Consciência sustentável
Artigo de Jair Donato*
Entende-se
por sustentabilidade, três principais dimensões. A dimensão da ecologia, que se
trata da qualidade do meio ambiente, preservação e conservação dos recursos
naturais. Outro aspecto é o social, uma equidade
com respeito aos valores culturais. E por fim, a dimensão econômica, responsável
pelo aspecto rentabilidade. O respeito a essas condições significa uma
considerável redução de riscos e de certificação da capacidade de agregar valor
em médio e longo prazo, para esta e para as futuras gerações.
O
foco dos indicadores de sustentabilidade deve ser veemente no monitoramento dessas
três dimensões: ambiental, sociocultural e econômica. Segundo o físico
austríaco Fritjof Capra, da transição atual para um futuro sustentável não se
trata apenas um problema técnico ou conceitual. É antes, uma questão de
valores, vontade política e também de liderança. Capra apresenta a visão de que
uma sociedade sustentável é aquela que não interfere na habilidade inerente à
natureza de sustentar a vida.
O
crescimento econômico e principalmente o populacional, até 2100, certamente provocará
um impacto ainda incalculável, porém certeiro, na emissão de CO2 no planeta, se
não forem tomadas sérias medidas de redução do gás carbônico, o que ainda é o
desafio para muitas nações. O papel do governo e do mundo corporativo, com o
apoio do terceiro setor e o aval da base científica, é dar mais atenção a esse
desafio coletivo, possivelmente o maior desde o início da história da
humanidade. No entanto, o apoio definitivo para uma mudança no estilo de vida
de todos vai depender muito da disposição de cada um em prol das questões
sustentáveis.
Quanto à redução de gases do efeito estufa,
recentemente em Varsóvia, na Conferência do Clima da ONU, COP 19, foi alcançado
um acordo de princípios para ser firmado como comprometimento da comunidade
internacional na Conferência de 2015, que será em Paris, para entrar em vigor
em 2020, cujo objetivo é limitar o aquecimento do planeta a 2°C em relação ao
período pré-industrial. É mais uma tentativa, e isso é duvidoso. Afinal, já
houve formulação até mais rigorosa que esta nas conferencias anteriores, porém
rejeitada por grandes países emergentes, a exemplo da China e da Índia.
Espera-se uma mínima consciência desta vez por parte dos governantes, visto que
o aquecimento exacerbado da Terra não se trata de modismos nem fraude, como
queriam os opositores às mudanças do clima. Todos estão diante de algo sério.
Contudo,
as constantes mudanças de valores e crenças que ocorrem na velocidade atual
exigem remodelagens conceituais e práticas no mundo, seja nos negócios ou na
administração pública. Daqui por diante, é preciso mudança acima de tudo, no
cotidiano de cada cidadão. O que se espera é a compreensão individual e
coletiva, a começar pela sensibilização sobre o uso e o consumo que compete a
cada um, no contexto atual, crítico ambientalmente. Afinal não será apenas pela
via da política que as mudanças necessárias deverão ocorrer.
Acredito
que a via da educação pode ser o caminho mais oportuno e com uma base
sustentável que garanta a permanência bem sucedida das gerações futuras. As
crianças de hoje, que ouvem e praticam lições ambientais dentro de sala de
aula, como laboratório, ao se tornarem os gestores nas décadas seguintes,
certamente entenderão isso com mais profundidade; percepção que as gerações de
todo o século XX não conseguiram. Afinal, o mundo está diante de uma situação
que exige atitude, mais que política, pois essa é uma questão moral. Os fatos
comprovam e os alertas oportunizam o que ainda pode ser feito, agora.

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