VOCÊ SABE QUEM É SEU CONCORRENTE?
Artigo de Jair Donato*
Se lhe
perguntasse sobre um forte concorrente que teve as empresas aéreas na última
década, o que você diria? Certamente poderia vir à sua cabeça respostas como
aeronaves mais sofisticadas ou qualquer outro meio de transporte rápido,
aumento da frota terrestre, enfim. Grande engano! Qualquer resposta no sentido
cartesiano pode ser mais fácil quando surge um desafio, o que nem sempre faz
parte da solução. Chegou a hora de mudar o paradigma. Foi a teleconferência, que
seguida da telepresença, em tempos de holograma que fez com que muitos
executivos trocassem antigas estratégias pelas soluções via internet.
É
isso aí, os equipamentos multimídias passaram a concorrer diretamente com as
aeronaves. Quem diria! Centenas de executivos simplesmente trocaram viagens
distantes, às vezes enfadonhas, por reuniões interativas, via satélite. E, com
menor risco e maior economia para as empresas, atualmente na cifra de milhões
em dólares anualmente. Contratações, demissões, promoções e negócios vultosos
são realizados virtualmente. Essa é uma característica do mundo em que aumenta
cada vez mais intimidade com a tecnologia, frente à eminente gestão da geração
Z.
O
que mudou no mundo foi o conceito de concorrência. Até há bem pouco tempo,
concorrente era aquele que abria um comércio no mesmo segmento que o outro.
Hoje, na era em que o consumidor praticamente não compra mais produtos, ele
compra serviços, o diferencial está agilidade e nas novas formas de atender as
necessidades dele. Apenas o segmento, pouco importa ao cliente. Praticamente
tudo fora da empresa, e fora dela, pode ser um concorrente, especialmente a
rapidez e agilidade efetiva no atendimento.
Outra
característica que mudou na concorrência foi a localização. Ela já não é mais
geográfica. Ou seja, concorrente antes era o comerciante que abria um
estabelecimento na frente do outro, ao lado ou na rua de trás. Agora, o
concorrente é virtual, ele pode está do outro lado do mundo. Em apenas um
clique o cliente troca um pelo outro. Fidelidade é coisa cada vez mais séria e
criteriosa.
A
melhor saída para essa situação talvez seja considerar todos os segmentos como
aliados, estabelecer parcerias e gerar marketing de relacionamento, por
excelência. E como dizia Aristóteles, que a excelência não é um feito, e sim um
hábito. Essa é a importância da efetividade no exímio tratamento ao cliente.
Segundo
Charles Darwin: “Não é a mais forte nem a maior das espécies a que sobrevive na
natureza. Mas sim aquela que mais se adapta às mudanças”. Temos o exemplo das baratas que estão em toda
parte porque resistiram às transformações, no decorrer do tempo, desde há
milhões de anos, e continuarão existindo, mesmo ante as alterações climáticas.
E os dinossauros, cadê eles? Por que sumiram todos? Afinal, eram tão fortes e
enormes. Mas, certamente pouco móveis e ágeis. Faltou adaptabilidade.
O
mesmo ocorre com as empresas. Atualmente, existem corporações flexíveis com
faturamentos espetaculosos, com sede em cubículos físicos e um número ínfimo de
funcionários. Grandes empresas já não são sinônimas de volume de matéria prima
e de espaço físico. Não é medida só por área construída, número da frota de
veículos, tampouco por enormes quadros de funcionários. Essa foi a mudança do
paradigma da tangibilidade.
Talvez
as melhores lições que os gestores podem tirar da constatação darwinista, sejam
a flexibilidade e a adaptabilidade. Para quem ainda não sabe o significado
destas palavras, basta entender que o contrário delas pode significar o
desaparecimento do profissional ou da empresa no mercado atual, altamente
competitivo. Trata-se de características comportamentais, que um século após a
Era da administração de Taylor, são cruciais para manter a empregabilidade e o
empreendedorismo.
Hoje,
no mercado, não é o mais forte que vence o mais fraco, nem o maior que sobrepõe
ao menor; é o mais veloz que ultrapassa o mais lento. Agora, pense de outra
forma também. O concorrente pode não ser o outro. Pode ser você mesmo.
Portanto, inove, mude, flexibilize. Mudar é bom, transforma.
Contudo,
lembre-se que mudar é preciso e sempre que necessário, porém não abra mão de
ser estratégico frente a toda e qualquer mudança proposta. Tampouco esqueça dos
seus valores. Pois nesse cenário de mutação contínua, quase tudo pode ser
negociável, menos a ética, a transparência o seu caráter ou a reputação da sua
organização. Afora isso, mude o resto, sempre é tempo.
Jair Donato - Jornalista em
Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário,
especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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