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domingo, 10 de agosto de 2014

ÍNDICE DE FELICIDADE
Artigo de Jair Donato*

Felicidade não pode ser um objetivo, uma meta, nem depender disso. Para muita gente a felicidade é um estado de espírito, um modo de vida, um estilo que consiste em viver confortavelmente em si mesmo. Não seria mais adequado entender que você pode ser feliz agora mesmo, com o que possui e onde está, sem depender de nada além de você mesmo? Não são poucas as métricas de progresso no mundo de predominante cultura capitalista em que vivemos, cheio de mudanças e marcado pela alta competitividade.

As áreas científica e econômica têm tratado do desenvolvimento da condição humana na produção e no trabalho e mensuram isso através de vários índices tais como PIB, IDH, IDS, IQV, IDCV, IGP, dentre uma gama de outros parâmetros. E medir a felicidade seria possível? Desde a década de 1970 que esse desafio foi encetado quando o rei do Butão, pequeno reinado nas encostas do Himalaia, criou o índice de Felicidade Interna Bruta, como forma de protesto em resposta as críticas que taxavam a economia daquele País como miserável.

Com uma base holística na construção da economia aliada à cultura, a valores espirituais, éticos e morais, o conceito de FIB foi estabelecido inicialmente para mostrar outra forma de avaliar as condições de vida considerando também as questões mais profundas do relacionamento humano e o progresso através da espiritualidade, levando em consideração as dimensões sociais, ambientais e econômicas.

De lá para cá esse índice para medir a felicidade de um povo tem sido uma contraposição ao Produto Interno Bruto (PIB). Ele é aplicado para medir o bem-estar das pessoas. Tradicionalmente, para o PIB, quanto mais recursos naturais são degradados, mais o valor cresce. Com o FIB é diferente, cujos pilares estão pautados na promoção do desenvolvimento socioeconômico sustentável e igualitário. São considerados além do desenvolvimento material, o espiritual e o pessoal através de uma governança ética e sensata.

O Brasil sediou uma das Conferências sobre Felicidade Interna Bruta em 2008, evento que ocorre em vários países com a presença de autoridades no assunto e economistas. A cidade de Angatuba, no interior de São Paulo, foi a experiência-piloto apresentada no evento por fazer uso do índice do FIB. Outras cidades no País também engendram por esse caminho para mensurar o desenvolvimento local, cuja premissa se baseia de que essa é uma necessidade urgente num mundo que está se despedaçando.

A Fundação Getúlio Vargas propôs se empenhar na elaboração de uma metodologia para ser aplicada no Brasil, e fornecer dados ao governo federal no intuito de melhoria às políticas públicas do País.  A ideia do FIB em tempos de mudanças climáticas é se tornar um caminho viável para proporcionar o desenvolvimento sustentável. O FIB é um índice composto por indicadores que são ligados a uma condição interna. E, sem necessidade de réguas, é possível a cada um avaliar a própria condição interna com mais sensatez e dessa forma contribuir para um mundo melhor, mas ético, altruísta, mais sociável e ambientalmente correto. Esses podem ser indicadores que resultarão em maior índice de felicidade.

As melhores escolhas para a mente, para o corpo, para o bolso e para o mundo são as dicas que os especialistas dão para que o ser humano possa elevar o índice FIB. A conversão para o bem coletivo, o cuidado consigo e com o outro podem ser atitudes que o direcione para esse fim. Então, qual é o seu índice? E o da sua família? Pense ainda na sua comunidade e na sua empresa. Saiba que ele pode ser melhor, e você também pode contribuir para esse resultado. Afinal, vivemos numa era de mudanças profundas, radicais e tão aceleradas que parece vivermos diante de um acerto de contas.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

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