Total de visualizações de página

quinta-feira, 8 de maio de 2014

ALERTA DO CLIMA
Artigo de Jair Donato*

O alerta de que as mudanças climáticas podem custar a humanidade mais caro do que ela pensa, parece ainda não ter sido entendido. Mas, as catástrofes do clima estão acontecendo em proporções desoladoras nos vários continentes. O grave de tudo é que o que tiver de ser feito tem que ser agora. A garantia da sobrevida destas e das gerações vindouras não depende de mega projetos para o futuro, e sim de ações firmes, sustentáveis e concretas de forma que todos se comprometam com essa causa, já, que antes de tudo, começa dentro de casa, na atitude.

Se nada for feito, poderá custar muito mais caro ao mundo do que foi a primeira e a segunda guerra mundial juntas, além de todo o prejuízo econômico já ocorrido, esse é um alerta dos cientistas. Calcular o preço do planeta, embora os ecoeconomistas simulam prováveis cálculos, é complexo. Porém, a perda dos valores dos recursos naturais é crescente. A ação do homem foi tão degradante em todo o século XX, e continua sendo, que parte do meio ambiente natural que ainda existe, mesmo diante de tentativas de preservação e conservação, já está condenada, como apontam os estudos sobre a Amazônia, que inevitavelmente entrará em período crítico de estiagem a partir do ano de 2025.

Segundo o economista Nicholas Stern, que conduz estudos sobre impacto econômico das mudanças climáticas, se as iniciativas corretas fossem tomadas agora, o custo seria apenas de 1% do PIB mundial. Ele alerta ainda que os pobres em todo o mundo são os que mais vão sofrer. Por volta de 2080, mais de 1,8 bilhão de pessoas viverão com racionamento, mais de 600 milhões sofrerão por escassez de alimentos e quase meio bilhão estão expostos à malária. Culturas inteiras perderão as próprias identidades, a exemplo dos moradores da Ilha de Tuvalu, no pacífico Sul, que se viram diante da perda de tudo que tinham ao serem invadidos pela água marítima. Os refugiados ambientais serão uma situação-problema para os demais países, inclusive os mais desenvolvidos que não estarão fora dos impactos, até porque são os que mais poluem.

Contudo, a questão ambiental é uma crise com devidas vantagens. Para quem tem visão e disposição para fazer diferente, esse é um momento de criar novas oportunidades, de inovar, de reaproveitar, de reciclar, de repensar. Mudança de paradigma no que se refere às questões climáticas não é modismo, definitivamente. Para todos, seja do primeiro, segundo ou terceiro setor, se trata de tendência e dever ser contida nos planejamentos estratégicos.

Há um emergente mercado de tecnologias sustentáveis, ligado a produção de energia limpa, gestão de resíduos, despoluição e tratamento de água, e controle de poluição que promete se consolidar, inclusive no Brasil. Surge um novo paradigma de produção sustentável e de consumo que exige uma transformação, antes cultural. O que sempre foi disponibilizado às custas da exploração começa a ser redefinido, porque o consumidor também está no processo do repensar cotidiano.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

Nenhum comentário: