PERDÃO, COISA DE GENTE GRANDE
Quero abordar
sobre um assunto relevante para a qualidade de vida do ser humano e que desde o
século XX extrapolou os ambientes religiosos. Hoje é um dos principais temas
discutidos e pesquisados nos laboratórios científicos das melhores
universidades do mundo. Trata-se do perdão e a relação direta que ele possui
com a saúde física e mental do homem. Há um caráter científico que explica que
além da saúde, também o sucesso no mundo dos negócios e no trabalho dependem de
um bom relacionamento.
Uma das sandices
existentes no senso comum é afirmar que um ser humano não pode perdoar o outro.
“Isso é só Deus que O faz”, afirmam tantos, declarando uma falsa e hipócrita
modéstia. Tal crença mais parece um esquivo do erro cometido, talvez por ser
mais cômodo deixar que o outro resolva os próprios problemas, mesmo que seja
uma divindade. Denota-se certo grau de insanidade no indivíduo que se permite
encher o coração de mágoa ou ainda o que ressente profundamente a outrem, abrir
a boca para dizer que somente “Deus perdoa”. Ora, quem pode e precisa perdoar,
assim como ser perdoado é o próprio homem. A lógica é simples. Parte do próprio
coração dele esse sentimento fétido chamado rancor, mágoa ou ressentimento, que
é mais poderoso do que a bomba atômica ou qualquer outro armamento bélico já
inventado. Certa vez disse um sábio pensador que “Odiar é como tomar um copo de
veneno e esperar que o outro morra”.
Perdoar é um
recurso reparador de quem odeia, e isso é prodígio da mente humana. Perdão é o
outro lado da mesma moeda, de quem odeia ou ressente-se. É a solução que
elimina o ressentimento, que é uma criação do ser humano, e, por sinal, está
dentro dele mesmo. Perdoar não é necessidade nem interesse de Deus – Ele está
acima disso, deve ser interesse do homem. É claro que as pessoas que possuem
fé, podem promover o perdão de si mesmas e dos outros mais rapidamente, embora
essa não seja a única via, se não houver a educação do próprio comportamento.
Afinal, eliminar a mágoa é uma conta que cada um tem que ver consigo, e não
esperar que outros resolvam, nem Deus.
Segundo o
psicólogo americano dr. Frederic Luskin,
criador do Projeto para o Perdão, da Universidade de Stanford, ao desculpar as
pessoas, desencadeia-se uma reação que mantém o bem-estar, garantindo o
controle das doenças. Pesquisas conduzidas pelo dr. Luskin, mostram que culpar
os outros ou apegar-se às mágoas estimulam o organismo a liberar na corrente
sanguínea as mesmas substâncias químicas associadas ao stress que prejudicam o
corpo. Com o tempo, o acúmulo de compostos nocivos gerados por esses
sentimentos causa danos ao sistema nervoso, diminuindo a imunidade. Diz também o estudo que apegar-se a mágoas
torna a vida profissional desorganizada e quem assim age toma decisões
equivocadas. Comprovou-se que a mágoa tem o poder de criar um
desenvolver doenças como o câncer com exata precisão e muitos outros tipos de
tumores. Além disso, problemas
cardiovasculares, o risco de sofrer um derrame, levando-o à morte, além
da destruição psicomental ocasionada na mente de quem abriga esse tipo de sentimento.
Diz ainda dr. Luskin que o perdão também é para os pequenos problemas: se
o cliente não retorna a ligação, perdoe. Se alguém rouba o seu cliente, perdoe.
Se sua mulher briga porque você está atrasado para o jantar, perdoe. “Perdoar
não é esquecer. Perdoar é viver em paz. O exercício do
perdão é uma forma de evitar esses males”,
conclui.
Há duas
competências que auxiliam o desenvolvimento do perdão, tanto no mundo dos
negócios como nas relações sociais e na família. São elas a resiliência e a
assertividade. Quem não as possui pode passar a vida inteira “engolindo sapo” e
se sentindo vítimas do destino, ressentindo-se a cada adversidade. Isso gera
mágoas e somente quem é capaz de estabelecer conexões com uma vida de qualidade
através do perdão, pode viver melhor. O maior entrave para estabelecer o perdão
é que as pessoas resistem a livrarem de si mesmas as amarras que os prendem ao
rancor e as decepções. É bom lembrar que perdoar não é tornar o outro impune, é
antes eliminar de si mesmo o que entrava o próprio destino. Que tal aprender a
pedir mais desculpas, arrepender-se mais vezes e mudar de caminho, pedir perdão
a ser mais feliz? Afinal, perdoar é antes de tudo um ato de inteligência, é habilidade
de gente grande.
*Jair Donato - Jornalista em
Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário,
especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

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