Total de visualizações de página

sábado, 10 de maio de 2014

Consciência sustentável
Artigo de Jair Donato*

Entende-se por sustentabilidade, três principais dimensões. A dimensão da ecologia, que se trata da qualidade do meio ambiente, preservação e conservação dos recursos naturais.  Outro aspecto é o social, uma equidade com respeito aos valores culturais. E por fim, a dimensão econômica, responsável pelo aspecto rentabilidade. O respeito a essas condições significa uma considerável redução de riscos e de certificação da capacidade de agregar valor em médio e longo prazo, para esta e para as futuras gerações.

O foco dos indicadores de sustentabilidade deve ser veemente no monitoramento dessas três dimensões: ambiental, sociocultural e econômica. Segundo o físico austríaco Fritjof Capra, da transição atual para um futuro sustentável não se trata apenas um problema técnico ou conceitual. É antes, uma questão de valores, vontade política e também de liderança. Capra apresenta a visão de que uma sociedade sustentável é aquela que não interfere na habilidade inerente à natureza de sustentar a vida.

O crescimento econômico e principalmente o populacional, até 2100, certamente provocará um impacto ainda incalculável, porém certeiro, na emissão de CO2 no planeta, se não forem tomadas sérias medidas de redução do gás carbônico, o que ainda é o desafio para muitas nações. O papel do governo e do mundo corporativo, com o apoio do terceiro setor e o aval da base científica, é dar mais atenção a esse desafio coletivo, possivelmente o maior desde o início da história da humanidade. No entanto, o apoio definitivo para uma mudança no estilo de vida de todos vai depender muito da disposição de cada um em prol das questões sustentáveis.

Quanto à redução de gases do efeito estufa, recentemente em Varsóvia, na Conferência do Clima da ONU, COP 19, foi alcançado um acordo de princípios para ser firmado como comprometimento da comunidade internacional na Conferência de 2015, que será em Paris, para entrar em vigor em 2020, cujo objetivo é limitar o aquecimento do planeta a 2°C em relação ao período pré-industrial. É mais uma tentativa, e isso é duvidoso. Afinal, já houve formulação até mais rigorosa que esta nas conferencias anteriores, porém rejeitada por grandes países emergentes, a exemplo da China e da Índia. Espera-se uma mínima consciência desta vez por parte dos governantes, visto que o aquecimento exacerbado da Terra não se trata de modismos nem fraude, como queriam os opositores às mudanças do clima. Todos estão diante de algo sério.

Contudo, as constantes mudanças de valores e crenças que ocorrem na velocidade atual exigem remodelagens conceituais e práticas no mundo, seja nos negócios ou na administração pública. Daqui por diante, é preciso mudança acima de tudo, no cotidiano de cada cidadão. O que se espera é a compreensão individual e coletiva, a começar pela sensibilização sobre o uso e o consumo que compete a cada um, no contexto atual, crítico ambientalmente. Afinal não será apenas pela via da política que as mudanças necessárias deverão ocorrer.

Acredito que a via da educação pode ser o caminho mais oportuno e com uma base sustentável que garanta a permanência bem sucedida das gerações futuras. As crianças de hoje, que ouvem e praticam lições ambientais dentro de sala de aula, como laboratório, ao se tornarem os gestores nas décadas seguintes, certamente entenderão isso com mais profundidade; percepção que as gerações de todo o século XX não conseguiram. Afinal, o mundo está diante de uma situação que exige atitude, mais que política, pois essa é uma questão moral. Os fatos comprovam e os alertas oportunizam o que ainda pode ser feito, agora.

*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

Nenhum comentário: