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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

INCONSCIENTE, COMPORTAMENTO E LIDERANÇA
Artigo de Jair Donato*

Há quem talvez não entenda a razão de conviver com pessoas que não exercem saudavelmente a liderança como uma competência que agrega e influencia positivamente. Por que muita gente, embora saiba o que quer, não atinge resultados satisfatórios? É importante que cada pessoa conheça a si mesma através de constantes análises sobre os próprios movimentos no cotidiano, principalmente sobre os atos repetitivos. Eles atrapalham ou favorecem a conquista dos objetivos traçados? O que realmente você quer?

O autoconhecimento é fundamental para que o indivíduo conduza a vida de maneira entusiasta e fique atento aos possíveis processos de autossabotagens. Inconscientemente, o ser humano pode conduzir a própria vida para um caminho antagônico ao que deseja conscientemente e viver uma espécie de autopunição, daí passa o tempo minando os principais aspectos da vida que para ele representa valor, restando-lhe apenas resultados medíocres.

Portanto, é imprescindível que cada um estabeleça de maneira contínua uma autoavaliação sobre os hábitos que possui rotineiramente, se eles são construtivos, se a liderança que utiliza ao influenciar as pessoas é benéfica ou mascara os objetivos e referências conscientes que possui. Liderança é uma competência que se solidifica em três bases essenciais. A primeira é a estrutural-hierárquica, fácil de ser exercida pela maioria das pessoas, pois basta que haja indicação ou promoção dentro de uma organização. Em seguida, vem a estrutura racional-cognitiva, seguida da psicológica-emocional, sendo que essas duas últimas nem sempre atuam sincronizadas com a hierárquica.

Afinal, é grande o número de pessoas que ocupa posições de liderança, mas exerce uma influencia negativa, baseada apenas no poder, sem controle das próprias emoções. Além disso, o que provoca são lesões psicológicas nos demais, com pouca racionalidade e percepção distorcida. O que há no inconsciente pode se projetar a favor ou contra ao que for estabelecido como projeto de vida, pode atrair ou não os desejos bons e altruístas. Segundo o autor do livro “O Inconsciente na sua vida profissional”, Luiz Fernando Garcia, muitas vezes, por mais que conscientemente o indivíduo tente agir de outra forma, acaba seguindo um mesmo roteiro, ainda que esse roteiro possa lhe ser reconhecidamente prejudicial, a exemplo das compulsões do ego - comida, compras, jogo, sexo, etc.

Nós não podemos descartar o poder de escolha que todos temos, mas é incrível como padrões psíquicos e comportamentais podem ser repassados de pai para filho a ponto de serem cultivados em uma família durante várias gerações. Numa pesquisa pioneira sobre padrões de comportamento que levam as pessoas a prejudicarem as próprias carreiras, e como superá-los, apresentada pelos autores James Waldroop e Timothy Butler, no livro “Sucesso Máximo”, foram identificados os 12 hábitos que ameaçam a carreira profissional. O estudo retrata como as pessoas costumam sabotarem a vida profissional fazendo coisas que fazem com que sejam rebaixadas até o nível em que acham que devem estar. Há o relato do caso de uma pessoa que havia cometido uma série de gafes tão estúpidas que realmente conseguiu ser demitida. E não fez isso por nenhuma razão, como depois descobriram, a não ser pelo fato de se sentir que não pertencia ao ambiente onde estava.

Segundo Waldroop e Butler, muitas pessoas, em função da falta de autoestima, se sentem assim e, de forma sutil ou mais calamitosa, se autossabotam ou encontram formas de se autorrefrearem para nunca “sofrerem”. Elas simplesmente nunca sobem além do nível em que se sentem confortáveis. O indivíduo que não se sente suficientemente bom no trabalho que executa, com toda certeza vai levar esse sentimento para a vida pessoal. Há muitas manifestações possíveis desse padrão, desde sabotar os relacionamentos afetivos com parceiros adequados, que achamos que são “bons demais” para nós, até começar uma amizade com alguém a quem vemos como “acima de nós” em algum sentido.

Esse tipo de autossabotagem nunca é consciente. Ninguém acorda de manhã e diz: “Sabe, eu simplesmente não me sinto confortável no cargo de vice-presidente; portanto, acho que vou chegar no trabalho hoje e estragar tudo!”, complementam Waldroop e Butler . Por isso é importante um retrospecto, a avaliação de si mesmo para conseguir enxergar o que fez, e o fez por alguma razão poderosa, porém inconsciente, fora daquilo que foi programado no consciente.

Em grande parte, são os fatores do inconsciente, termo empregado por Freud, pai da psicanálise, que levam o ser humano a comportar-se ora como líder que influencia positivamente, ora como ditador. Tudo depende das referências internas que a pessoa possui sobre o ambiente em que vive, sobre os outros e sobre si. Por isso a autopercepção é o caminho para tornar consciente aquilo que está no inconsciente e assumir o leme da própria vida.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida; e cursa psicologia.  E-mail: jair@domnato.com.br

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