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sexta-feira, 23 de maio de 2014

PERDÃO, COISA DE GENTE GRANDE
Artigo de Jair Donato*

Quero abordar sobre um assunto relevante para a qualidade de vida do ser humano e que desde o século XX extrapolou os ambientes religiosos. Hoje é um dos principais temas discutidos e pesquisados nos laboratórios científicos das melhores universidades do mundo. Trata-se do perdão e a relação direta que ele possui com a saúde física e mental do homem. Há um caráter científico que explica que além da saúde, também o sucesso no mundo dos negócios e no trabalho dependem de um bom relacionamento.

Uma das sandices existentes no senso comum é afirmar que um ser humano não pode perdoar o outro. “Isso é só Deus que O faz”, afirmam tantos, declarando uma falsa e hipócrita modéstia. Tal crença mais parece um esquivo do erro cometido, talvez por ser mais cômodo deixar que o outro resolva os próprios problemas, mesmo que seja uma divindade. Denota-se certo grau de insanidade no indivíduo que se permite encher o coração de mágoa ou ainda o que ressente profundamente a outrem, abrir a boca para dizer que somente “Deus perdoa”. Ora, quem pode e precisa perdoar, assim como ser perdoado é o próprio homem. A lógica é simples. Parte do próprio coração dele esse sentimento fétido chamado rancor, mágoa ou ressentimento, que é mais poderoso do que a bomba atômica ou qualquer outro armamento bélico já inventado. Certa vez disse um sábio pensador que “Odiar é como tomar um copo de veneno e esperar que o outro morra”.

Perdoar é um recurso reparador de quem odeia, e isso é prodígio da mente humana. Perdão é o outro lado da mesma moeda, de quem odeia ou ressente-se. É a solução que elimina o ressentimento, que é uma criação do ser humano, e, por sinal, está dentro dele mesmo. Perdoar não é necessidade nem interesse de Deus – Ele está acima disso, deve ser interesse do homem. É claro que as pessoas que possuem fé, podem promover o perdão de si mesmas e dos outros mais rapidamente, embora essa não seja a única via, se não houver a educação do próprio comportamento. Afinal, eliminar a mágoa é uma conta que cada um tem que ver consigo, e não esperar que outros resolvam, nem Deus.

Segundo o psicólogo americano dr. Frederic Luskin, criador do Projeto para o Perdão, da Universidade de Stanford, ao desculpar as pessoas, desencadeia-se uma reação que mantém o bem-estar, garantindo o controle das doenças. Pesquisas conduzidas pelo dr. Luskin, mostram que culpar os outros ou apegar-se às mágoas estimulam o organismo a liberar na corrente sanguínea as mesmas substâncias químicas associadas ao stress que prejudicam o corpo. Com o tempo, o acúmulo de compostos nocivos gerados por esses sentimentos causa danos ao sistema nervoso, diminuindo a imunidade. Diz também o estudo que apegar-se a mágoas torna a vida profissional desorganizada e quem assim age toma decisões equivocadas. Comprovou-se que a mágoa tem o poder de criar um desenvolver doenças como o câncer com exata precisão e muitos outros tipos de tumores. Além disso, problemas cardiovasculares, o risco de sofrer um derrame, levando-o à morte, além da destruição psicomental ocasionada na mente de quem abriga esse tipo de sentimento.

Diz ainda dr. Luskin que o perdão também é para os pequenos problemas: se o cliente não retorna a ligação, perdoe. Se alguém rouba o seu cliente, perdoe. Se sua mulher briga porque você está atrasado para o jantar, perdoe. “Perdoar não é esquecer. Perdoar é viver em paz. O exercício do perdão é uma forma de evitar esses males”, conclui.

Há duas competências que auxiliam o desenvolvimento do perdão, tanto no mundo dos negócios como nas relações sociais e na família. São elas a resiliência e a assertividade. Quem não as possui pode passar a vida inteira “engolindo sapo” e se sentindo vítimas do destino, ressentindo-se a cada adversidade. Isso gera mágoas e somente quem é capaz de estabelecer conexões com uma vida de qualidade através do perdão, pode viver melhor. O maior entrave para estabelecer o perdão é que as pessoas resistem a livrarem de si mesmas as amarras que os prendem ao rancor e as decepções. É bom lembrar que perdoar não é tornar o outro impune, é antes eliminar de si mesmo o que entrava o próprio destino. Que tal aprender a pedir mais desculpas, arrepender-se mais vezes e mudar de caminho, pedir perdão a ser mais feliz? Afinal, perdoar é antes de tudo um ato de inteligência, é habilidade de gente grande.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

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