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quinta-feira, 4 de outubro de 2007

A FRAUDE DA SACOLA PLÁSTICA


Artigo de Jair Donato

As polêmicas sacolas, erroneamente chamadas de ecológicas, oxibiodegradáveis, inclusive já adotadas por alguns supermercados aqui no Estado, não é solução consensual. Trata-se de uma enganação técnica, segundo estudos com os resíduos desse material. É considerável a intenção de quem investiu nessa opção pensando em poluir menos. Mas, ao que tudo parece, é um agravante que pode poluir mais ainda o meio ambiente.

Os Estados do Paraná e São Paulo tiveram que rever os projetos de lei propostos, que obrigariam os supermercados a adotarem essas sacolas, pois se trata de um enorme problema ambiental, o contrário do que se esperava. Os supermercados que pagariam multa, após um ano, caso não cumprissem a lei 534/07, em São Paulo, agora estão livres desse equívoco, pois governo já vetou a referida lei no final do mês de junho.

A modificação química do plástico, com o nome de polímero oxibiodegradável, deu origem a essas sacolas plásticas. Mas, segundo as principais indústrias petroquímicas do País, o efeito do uso desse material é apenas visual, e não ecológico. O que acontece é que um produto que demoraria até 300 anos para ser degradado, como são as sacolas comuns, se despedaça a olho nu, em cerca de dois a três anos. Mas, aí está o engano.

Na verdade, o polímero é uma macromolécula derivada do petróleo, é estável e demora séculos para se degradar na natureza. Com a aplicação de aditivos químicos e de tecnologia, contestada por cientistas e ambientalistas, ocorre o esfarelamento rápido desse material, se jogado no meio ambiente. Mas, a reação do polímero com o oxigênio do ar, que foi apenas modificado, forma novos compostos e continua contaminando. Ele fica presente na natureza, apenas disfarçado em micro partículas, contamina terra, ar e água.

Testes de biodegradação e compostagem com esse material mostraram que ele libera odor forte e metais pesados, como cobalto, que pode ser cancerígeno. Demais estudos mostram que além dele degradar de forma agressiva, em razão dos catalisadores derivados de outros metais pesados, como níquel e manganês, que se misturam ao solo e podem contaminar lençóis freáticos, libera gases do efeito estufa como CO2 e metano.

Não se pode achar que essas sacolas resolverão o problema já causado ao meio ambiente e relaxar o uso consciente, como se varresse a sujeira para baixo do tapete. Trocar um material por outro, sem redução na quantidade, é só mudar a forma de poluir. É despir um santo para cobrir outro, como diz o chavão popular. Além do consumo mundial das sacolas comuns, proliferadas desde a década de 1970, que é de um milhão por minuto.

Cientistas descobriram que a mortandade de peixes que vivem a 3000m de profundidade marítima, se dá por fragmentos de sacos plásticos de supermercado no estômago deles. São toneladas de lixo que vão para o mar. Os plásticos, pela ação das ondas vão se fragmentando e quando alcançam o alto mar, começam a sedimentar e vão para o fundo do oceano onde os peixes engolem como alimento. E, por não ser digestível, o plástico ocupa e enche o estômago dos animais, bloqueia a entrada de alimento, debilita-os e causa-lhes a morte.

Mas, o que fazer? Começa pela mudança de comportamento. Reduzir o uso excessivo das sacolas, preferir recipientes que possam ser utilizados várias vezes. Guardar na bolsa pessoal, as revistas adquiridas na banca, levar o carrinho de compras à feira, dentre outras alternativas. Evitar colecionar sacolas nas gavetas como se fossem peças. Melhor que despoluir é não poluir. É melhor não leva-las para casa.

Outra saída correta é o consumo sustentável, que produz menos lixo, como a reciclagem. Seria mais inteligente se as empresas investissem nessa alternativa, que está no contexto sócio-ambiental, beneficia meio ambiente e comunidades envolvidas.

É preciso descobrir novas formas de poluir menos o planeta, mas não existem medidas milagrosas. É mais eficaz mudar o estilo de consumir. É melhor ter cuidado com o remediar. E privilegiar somente as medidas limpas.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

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