
Artigo de Jair Donato
É da natureza humana, levar um tempo para unir os pontos. Mas chegará o dia do Juízo Final. Ou seja, quando você vai desejar ter ligado os pontos, mais rápido. Essa é uma reflexão contida no documentário ‘Uma Verdade Inconveniente’ do ambientalista Al Gore (Oscar 2007), que merece ser analisada por cada ser humano, poluidor do meio ambiente, e assim, mudar o estilo de vida. Talvez, não haja declaração mais frustrante do que o arrependimento pelo que poderia ter feito antes.
Este é o vigésimo artigo que abordo sobre mudanças climáticas, especialmente sobre os dois principais fenômenos que refletem efeitos devastadores no planeta, o aquecimento e o escurecimento global. Devido a destruição dos recursos naturais e a poluição exacerbada do ser humano egoísta, por vezes ingrato, com a fantástica e incomensurável beleza contida no planeta, a Terra está em risco.
Todas as catástrofes climáticas já registradas, assim como os alertas feitos, ocorrem em função do delírio pelo consumo e crescimento econômico rápido, de poucos. E as conseqüências dos gases e fumaças provocadas pelo uso de combustíveis fósseis na energia e no transporte, queimadas, desmatamentos, dentre outras formas de poluir que o homem moderno encontrou, são irreversíveis.
Neste ano, fiz mais de 60 conferencias sobre mudanças climáticas. Um trabalho voluntário de sensibilização das pessoas sobre ações que cada um pode fazer no dia-a-dia. Estive com mais de três mil pessoas, em instituições de ensino, empresas, órgãos públicos e demais organizações. Aprendi muito, compartilhei, vi bons exemplos de ações ambientalmente corretas, embora percebi também resistência considerável ao assunto.
Contudo, fiquei feliz, faria tudo de novo, assim como continuarei fazendo. Além das diversas organizações, tenho recebido também o apoio da mídia escrita, falada e televisada nessa causa. Defender, amar, preservar e conservar a natureza faz parte da minha missão de vida. Está na alma. Sei que é pouco, mas procuro sempre fazer a parte que estiver mais próxima e possível diante de mim. De alguma maneira, mesmo em pequena proporção, quero contribuir mais para um ambiente melhor.
Tenho orgulho de viver nesta terá abençoada, onde existem três riquezas indescritíveis, os biomas Amazônia, Pantanal e Cerrado brasileiro. Temos também o Araguaia, a belíssima Chapada dos Guimarães, e tantas outras fontes turísticas, ‘filtros ecológicos’ invejáveis pelo resto do mundo. Acredito que não seja necessário perdermos nada disso para percebermos o real valor que possui toda essa maravilha ambiental, verdadeira dádiva natural.
Vejo que ainda há um equívoco comportamental. Pois, o que é feito em nome do crescimento e da geração de riqueza, destrói e atende o interesse só de alguns segmentos. O paradigma do desenvolvimento ainda é o de que a maior parte precisa perder. A desigualdade social, assim como a degradação do planeta, são fatores desconsideráveis pelo mundo capitalista. Isso é o que precisa, de fato, ser reconsiderado.
Enquanto o mundo sócio-econômico não mudar a concepção de que para um ganhar, o outro não precisa perder, o planeta será a parte mais lesada nessa história de desenvolvimento. Um novo comportamento pautado na sustentabilidade e no consumo racional precisa ser aprendido pela sociedade, pelas empresas e governos do mundo inteiro.
É a visão egoísta do ser humano, que só permite ver o que está diante do próprio umbigo, que põe o planeta
O ensaísta americano Mark Tuwain disse que “O que nos mete em encrenca não é o que não sabemos. É aquilo que sabemos com certeza que não é verdade”. Espero que homem não chegue ao ponto de dizer: “Ah, se eu pudesse voltar ao que era, eu faria diferente”. Talvez, aí seja tarde demais. Anseio para que o juízo final da humanidade seja de compensação por ter feito a coisa certa, no momento certo, sem arrependimentos. Ainda é tempo.
Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com
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