Total de visualizações de página

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

ABORTO DE UM SONHO

Artigo de Jair Donato* 

O aborto de uma criança é um ato considerado por muitos como atitude imoral e abominável, principalmente, quando ocorre em face da vaidade. É uma prática desprovida de senso ético e de amor próprio quando justificada por escolha estética. Mesmo sendo um ato legalizado em vários países, para quem possui princípios fortes sobre valorização à vida, continua sendo um crime. Mas, quem defende a esmo a prática do aborto, parece considerar apenas o tamanho minúsculo do feto, baseando-se possivelmente numa visão permeada de simplismo e materialista, diferença que não é justificável quando se trata do respeito à vida.

No entanto, a polêmica existente em torno desse tema se deve pelo fato de ser uma ocorrência ligada aos valores que cada um possui. Mas, seria mesmo essa a única forma de aborto provocada pelo homem? Seria esse o único aborto que tornaria o ser humano em vítima? O que faz o indivíduo viver no mundo sem autoexpressão e transitar pela linha da mediocridade, que pode durar a vida inteira? Existem outras formas de aborto à natureza humana. E uma delas se dá quando o homem perde a capacidade de cultivar o próprio sonho e vive sem a perspectiva de um ideal. São muitos os que encontram a oportunidade de nascer, e, após adultos, abortam o potencial latente neles. Isso ocorre quando o indivíduo deixa de acreditar na possibilidade, não se esforça o necessário, sequer pensa numa missão de vida. Confina-se num processo de autodestruição com a justificativa de que não possui sorte, ou sabe-se lá, Deus quisesse que fosse assim.

“Sonho” aqui discorrido, não se trata de fantasias ou processos psíquicos que ocorrem durante o sono. Falo do sonho delineado por meio de um projeto de vida mensurável. Você possui um? É um detentor de aspirações idealizadoras? Sabe qual é sua missão nesta vida? Tem uma visão de futuro? O que poderia trazer-lhe a sensação de autorrealização enquanto ser humano? Infelizmente, muitos abrem mão da própria razão de existir e desistem na primeira ou na segunda tentativa. Então, abortam a própria chance de autoexpressabilidade. Claro que esse não é um ato condenável por qualquer lei humana, mas destrói vidas, limita destinos e sucumbe a quem dele não sai.
           
Ora, o mundo atual não existiria se não houvesse os sonhadores, os que projetaram e acreditaram em grandes ideais. Podemos afirmar que a cultura atual, a interatividade social e tecnológica que possuímos é o resultado daqueles que sonharam no passado. Na vida, só há duas escolhas, seguir avante ou recuar. Regredir não significa desfazer ou desaprender o que já sabe. Basta ficar parado no tempo, sem atualização e novos aprendizados. Em tempos de globalização, quem corre, anda. E se anda, está parado.

Uma consulta ao Guines Book, revela o desbravamento de muitos sonhadores. A biografia dos líderes que deixaram os próprios nomes marcados na história comprova que todos eram fortes sonhadores. Tudo de prático e funcional que hoje está disponível é fruto da mente idealizadora dos predecessores e contemporâneos. A invenção do avião, da lâmpada, do automóvel, a cura de diversas doenças, tudo partiu da mente daqueles que um dia sonharam e dedicaram-se a nobres ideais.

Há pessoas que escolherem caminhos íngremes, quando decidiram seguir por qualquer caminho sem o escrúpulo de ferirem a si mesmos. São os profissionais frustrados que queriam ser médicos, por exemplo, mas, por algumas vezes reprovados no vestibular, fizeram outro alheio ao próprio ideal. Tomaram a famosa segunda opção como atalho. Terrível escolha. É como se nunca chegassem a lugar algum. É grande o número de advogados, arquitetos, professores, assistentes sociais e tantos outros profissionais que existem na sociedade, descontentes consigo mesmos, executando trabalhos sem afinidade com as aptidões que possuem, como se fossem impostores diplomados. Essa é uma das causas do estresse, mal comum no âmbito profissional do mundo competitivo. Tudo porque não lutaram até o fim, não se esforçaram mais um pouco.

A biografia de Thomas Edison, também inventor do fonógrafo, registra que ele persistiu por mais de cem vezes, até encontrar o filamento ideal para que a lâmpada se tornasse uma realidade. No entanto, ele declarou que não teve cem fracassos. Teria encontrado mais de cem formas de não fazer uma lâmpada. Genial essa atitude mental, somente os vencedores e campeões a possui. Mas, todos possuem a liberdade de sonhar e agir, e detém potencial para isso. Portanto, é preferível o esforço, não o aborto. Tudo vai depender da escolha, e da atitude.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

Nenhum comentário: