessoras faziam.
Afinal,
melhor que despoluir é não poluir. O que é válido na hora de se portar como um
consumidor ecologicamente correto, embora ainda não seja fácil, é analisar e
optar pelo que causa menos impacto. Há uma série de componentes importantes que
não estão embutidos no custo direto do produto que somente com a inserção de
novos hábitos podem ser ressaltados. A meta global de sustentabilidade das
empresas, dos fabricantes e prestadores de serviços, pode ser controlada pela
escolha consciente de quem consome. Toda a emissão de gases poluentes na
atmosfera, que está engrossando assustadoramente a camada do efeito estufa, tem
como finalidade o consumo, por vezes exagerado, sem consciência. Mudar isso é
parte da solução.
Mesmo
diante de grandes demandas, tudo começa pela escolha individual. O processo da
compra é um ato político e o cidadão tem nas mãos o poder de decidir. É um
momento de escolha que pode se tornar numa opção sustentável que afeta a atual
e as futuras gerações. Qualidade de vida começa mesmo é na atitude. Saiba que é
saudável questionar e reavaliar tudo antes da compra. Afinal, consciência para
se tornar qualidade de vida, têm um preço.
*Jair
Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas,
professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de
Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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