ÍNDICE DE FELICIDADE
Artigo de Jair Donato*
Felicidade
não pode ser um objetivo, uma meta, nem depender disso. Para muita gente a
felicidade é um estado de espírito, um modo de vida, um estilo que consiste em
viver confortavelmente em si mesmo. Não seria mais adequado entender que você
pode ser feliz agora mesmo, com o que possui e onde está, sem depender de nada
além de você mesmo? Não são poucas as métricas de progresso no mundo de
predominante cultura capitalista em que vivemos, cheio de mudanças e marcado
pela alta competitividade.
As
áreas científica e econômica têm tratado do desenvolvimento da condição humana
na produção e no trabalho e mensuram isso através de vários índices tais como
PIB, IDH, IDS, IQV, IDCV, IGP, dentre uma gama de outros parâmetros. E medir a
felicidade seria possível? Desde a década de 1970 que esse desafio foi encetado
quando o rei do Butão, pequeno reinado nas encostas do Himalaia, criou o
índice de Felicidade Interna Bruta, como forma de protesto em resposta as
críticas que taxavam a economia daquele País como miserável.
Com
uma base holística na construção da economia aliada à cultura, a valores
espirituais, éticos e morais, o conceito de FIB foi estabelecido inicialmente
para mostrar outra forma de avaliar as condições de vida considerando também as
questões mais profundas do relacionamento humano e o progresso através da
espiritualidade, levando em consideração as dimensões sociais, ambientais e
econômicas.
De
lá para cá esse índice para medir a felicidade de um povo tem sido uma
contraposição ao Produto Interno Bruto (PIB). Ele é aplicado para medir o
bem-estar das pessoas. Tradicionalmente, para o PIB, quanto mais recursos
naturais são degradados, mais o valor cresce. Com o FIB é diferente, cujos
pilares estão pautados na promoção do desenvolvimento socioeconômico
sustentável e igualitário. São considerados além do desenvolvimento material, o
espiritual e o pessoal através de uma governança ética e sensata.
O
Brasil sediou uma das Conferências sobre Felicidade Interna Bruta em 2008, evento
que ocorre em vários países com a presença de autoridades no assunto e
economistas. A cidade de Angatuba, no interior de São Paulo, foi a
experiência-piloto apresentada no evento por fazer uso do índice do FIB. Outras
cidades no País também engendram por esse caminho para mensurar o
desenvolvimento local, cuja premissa se baseia de que essa é uma necessidade
urgente num mundo que está se despedaçando.
A
Fundação Getúlio Vargas propôs se empenhar na elaboração de uma metodologia
para ser aplicada no Brasil, e fornecer dados ao governo federal no intuito de
melhoria às políticas públicas do País.
A ideia do FIB em tempos de mudanças climáticas é se tornar um caminho
viável para proporcionar o desenvolvimento sustentável. O FIB é um índice
composto por indicadores que são ligados a uma condição interna. E, sem
necessidade de réguas, é possível a cada um avaliar a própria condição interna
com mais sensatez e dessa forma contribuir para um mundo melhor, mas ético,
altruísta, mais sociável e ambientalmente correto. Esses podem ser indicadores
que resultarão em maior índice de felicidade.
As
melhores escolhas para a mente, para o corpo, para o bolso e para o mundo são
as dicas que os especialistas dão para que o ser humano possa elevar o índice
FIB. A conversão para o bem coletivo, o cuidado consigo e com o outro podem ser
atitudes que o direcione para esse fim. Então, qual é o seu índice? E o da sua
família? Pense ainda na sua comunidade e na sua empresa. Saiba que ele pode ser
melhor, e você também pode contribuir para esse resultado. Afinal, vivemos numa
era de mudanças profundas, radicais e tão aceleradas que parece vivermos diante
de um acerto de contas.
*Jair Donato - Jornalista em
Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário,
especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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