PEQUENOS HÁBITOS
Artigo de Jair Donato*
Diz um adágio popular que quando as formigas se juntam,
conseguem transportar até um elefante. A verdade é muito forte o poder
das pequenas ações quando repetidas constantemente no cotidiano. Até mesmo uma
montanha poderá ser transposta se um punhado de terra for retirado dela todos
os dias.
Conta-se que certa vez um
escritor que morava em uma tranquila praia, junto de uma colônia de pescadores,
ao caminhar pela manhã à beira do mar para se inspirar, viu um vulto que
parecia dançar. Ao chegar perto, ele reparou que se tratava de um garoto que
recolhia estrelas-do-mar da areia para jogá-las uma por uma de volta ao oceano.
Então o escritor o questionou sobre o motivo daquela atitude dele. Em seguida, ouviu
a explicação do jovem de que a maré estava baixa e o sol brilhando. Elas iriam
secar e morrerem se ficassem a esmo ali na areia.
Foi aí que o escritor espantou-se
e disse: "Meu jovem, existem milhares de quilômetros de praias por este
mundo afora, e centenas de milhares de estrelas-do-mar espalhadas pela praia.
Que diferença faz? Você joga umas poucas de volta ao oceano. A maioria vai
perecer de qualquer forma”. Então o jovem pegou mais uma estrela na praia, a jogou
de volta ao oceano, olhou para o escritor e respondeu: "Para essa aqui eu
fiz a diferença”.
Naquela noite o escritor não
conseguiu escrever, sequer dormir. Pela manhã, voltou à praia, procurou o jovem
e uniu-se a ele, então juntos começaram a jogar estrelas-do-mar de volta ao oceano.
Eis aí o valor das pequenas ações
entrelaçadas pela efetividade. Pode-se considerar a essa analogia, os impactos
advindos das alterações climáticas, em que a humanidade se encontra diante de
uma oportunidade de mudança do próprio destino. É necessário cuidar com mais
afinco de ações práticas, seja em casa ou no trabalho, em prol do meio
ambiente. O mundo pode mudar mais rápido se todos se juntarem e contribuírem
para conter as consequências surgidas do superaquecimento da terra em escala
global através das microações semelhantes as que realizaram o escritor e o
garoto na praia.
Pequenas ações em prol do combate
a alta emissão de gases poluentes que engrossam a camada do efeito estufa podem
ser providas de maior senso ético e feitas sem muitos custos ou dificuldades; pois
isso é antes apenas questão de atitude. O mínimo ato de ler as indicações
ambientais que vêm nos rótulos dos produtos e privilegiar aqueles que forem
ecologicamente corretos já é considerável. Todos podem consumir menos, de forma
racional e consciente. Cada um pode contribuir sempre, mesmo com pouco.
É válido o simples ato de
consertar uma torneira ou apagar as luzes desnecessárias em um local. Cada cidadão
pode estabelecer um programa familiar sobre o cuidado com os resíduos domésticos.
Exemplos como a quantidade de entulhos e restos de materiais de construção, que
podem e devem ser reutilizados, reciclados e reintroduzidos na cadeia
produtiva, gerar renda e ainda beneficiar o social. Educar as crianças e
sensibilizar os adultos é o caminho, mas, antes cada um deve prover o exemplo,
assim ficará mais fácil convencê-los. Daqui por diante, quem não atender aos
padrões de necessidades sustentáveis, sofrerá grandes consequências que poderão
provocar o aumento do caos coletivo.
As mudanças climáticas como
efeito de tudo o que o homem provocou nos últimos anos é talvez o maior
obstáculo que a humanidade precisa transpor e conviver. Devemos repensar este
ritmo de vida que existe há centenas de anos. O fundamental é que haja mudança
no comportamento de cada um. Essa certamente será a medida mais eficaz que
todos podem tomar para viver melhor na Terra. E isso pode começar agora,
fazendo aquilo que estiver diante de cada um de nós. Você já fez a sua parte
hoje?
*Jair Donato - Jornalista em
Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário,
especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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