CONSUMO E ATITUDE
Artigo de Jair Donato*
Penso
que todo cidadão enquanto consumidor através de ações simples e cotidianas na
relação de consumo consciente pode contribuir voluntariamente para a conservação
e a preservação do meio ambiente. Pode ainda estimular a melhoria na qualidade
de vida desta e das gerações futuras. Quem consome pode fomentar a economia com
foco na bilateralidade, onde não haverá perdas para o meio ambiente nem para o
social. A consciência é a chave e o poder está nas mãos de cada ser humano que
polui muitas vezes pelo consumo exacerbado.
As
indústrias, produtores e prestadores de serviços, precisam rever os conceitos
de ganho e de produção. Torna-se necessário valorizar mais os recursos naturais
e investir em sustentabilidade, e isso é uma visão em médio e longo prazo. Essa
é a garantia de maior probabilidade de permanecerem no mercado por muito tempo.
Daqui por diante será o consumidor que ditará as regras, a exemplo do cliente
europeu, que ao retirar um produto da gôndola, o faz consciente da procedência
do que adquire, ele é mais seletivo ao privilegiar produtos para consumo.
Foi
o militar britânico Charles Cunningham Boycott, que em 1880 deu origem ao verbo
boicotar, considerado como um homem intratável com quem os irlandeses se
recusaram a fazer qualquer tipo de transação. O lema do fundador do boicote era
não comprar, propositadamente, mercadorias de origem duvidosa e fazer guerra
comercial a certos produtos, ou seja, entravá-los. O boicote passou a ser um
método padrão da desobediência civil e da política de não-violência, praticado pelos
ativistas das campanhas pelos direitos civis nos Estados Unidos. Também na
Irlanda do Norte realizadas na década de 1960 e por Mahatma Gandhi.
Gandhi
conseguiu quebrar o sistema econômico da Inglaterra e consequentemente dos
Estados Unidos através da simples desobediência civil. A população indiana,
insatisfeita com a política dos americanos, simplesmente não comprava mais
produtos têxteis da Inglaterra. Ghandi não praticou violência alguma. Aliás,
nenhum movimento social precisa ser burro, a exemplo de muitos no Brasil, do
tipo que invade o que é alheio, depreda prédios ou quebra vidraças. Afinal,
isso não é o mesmo que consciência, é mais ausência de educação e pensamento
crítico. O boicote
do consumidor deve ser a seletividade, individual e coletiva.
Atualmente,
além da preocupação com as questões climáticas, o consumo desenfreado precisa
ser revisto em face ao aumento populacional que sobrecarrega o planeta, que por
volta de 2050 chegará a 9 bilhões de pessoas. Foi-se o tempo que a questão relativa às mudanças
climáticas era apenas um tema de interesse de ambientalistas. Atualmente, todos
os setores começam a perceber que a economia real pode ser afetada gravemente
se não for estabelecido um novo paradigma de produção e de ganho.
A relação das mudanças
climáticas com a construção civil, com o uso da terra e também com a energia, a
alimentação e a saúde, enfim, com todos os estilos de vida da população, é
direta. Na América Latina, por exemplo, média de 75% da população vive
em grandes cidades, sem contato próximo nem controle sobre a produção de
alimentos. Por isso é
importante que quem consome passe a se importar mais com o que leva para casa e
se torne mais seletivo. E para quem exerce a cidadania, exercer a
escolha sustentável é atitude.
Jair
Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas,
professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de
Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

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