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terça-feira, 12 de agosto de 2014

PEQUENOS HÁBITOS
Artigo de Jair Donato*

Diz um adágio popular que quando as formigas se juntam, conseguem transportar até um elefante. A verdade é muito forte o poder das pequenas ações quando repetidas constantemente no cotidiano. Até mesmo uma montanha poderá ser transposta se um punhado de terra for retirado dela todos os dias. 

Conta-se que certa vez um escritor que morava em uma tranquila praia, junto de uma colônia de pescadores, ao caminhar pela manhã à beira do mar para se inspirar, viu um vulto que parecia dançar. Ao chegar perto, ele reparou que se tratava de um garoto que recolhia estrelas-do-mar da areia para jogá-las uma por uma de volta ao oceano. Então o escritor o questionou sobre o motivo daquela atitude dele. Em seguida, ouviu a explicação do jovem de que a maré estava baixa e o sol brilhando. Elas iriam secar e morrerem se ficassem a esmo ali na areia.

Foi aí que o escritor espantou-se e disse: "Meu jovem, existem milhares de quilômetros de praias por este mundo afora, e centenas de milhares de estrelas-do-mar espalhadas pela praia. Que diferença faz? Você joga umas poucas de volta ao oceano. A maioria vai perecer de qualquer forma”. Então o jovem pegou mais uma estrela na praia, a jogou de volta ao oceano, olhou para o escritor e respondeu: "Para essa aqui eu fiz a diferença”.

Naquela noite o escritor não conseguiu escrever, sequer dormir. Pela manhã, voltou à praia, procurou o jovem e uniu-se a ele, então juntos começaram a jogar estrelas-do-mar de volta ao oceano.

Eis aí o valor das pequenas ações entrelaçadas pela efetividade. Pode-se considerar a essa analogia, os impactos advindos das alterações climáticas, em que a humanidade se encontra diante de uma oportunidade de mudança do próprio destino. É necessário cuidar com mais afinco de ações práticas, seja em casa ou no trabalho, em prol do meio ambiente. O mundo pode mudar mais rápido se todos se juntarem e contribuírem para conter as consequências surgidas do superaquecimento da terra em escala global através das microações semelhantes as que realizaram o escritor e o garoto na praia.

Pequenas ações em prol do combate a alta emissão de gases poluentes que engrossam a camada do efeito estufa podem ser providas de maior senso ético e feitas sem muitos custos ou dificuldades; pois isso é antes apenas questão de atitude. O mínimo ato de ler as indicações ambientais que vêm nos rótulos dos produtos e privilegiar aqueles que forem ecologicamente corretos já é considerável. Todos podem consumir menos, de forma racional e consciente. Cada um pode contribuir sempre, mesmo com pouco.

É válido o simples ato de consertar uma torneira ou apagar as luzes desnecessárias em um local. Cada cidadão pode estabelecer um programa familiar sobre o cuidado com os resíduos domésticos. Exemplos como a quantidade de entulhos e restos de materiais de construção, que podem e devem ser reutilizados, reciclados e reintroduzidos na cadeia produtiva, gerar renda e ainda beneficiar o social. Educar as crianças e sensibilizar os adultos é o caminho, mas, antes cada um deve prover o exemplo, assim ficará mais fácil convencê-los. Daqui por diante, quem não atender aos padrões de necessidades sustentáveis, sofrerá grandes consequências que poderão provocar o aumento do caos coletivo.

As mudanças climáticas como efeito de tudo o que o homem provocou nos últimos anos é talvez o maior obstáculo que a humanidade precisa transpor e conviver. Devemos repensar este ritmo de vida que existe há centenas de anos. O fundamental é que haja mudança no comportamento de cada um. Essa certamente será a medida mais eficaz que todos podem tomar para viver melhor na Terra. E isso pode começar agora, fazendo aquilo que estiver diante de cada um de nós. Você já fez a sua parte hoje?


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

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