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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

VOCÊ SABE QUEM É SEU CONCORRENTE?
Artigo de Jair Donato* 

Se lhe perguntasse sobre um forte concorrente que teve as empresas aéreas na última década, o que você diria? Certamente poderia vir à sua cabeça respostas como aeronaves mais sofisticadas ou qualquer outro meio de transporte rápido, aumento da frota terrestre, enfim. Grande engano! Qualquer resposta no sentido cartesiano pode ser mais fácil quando surge um desafio, o que nem sempre faz parte da solução. Chegou a hora de mudar o paradigma. Foi a teleconferência, que seguida da telepresença, em tempos de holograma que fez com que muitos executivos trocassem antigas estratégias pelas soluções via internet.

É isso aí, os equipamentos multimídias passaram a concorrer diretamente com as aeronaves. Quem diria! Centenas de executivos simplesmente trocaram viagens distantes, às vezes enfadonhas, por reuniões interativas, via satélite. E, com menor risco e maior economia para as empresas, atualmente na cifra de milhões em dólares anualmente. Contratações, demissões, promoções e negócios vultosos são realizados virtualmente. Essa é uma característica do mundo em que aumenta cada vez mais intimidade com a tecnologia, frente à eminente gestão da geração Z.

O que mudou no mundo foi o conceito de concorrência. Até há bem pouco tempo, concorrente era aquele que abria um comércio no mesmo segmento que o outro. Hoje, na era em que o consumidor praticamente não compra mais produtos, ele compra serviços, o diferencial está agilidade e nas novas formas de atender as necessidades dele. Apenas o segmento, pouco importa ao cliente. Praticamente tudo fora da empresa, e fora dela, pode ser um concorrente, especialmente a rapidez e agilidade efetiva no atendimento.

Outra característica que mudou na concorrência foi a localização. Ela já não é mais geográfica. Ou seja, concorrente antes era o comerciante que abria um estabelecimento na frente do outro, ao lado ou na rua de trás. Agora, o concorrente é virtual, ele pode está do outro lado do mundo. Em apenas um clique o cliente troca um pelo outro. Fidelidade é coisa cada vez mais séria e criteriosa.

A melhor saída para essa situação talvez seja considerar todos os segmentos como aliados, estabelecer parcerias e gerar marketing de relacionamento, por excelência. E como dizia Aristóteles, que a excelência não é um feito, e sim um hábito. Essa é a importância da efetividade no exímio tratamento ao cliente.

Segundo Charles Darwin: “Não é a mais forte nem a maior das espécies a que sobrevive na natureza. Mas sim aquela que mais se adapta às mudanças”.  Temos o exemplo das baratas que estão em toda parte porque resistiram às transformações, no decorrer do tempo, desde há milhões de anos, e continuarão existindo, mesmo ante as alterações climáticas. E os dinossauros, cadê eles? Por que sumiram todos? Afinal, eram tão fortes e enormes. Mas, certamente pouco móveis e ágeis. Faltou adaptabilidade.

O mesmo ocorre com as empresas. Atualmente, existem corporações flexíveis com faturamentos espetaculosos, com sede em cubículos físicos e um número ínfimo de funcionários. Grandes empresas já não são sinônimas de volume de matéria prima e de espaço físico. Não é medida só por área construída, número da frota de veículos, tampouco por enormes quadros de funcionários. Essa foi a mudança do paradigma da tangibilidade.

Talvez as melhores lições que os gestores podem tirar da constatação darwinista, sejam a flexibilidade e a adaptabilidade. Para quem ainda não sabe o significado destas palavras, basta entender que o contrário delas pode significar o desaparecimento do profissional ou da empresa no mercado atual, altamente competitivo. Trata-se de características comportamentais, que um século após a Era da administração de Taylor, são cruciais para  manter a empregabilidade e o empreendedorismo.

Hoje, no mercado, não é o mais forte que vence o mais fraco, nem o maior que sobrepõe ao menor; é o mais veloz que ultrapassa o mais lento. Agora, pense de outra forma também. O concorrente pode não ser o outro. Pode ser você mesmo. Portanto, inove, mude, flexibilize. Mudar é bom, transforma.

Contudo, lembre-se que mudar é preciso e sempre que necessário, porém não abra mão de ser estratégico frente a toda e qualquer mudança proposta. Tampouco esqueça dos seus valores. Pois nesse cenário de mutação contínua, quase tudo pode ser negociável, menos a ética, a transparência o seu caráter ou a reputação da sua organização. Afora isso, mude o resto, sempre é tempo.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

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