GESTÃO
BURRA
Artigo de Jair Donato*
Na
gestão organizacional todo movimento precisa ter foco, e antes de tomar uma
decisão, entender o contexto é primordial para obter melhores resultados. Conta-se
que certa ocasião uma empresa entendeu que estava na hora de mudar o estilo de
gestão. Então foi contratado um novo gerente geral para que implementasse a
mudança. O recém-chegado veio determinado a agitar as bases e tornar a empresa
mais produtiva. No primeiro dia, acompanhado dos membros de uma comissão
formada por ele, fez uma inspeção nas diversas áreas da empresa. Quando a
comitiva chegou ao armazém era momento em que todos por lá estavam trabalhando,
exceto um rapaz novo que estava encostado na parede e com as mãos no bolso.
Vendo
ali uma boa oportunidade para demonstrar a nova filosofia de trabalho, o
gerente novato assim questionou rapaz: Quanto é que você ganha por mês? - Trezentos
reais, por quê? - respondeu o rapaz sem saber do que se tratava. Rapidamente, o
gestor tirou a quantia dita pelo transeunte e deu a ele, dizendo: - Aqui está o
seu salário deste mês. Agora desapareça e não volte aqui na empresa nunca mais.
O rapaz guardou o dinheiro e saiu conforme a ordem recebida.
O
gerente então, enchendo o peito, perguntou ao grupo de trabalhadores ali
presente, se alguém dentre eles sabia o que aquele tipo fazia ali sem fazer nada,
e qual seria a função dele no setor. Ao que lhe responderam atônitos: - Sim
Senhor, o conhecemos, ele é o entregador de pizza, apenas veio fazer uma
entrega e estava aguardando para receber o que deviam a ele. Foi nesse instante
que o gerente apavorado percebeu o que fez. Aí está o resultado de um estilo de
gestão que faltou inteligência, e deu prejuízo.
O gestor
insensato age assim. Ele confunde inovação com arbitrariedade. Pelo erro de não
levantar informações mensuráveis e checa-las com antecedência, comete sandices
em nome da criatividade e da eficácia. Não basta dar arrancada sem rumo, sem
foco, pois isso não é um estilo estratégico na gestão. Como consultor de
pessoas, percebo que as empresas não podem ficar paradas no tempo sem investir
em treinamento e desenvolvimento de pessoas, novos processos, tecnologia e em novas
políticas de gestão. No entanto, não é sábio quando o gestor age por impulso da
mesma maneira que resolve aderir a qualquer novidade apenas para se inserir no
contexto da competitividade. É preciso agir de forma racional e comedida.
Se o
gestor gere só na boa intenção, no achismo ou pelo impulso, sem seguir um
planejamento ou diretriz, pode ter resultados desastrados. Até mesmo características
subjetivas como a criatividade e a flexibilidade precisam de foco e
direcionamento. Dificilmente uma decisão tomada por impulso pode ser acertada,
sem que antes reflita sobre os impactos que ela pode provocar. Perguntar mais,
investigar melhor, conhecer bem o contexto, o ambiente, são condições mínimas
para evitar perda de dinheiro, de tempo e gasto da imagem tanto do profissional
quanto da organização.
Há que se pensar no resultado prático de qualquer ação ou
atitude antes de implantá-la na empresa. O que você pretende com a nova ação?
Qual é o impacto que tal ação deve ter na equipe e nos clientes? Como vai medir
os resultados? Descubra se você está investindo ou gastando. Mais do que uma mudança,
o importante é a forma como ela é praticada e entendida. Resta saber entre se o
que você faz tem sido mesmo estratégico. Pois bons resultados só se originam
por meio de estratégias inteligentes.
*Jair
Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas,
professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de
Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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