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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

NÃO SEJA UM PROMETEU
Artigo de Jair Donato*

Há uma síndrome que afeta grande parte das pessoas que se aventura trabalhar no comércio, especialmente nas áreas de vendas e atendimento. São pessoas que deixam muito a desejar no perfil que apresenta na hora de atender o cliente. É gente que cumpre horários como mero executor de tarefas, transita sem o interesse genuíno de um consultor. Gente que não mostra brilho nos olhos, tampouco sente orgulho pelo que faz.

Na mitologia grega houve um titã cujo nome era Prometeu. Ele gostava muito dos humanos e procurava agradá-los. Certa feita ele roubou o fogo dos céus, que simbolizava a sabedoria e a ciência, e deu aos homens. Ao saber do ato praticado por Prometeu, Zeus ficou enraivecido e mandou que o punisse com o castigo de ficar encadeado a uma rocha no pilar de Cáucaso, com mãos atadas por fortes correntes e uma leve túnica apenas envolvendo parte do corpo dele. Uma águia se aproximava do acorrentado diariamente bicava o fígado dele durante todo o dia.  

O fígado é um órgão do corpo humano que possui a capacidade de se regenerar. Então, a noite enquanto a água se retirava, a parte lesada do fígado de Prometeu começava a se regenerar. Mas, com o raiar do dia seguinte eis que surgia novamente a águia e o sofrimento dele continuava. Essa é uma analogia observada no comportamento do profissional que vive como um “Prometeu” no trabalho, como também nas relações interpessoais como um todo.

Questione a si mesmo. Em que área da sua vida você pode ser um ‘Prometeu’? Em que situação você se permite e deixa com que “comam-lhe o fígado” o dia inteiro, a semana toda, o ano e quem sabe isso pode vir ocorrendo há décadas? Há quem reclama do ambiente em que se encontra, do relacionamento que possui, fala da insanidade que vive no local de trabalho, no entanto, se deixa acorrentar a essa situação sem atitude alguma que o desenlace dela, só reclama. Há quem vive num relacionamento doentio com o parceiro ou numa relação de assedio e constrangimento com o chefe no trabalho, e não se esforça nem se expõe à mudança.

Já ouviu alguma dessas expressões? “Ah, estou aqui para cumprir ordens”, “Faço só o que me pedem”, “Faço a minha parte” “Eu estava esperando você pedir”, “Se você quer assim” ou “Fazer o que né”. Pode ser que estejam carregadas de um sentimento de incapacidade para fazer diferente, expondo-se ao determinismo e subjugação dos outros.

Também há outro número de pessoas que faz o que não agrada a si mesmo, mas que faz pelo dinheiro, pelo poder, status ou por algum outro motivo que não corresponda ao ideal interno, tampouco à aptidão inerente. Isso pode ocorrer por falta de habilidades necessárias para almejar aquilo que de fato contribui para a autorrealização, enquanto profissional. Daí é quando se aventuram pela vida a desempenhar quaisquer atividades, o que não deixa de ser uma forma de acorrentar-se a mesmice, à zona de conforto.

Há quem se acorrenta nas crenças limitantes que possui e das que lhe impõem e delas não se liberta facilmente, deixando de crescer na carreira, evoluir na vida ou ter uma mentalidade mais aberta, menos preconceituosa, mais livre e benéfica a si mesmo. Enfim, o que pode propulsionar esse desvencilhamento pode ser o ato de se questionar. Em que área da sua vida você pode ser um “Prometeu”? Talvez essa seja uma boa reflexão para o aumento da vitalidade dos seus relacionamentos e do crescimento na sua carreira.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

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