QUESTÃO DE EDUCAÇÃO
O que
pode ser de fato, educação? Penso que não seja uma condição que venha apenas
“de berço”, pois ela pode ser adquirida. Mas, isso é algo que vem de dentro. Vivo
em ambiente acadêmico e tenho gosto pela atuação com educador. Contudo, quero
abordar aqui sobre alguns aspectos da educação por uma ótica além dos limites
do ambiente de ensino formal. Afinal, tudo em nossa história, individual e
coletiva, é o resultado da forma como somos educados. É preciso educar-se para
viver em harmonia, ter saúde, bem-estar, tranquilidade, crescimento pessoal e
tornar-se bem sucedido, até para desenvolver a espiritualidade.
É a falta de educação que arruína
o destino do homem, quando ele deixa de agir com leveza no trato ao próximo e a
si mesmo. Mesmo que uma pessoa cumpra todas as regras de etiqueta ou normas sociais,
se ela age com dureza no coração, aspereza nas palavras ou sarcasmos nas
atitudes, então não há uma educação pautada na moral da boa convivência. Dar
risadas hilárias só nos momentos que estiver com estranhos ou fora do convício
íntimo, e, no entanto manter o cenho fechado às pessoas próximas, isso é falta
de uma educação genuína. Educação é aprendizado. É preciso ser educado para
lidar com as dificuldades e delas extrair o melhor de si mesmo.
Quem não se educa então se rebela
ante ao que não atende às próprias expectativas. Seja dentro das organizações, na
carreira profissional, como na família ou na vida social, se as pessoas
empobrecem, se tornam medíocres e por vezes sofrem perdas irreparáveis e até adoecem,
pode ser falta de educação. Estudos sobre pessoas bem sucedidas mostram que elas
são prósperas porque foram educadas para isso, não porque caíram do céu
quantias vultosas de dinheiro ou bens. Outros estudos mostram que quem ganha
muito dinheiro, e somente isso, sem possuir educação financeira, perde tudo em
pouco tempo. Esse mesmo princípio vale para a gestão nas empresas, os
relacionamentos interpessoais e com o meio ambiente em que vive.
Educar-se pelas as atitudes, antes
de tudo, é a propulsão que faz o ser humano enriquecer-se em nobreza de alma. Isso
o torna saudável, atrai a estima dos demais e o faz viver com melhor qualidade
de vida. Educação deve ser o sinônimo de leveza e fino trato nas relações
consigo, com o próximo, com os fatos e nas circunstâncias. Alguém que ciclicamente
bate uma porta ou soca um utensílio e destrata sem causa, é destituído da
educação do bom senso. No entanto, apenas cuidar de algo ou tratar bem a quem
quer que seja, pela posição, classe social ou por próprio interesse, é agir
deslealmente com os valores do bem comum.
Respeitar normas, títulos, seguir
preceitos de etiqueta social ao sentar-se nos lugares adequados, apresentar
cumprimentos e fazer uso de utensílios apropriados, não é sinônimo de educação,
isso é convenção. Os títulos acadêmicos obtidos também não explicitam graus de
educação adquiridos, isso é formação. O ato de apenas fazer o uso da palavra
numa cerimônia, por exemplo, mesmo que se fale baixo, quase aos sussurros, nem
sempre condiz com sentimento de naturalidade, se ele não existir por dentro.
Fingir comportamento é algo deprimente para quem o faz e o torna deselegante na
consciência.
No entanto, penso que atentar-se
ao bem comum, tornar-se solidário, altruístico e primar pela ética, isso é agir
com educação. Desse ponto de vista, há analfabetos extremamente educados e bem
instruídos, em face de doutores e intelectuais que se tornam deselegantes. Disciplina,
paciência, compaixão, reciprocidade, bom humor, integridade, isso tudo
caracteriza a essência da educação. Ser educado é considerar o próximo, é antes
de tudo compreendê-lo, agir com sensibilidade. Educação, afinal, é nobreza da
alma. Uma pessoa verdadeiramente educada quando pede licença ou pede um favor,
solicita com o coração. Ela também agradece, pois sabe o poder que gera o
sentimento de gratidão, melhora o destino.
Mesmo que você não vença uma
discussão, nem atinja os resultados desejados, ou ainda que seja derrotado pela
adversidade e tenha que ceder espaço para outro, retire-se com educação. Pois
mostrar-se elegante apenas nos momentos de ganho ou de conveniência, parece uma
moral mesquinha. É por essa razão que nem sempre as pessoas sofrem por não
possuírem algo, mas por não terem sido educadas para viverem com sentimento
natural.
Diz um dito popular que se alguém
o trata bem, mas se essa mesma pessoa é grosseira com o garçom, não deve ser
uma boa pessoa.
Afinal, o homem se torna o resultado daquilo que
a educação faz dele. Viva com educação.
Jair
Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas,
professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de
Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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