NÃO SEJA UM PROMETEU
Artigo de Jair Donato*
Há uma síndrome que afeta grande parte das pessoas que se aventura
trabalhar no comércio, especialmente nas áreas de vendas e atendimento. São
pessoas que deixam muito a desejar no perfil que apresenta na hora de atender o
cliente. É gente que cumpre horários como mero executor de tarefas, transita sem
o interesse genuíno de um consultor. Gente que não mostra brilho nos olhos, tampouco
sente orgulho pelo que faz.
Na mitologia grega houve um titã cujo nome era Prometeu. Ele gostava
muito dos humanos e procurava agradá-los. Certa feita ele roubou o fogo
dos céus, que simbolizava a sabedoria e a ciência, e deu aos homens. Ao saber
do ato praticado por Prometeu, Zeus ficou enraivecido e mandou que o punisse
com o castigo de ficar encadeado a uma rocha no pilar de Cáucaso, com mãos
atadas por fortes correntes e uma leve túnica apenas envolvendo parte do corpo
dele. Uma águia se aproximava do acorrentado diariamente bicava o fígado dele durante
todo o dia.
O fígado é um órgão do corpo
humano que possui a capacidade de se regenerar. Então, a noite enquanto a água
se retirava, a parte lesada do fígado de Prometeu começava a se regenerar. Mas,
com o raiar do dia seguinte eis que surgia novamente a águia e o sofrimento dele
continuava. Essa é uma analogia observada no comportamento do profissional que
vive como um “Prometeu” no trabalho, como também nas relações interpessoais
como um todo.
Questione a si mesmo. Em que área
da sua vida você pode ser um ‘Prometeu’? Em que situação você se permite e
deixa com que “comam-lhe o fígado” o dia inteiro, a semana toda, o ano e quem
sabe isso pode vir ocorrendo há décadas? Há quem reclama do ambiente em que se
encontra, do relacionamento que possui, fala da insanidade que vive no local de
trabalho, no entanto, se deixa acorrentar a essa situação sem atitude alguma que
o desenlace dela, só reclama. Há quem vive num relacionamento doentio com o
parceiro ou numa relação de assedio e constrangimento com o chefe no trabalho,
e não se esforça nem se expõe à mudança.
Já ouviu alguma dessas
expressões? “Ah, estou aqui para cumprir ordens”, “Faço só o que me pedem”,
“Faço a minha parte” “Eu estava esperando você pedir”, “Se você quer assim” ou
“Fazer o que né”. Pode ser que estejam carregadas de um sentimento de
incapacidade para fazer diferente, expondo-se ao determinismo e subjugação dos
outros.
Também há outro número de pessoas
que faz o que não agrada a si mesmo, mas que faz pelo dinheiro, pelo poder,
status ou por algum outro motivo que não corresponda ao ideal interno, tampouco
à aptidão inerente. Isso pode ocorrer por falta de habilidades necessárias para
almejar aquilo que de fato contribui para a autorrealização, enquanto
profissional. Daí é quando se aventuram pela vida a desempenhar quaisquer
atividades, o que não deixa de ser uma forma de acorrentar-se a mesmice, à zona
de conforto.
Há quem se acorrenta nas crenças
limitantes que possui e das que lhe impõem e delas não se liberta facilmente,
deixando de crescer na carreira, evoluir na vida ou ter uma mentalidade mais
aberta, menos preconceituosa, mais livre e benéfica a si mesmo. Enfim, o que
pode propulsionar esse desvencilhamento pode ser o ato de se questionar. Em que
área da sua vida você pode ser um “Prometeu”? Talvez essa seja uma boa reflexão
para o aumento da vitalidade dos seus relacionamentos e do crescimento na sua carreira.
*Jair Donato - Jornalista em
Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário,
especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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