FOCO NA
COMUNICAÇÃO
Artigo de Jair Donato*
Conta-se
que havia um monge zen cujo nome era Hotan. Ele sempre ouvia atentamente as
preleções de um mestre. Na estreia das palestras, havia um público numeroso.
Mas, a pouco e pouco, nos dias seguintes, a sala se esvaziou, até que, um dia,
Hotan ficou só na sala com o mestre. Diante daquela cena, o mestre disse ao
discípulo que não poderia fazer a conferência só para ele, ademais estava
cansado. Hotan prometeu voltar no outro dia na espera de ter muita gente.
Porém, voltou só, não veio ninguém mais. Não obstante, ele disse ao mestre que
poderia fazer a conferência naquele dia, porque trouxera numerosa companhia. O
discípulo trouxe na ocasião muitas bonequinhas, que as espalhou pela sala.
O
mestre surpreendeu-se e disse a Hotan que aquilo era apenas um número de
bonecas, apena isso. Com efeito, respondeu-lhe Hotan que todas as pessoas que
ali vieram não eram mais do que bonecas também, pois não compreenderam patavina
dos ensinamentos ali apregoados. - Só eu
lhes compreendi a profundeza e a verdade, disse o discípulo ao mestre. E mesmo
que muita gente tivesse vindo, serviria tão somente de enchimento, decoração,
vazio sem fundo.
Esse
conto retrata duas facetas importantes no processo da comunicação, que são as
responsabilidades do emissor e do receptor. Há quem mediante o acesso a
mensagens fundamentais para próprio desenvolvimento ou cumprimento de
atividades inerentes aquilo a que se compromete, a tudo assiste de maneira
distraída, enquanto perde tempo e forclui grandes oportunidades de crescimento na
vida.
Por
outro lado, é de suma importância que o emissor, aquele que codifica uma
mensagem para ser transmitida, atente-se para que o conteúdo que deseja
transmitir seja adequado ao tempo, ao público e às necessidades do
interlocutor. Mesmo uma grande verdade, se não for adequadamente repassada,
perde o sentido. A competência em expressabilidade é muito valiosa para
externar aquilo que se sabe, é o que agrega valor. Existem doutores em
determinadas áreas que falham no momento de expressar o que sabe para formação
de outros profissionais. Há muita gente com boa intenção, mas que se comunica
mal nos relacionamentos.
Pode
ser que o tema não interesse a determinado público, pode ser ainda que a
linguagem não esteja adequada ao momento, mas se ela for estratégica, qualquer
assunto se torna interessante quando expresso por quem possui metodologia que
agrada a quem recebe. Grandes líderes da espiritualidade, a exemplo de Jesus e
Budha, se comunicavam por parábolas, transmitiam assuntos de tamanha
complexidade para a época, porém com uma singularidade ímpar que havia quem as
entendia. Embora, ainda hoje são incompreensíveis por muitos.
A
escritora brasileira Nélida Piñon, primeira mulher a presidir a Academia Brasileira
de Letras, afirma que é importante atentar-se com a
maneira de dizer, pois se você não alcançar essa maneira de dizer, é como se o
que quer dizer não existe. A simplicidade no processo de comunicação, o foco na
ideia central do que que deve ser transmitido importam mais do que o grau de
rebuscagem naquilo que que se comunica. Quem comunica deve sempre tomar conta
se a mensagem principal chegou ao alcance almejado.
*Jair Donato -
Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor
universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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