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terça-feira, 16 de outubro de 2007

PROMISCUIDADE AMBIENTAL


Artigo de Jair Donato

O Brasil ainda é lembrado em outras partes do mundo como um lugar de prostituição e pedofilia. Estrangeiros vêm aqui e usam as garotas em tenra idade a serviço do sexo, principalmente nos corredores do sudeste e nordeste. Além da exportação de corpos novinhos para o exterior, que servem à luxúria dos gringos.

Isso é crime, mas acontece. Quem ganha com a negociata? Somente os cafetões e os traficantes do sexo, além dos usuários dos pobres corpos vendidos por pouco, que se deliciam com um prazer momentâneo, tão rápido quanto uma cuspida no asfalto a uma temperatura de 40º C. Realmente essa é uma história gozada, desculpe o trocadilho, e imoral.

Mas, também convivemos com outras ações promíscuas, o que não deixa de ser uma perversão, diria Freud. Trata-se do desrespeito a natureza, um organismo vivo, a exemplo da proposta indecente, encaminhada neste ano, ao Senado, pelos representantes dos produtores de Mato Grosso, com o intuito de transformar a Amazônia em mero cerrado. E com aval político de gente que foi eleita para representar o povo.

Isso lembra aquelas mulheres alegres e carregadas na maquiagem que ganham carona na rodovia após certas insinuações aos caminhoneiros. Querem fazer o mesmo com a Amazônia. Numa exposição explícita, despida de pudor e senso ético, querem oferecer, a qualquer custo, o que ainda temos de floresta equatorial dentro do Estado, ao povo lá de fora. A ganância para atrair a atenção dos gringos é vulgarmente, em nome do desenvolvimento. O negócio é faturar, querem mais é pegar carona.

Os produtores anseiam a transformação da Amazônia em savana para desmatá-la, plantar grãos e criar mais bois. Essa é uma explicação torpe, antiética e desonesta, de um setor onde nem todos produzem de forma ecologicamente correta, mas, poluem e degradam. Do dia para a noite, querem nos convencer que um pé de andiroba não é mais andiroba, é apenas um pé de goiaba ou um talo de cipó. Será que aprendi algo errado na escola sobre biomas, ética e preservação do meio ambiente?

Ousar transformar o Norte de Mato Grosso em cerrado significa a perda do bioma Amazônia. O fim da floresta tropical que ainda resta, em troca do delírio econômico é uma libertinagem ambiental. Mato Grosso pertence de fato à vegetação amazônica. Ou seja, não está delimitada no mapa da Amazônia Legal apenas para efeitos de governo e economia. Entre mata fechada e área de transição, são 45% do Estado que pertencem ao bioma Amazônia, que passaria a ser legalmente um cerrado, segundo o polêmico projeto, cuja proporção de áreas protegidas cai de 80% para 35%”.

Isso seria um afronta ambiental, um estupro ao bioma amazônico, aos rios, à madeira, aos animais e a biodiversidade existente, que formam um ‘filtro ecológico’ para o gás carbônico. Já não resta a película da ética quando se trata do meio ambiente, em alguns setores econômicos. É um ‘tirar a roupa’ da decência, expor e agenciar a nossa floresta para gente que não é daqui, uma vergonha para País.

A comunidade européia já disse ao mundo que não vai se servir de uma natureza virgem e preservada, e que não é para os países de lá comerem nada do que for plantado na pura e delicada Amazônia. Eles não querem ser receptadores de produtos, cujos valores não pagam a destruição provocada para produzi-los. Essa é a razão para gente que explora a mata, alguns que moram aqui há pouco tempo, negar a condição amazônica de Mato Grosso.

O Brasil precisa crescer economicamente. Mas, de forma inteligente, responsável, ética e sem redução das áreas de proteção ambiental. Esse é o novo paradigma da realidade global. Quem não tiver pautado nessa necessidade, nem merece ser vaiado, tem de ser excluído como representante do povo. Que o eleitor brasileiro lembre disso na hora do voto.

Espero que os legisladores façam prevalecer a consciência ética e ecológica necessária. E que a sociedade não fique passiva diante de intenções lascívias que visam a destruição dos parcos recursos naturais que ainda existem no mundo, em prol do prazer, do delírio, da perversão e do interesse de poucos.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

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