Total de visualizações de página

sexta-feira, 9 de maio de 2014

CONSUMO E ATITUDE
Artigo de Jair Donato*

Penso que todo cidadão enquanto consumidor através de ações simples e cotidianas na relação de consumo consciente pode contribuir voluntariamente para a conservação e a preservação do meio ambiente. Pode ainda estimular a melhoria na qualidade de vida desta e das gerações futuras. Quem consome pode fomentar a economia com foco na bilateralidade, onde não haverá perdas para o meio ambiente nem para o social. A consciência é a chave e o poder está nas mãos de cada ser humano que polui muitas vezes pelo consumo exacerbado.

As indústrias, produtores e prestadores de serviços, precisam rever os conceitos de ganho e de produção. Torna-se necessário valorizar mais os recursos naturais e investir em sustentabilidade, e isso é uma visão em médio e longo prazo. Essa é a garantia de maior probabilidade de permanecerem no mercado por muito tempo. Daqui por diante será o consumidor que ditará as regras, a exemplo do cliente europeu, que ao retirar um produto da gôndola, o faz consciente da procedência do que adquire, ele é mais seletivo ao privilegiar produtos para consumo.

Foi o militar britânico Charles Cunningham Boycott, que em 1880 deu origem ao verbo boicotar, considerado como um homem intratável com quem os irlandeses se recusaram a fazer qualquer tipo de transação. O lema do fundador do boicote era não comprar, propositadamente, mercadorias de origem duvidosa e fazer guerra comercial a certos produtos, ou seja, entravá-los. O boicote passou a ser um método padrão da desobediência civil e da política de não-violência, praticado pelos ativistas das campanhas pelos direitos civis nos Estados Unidos. Também na Irlanda do Norte realizadas na década de 1960 e por Mahatma Gandhi.

Gandhi conseguiu quebrar o sistema econômico da Inglaterra e consequentemente dos Estados Unidos através da simples desobediência civil. A população indiana, insatisfeita com a política dos americanos, simplesmente não comprava mais produtos têxteis da Inglaterra. Ghandi não praticou violência alguma. Aliás, nenhum movimento social precisa ser burro, a exemplo de muitos no Brasil, do tipo que invade o que é alheio, depreda prédios ou quebra vidraças. Afinal, isso não é o mesmo que consciência, é mais ausência de educação e pensamento crítico. O boicote do consumidor deve ser a seletividade, individual e coletiva.

Atualmente, além da preocupação com as questões climáticas, o consumo desenfreado precisa ser revisto em face ao aumento populacional que sobrecarrega o planeta, que por volta de 2050 chegará a 9 bilhões de pessoas. Foi-se o tempo que a questão relativa às mudanças climáticas era apenas um tema de interesse de ambientalistas. Atualmente, todos os setores começam a perceber que a economia real pode ser afetada gravemente se não for estabelecido um novo paradigma de produção e de ganho.

A relação das mudanças climáticas com a construção civil, com o uso da terra e também com a energia, a alimentação e a saúde, enfim, com todos os estilos de vida da população, é direta. Na América Latina, por exemplo, média de 75% da população vive em grandes cidades, sem contato próximo nem controle sobre a produção de alimentos. Por isso é importante que quem consome passe a se importar mais com o que leva para casa e se torne mais seletivo. E para quem exerce a cidadania, exercer a escolha sustentável é atitude.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

Nenhum comentário: